A China realizou, na segunda-feira (6), um lançamento de míssil balístico a partir de um submarino no Oceano Pacífico, exercício pouco comum que provocou reações de preocupação da Nova Zelândia e da Austrália.
De acordo com comunicado do capitão Wang Xuemeng, porta-voz da Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP), um submarino disparou um míssil estratégico equipado com ogiva falsa que caiu “com precisão” na área marítima previamente delimitada para o teste. Wang afirmou que o lançamento integra o calendário anual de treinamento e que países “envolvidos” foram avisados com antecedência.
Armamento e capacidade
A Marinha chinesa opera dois modelos de mísseis balísticos lançados por submarino: o JL-2 e o JL-3. Especialistas apontam que o JL-3 possui alcance suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos a partir de águas próximas à costa chinesa, incluindo o Mar do Sul da China.
O principal vetor desses armamentos é o submarino nuclear Tipo 094 (classe Jin), do qual a China mantém seis unidades.
Reação na região
O chanceler neozelandês Winston Peters declarou que o projétil foi lançado em direção à Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, criada em 1986 pelo Tratado de Rarotonga, cujos protocolos II e III foram assinados por Pequim em 1987. “Trata-se de um desdobramento indesejável e preocupante”, afirmou Peters, acrescentando que nem a Nova Zelândia nem demais nações do Pacífico desejam que a área seja usada para testes de mísseis.
Peters também recordou um teste chinês de míssil balístico intercontinental em 2024 na mesma região e defendeu que tais ações não se tornem “normalizadas ou rotineiras”. A Austrália expressou preocupação semelhante sobre possíveis impactos na estabilidade regional.
Testes de outras potências
Ensaios desse tipo são frequentes entre países com arsenal nuclear. Em setembro passado, a Marinha dos Estados Unidos conduziu quatro lançamentos de mísseis Trident a partir de submarinos na costa da Flórida. A Índia realizou teste similar em dezembro, enquanto a Rússia fez o mesmo em outubro.
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Expansão chinesa
O ELP tem ampliado sua frota de submarinos de propulsão nuclear dentro de um programa mais amplo de fortalecimento de suas forças estratégicas. O último teste chinês de míssil balístico intercontinental em mar aberto ocorreu em setembro de 2024, quando um DF-31B foi disparado da ilha de Hainan rumo a águas próximas à Polinésia Francesa — o primeiro evento desse tipo em 44 anos.
Relatórios do Departamento de Defesa dos EUA indicam que a China costuma limitar seus testes a território doméstico, mas reconhecem a capacidade de Pequim de realizar múltiplos lançamentos em rápida sucessão e veem tais exercícios como parte de uma estratégia de dissuasão nuclear de “média a alta intensidade”.
Até o momento, o Ministério da Defesa chinês não revelou o modelo de míssil utilizado no disparo de segunda-feira.
Com informações de CNN Brasil