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Brasileiros detidos pelo ICE: seis em cada dez são deportados, diz levantamento

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Resumo da Notícia

  • Levantamento com dados do ICE aponta 3.650 brasileiros detidos até agosto de 2026; seis em cada dez acabam deportados.
  • A maioria das detenções se concentra na Costa Leste dos EUA, e cerca de dois terços dos detidos não têm processo criminal.
  • A idade média dos brasileiros detidos é de 34 anos, segundo o Observatório das Deportações.

Seis em cada dez brasileiros detidos pelo ICE, a agência de imigração e alfândega dos Estados Unidos, acabam deportados do país. É o que mostra um levantamento com dados oficiais organizado pelo Observatório das Deportações, projeto ligado à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), a partir de registros obtidos pelo Deportation Data Project por meio da lei de acesso à informação americana. Segundo a Folha, que divulgou a base inédita, os números ajudam a dimensionar o impacto da atual política migratória americana sobre a comunidade brasileira nos Estados Unidos.

De acordo com o levantamento, até agosto de 2026 foram registradas 3.650 detenções de brasileiros, com um pico de 709 prisões apenas no mês de julho. Os registros analisados cobrem o período de 2023 a 2026 e indicam um salto nas detenções nos dois primeiros anos do segundo mandato de Donald Trump: o volume de brasileiros presos nesse período é mais do que o dobro do registrado nos dois últimos anos do governo anterior. Para 2026, os dados disponíveis vão até agosto e ainda são considerados incompletos pelos pesquisadores.

Maioria não responde a processo criminal

O perfil traçado pelo Observatório das Deportações contraria a ideia de que as detenções atingem principalmente pessoas com antecedentes criminais. Segundo a Folha, cerca de dois terços dos brasileiros detidos não respondem a nenhum processo criminal: foram presos apenas por estarem em situação migratória irregular, o que, nos Estados Unidos, é uma infração civil, e não um crime.

Ainda de acordo com os dados organizados pelo observatório, aproximadamente 30% dos detidos chegaram a ser acusados de algum delito, mas ainda sem sentença, e apenas cerca de 10% já tinham uma condenação. A idade média dos brasileiros presos é de 34 anos, faixa etária em que grande parte dos imigrantes está em plena atividade de trabalho — o que, segundo os pesquisadores, amplia o impacto econômico e social das deportações sobre famílias que dependem dessa renda, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Segundo o levantamento repercutido pela Folhapress, os detidos esperam, em média, 37 dias entre a apreensão e a decisão judicial sobre o caso. É nesse intervalo que se define, na prática, o destino da maioria: permanecer no país enquanto o processo corre ou ser removido ao fim da tramitação.

Detenções concentradas na Costa Leste

A geografia das prisões acompanha o mapa da comunidade brasileira nos Estados Unidos. Segundo o Observatório das Deportações, as detenções se concentram na Costa Leste, onde vive a maior parte dos brasileiros no país. Os estados com mais registros são, nessa ordem, Massachusetts, Flórida, Nova Jersey, Pensilvânia e Nova York — regiões que abrigam algumas das maiores comunidades brasileiras do exterior.

A base analisada pelos pesquisadores não informa como cada imigrante entrou nos Estados Unidos — se pela fronteira, com visto que depois venceu ou por outra via —, o que limita a compreensão sobre as rotas e as circunstâncias de cada detenção. O levantamento também contabilizou, entre 2023 e 2026, centenas de menores levados junto com os pais; nesses casos, segundo a Folha, a prática tem sido liberar as crianças em poucas horas ou em poucos dias.

O endurecimento da fiscalização migratória ocorre no mesmo momento em que o governo Trump concentra atenções em outras frentes internacionais, como a tentativa de cessar-fogo energético entre Ucrânia e Rússia, enquanto, no campo econômico, o debate global segue marcado por temas como o Nobel de Economia de 2026. Para a comunidade brasileira, porém, é o ritmo das operações do ICE que tem efeito mais direto no dia a dia.

O que fazer em caso de detenção

Diante dos números, entidades de apoio a imigrantes recomendam que brasileiros nos Estados Unidos conheçam, de forma preventiva, os caminhos de ajuda disponíveis. Em caso de detenção de um familiar, a orientação geral é buscar o quanto antes um advogado especializado em imigração, que pode acompanhar o processo, verificar a possibilidade de fiança e representar o detido perante a corte de imigração.

Também é possível procurar o consulado brasileiro mais próximo. Os consulados do Brasil nos Estados Unidos prestam assistência a cidadãos brasileiros detidos, fazem contato com familiares, ajudam a localizar a pessoa no sistema de detenção americano e podem indicar listas de advogados e organizações de apoio jurídico gratuito ou de baixo custo na região.

Especialistas ouvidos com frequência sobre o tema lembram ainda que toda pessoa detida tem o direito de permanecer em silêncio e de não assinar documentos que não compreenda, além do direito de solicitar uma audiência com um juiz de imigração. Manter cópias de documentos importantes com um familiar de confiança e ter o contato de um advogado anotado são medidas simples que podem fazer diferença nas primeiras horas após uma abordagem.

Dados seguem em atualização

Como os números de 2026 estão disponíveis apenas até agosto e ainda incompletos, o retrato traçado pelo Observatório das Deportações e pelo Deportation Data Project deve mudar nos próximos meses, à medida que novos registros forem liberados pelo ICE. Mesmo assim, o levantamento já indica uma tendência clara: mais brasileiros detidos, processos decididos em ritmo acelerado e, ao final, a deportação como desfecho para a maioria dos casos.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.