A eliminação da Coreia do Sul na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 desencadeou críticas do presidente do país, investigações sobre a federação local e ameaças ao técnico que acabou demitido. O episódio trouxe à memória o tratamento imposto pela vizinha Coreia do Norte aos seus jogadores e comissão técnica após o Mundial de 2010, na África do Sul.
Seis horas de críticas públicas em Pyongyang
Segundo relatos divulgados na época pela Rádio Free Asia, atletas e membros da comissão norte-coreana foram obrigados a permanecer em posição de sentido por aproximadamente seis horas diante de 400 representantes do governo, em frente ao Palácio da Cultura Popular, na capital Pyongyang. Durante esse tempo, ouviram insultos pela campanha que terminou com três derrotas em três partidas.
O então treinador, Kim Jong-hun, teria sido deslocado posteriormente para trabalhos na construção civil como forma de punição. A Federação de Futebol da Coreia do Norte, porém, negou qualquer sanção ao responder à Fifa ainda em 2010.
Expectativa após estreia animadora
O dirigente máximo do país na época, Kim Jong-il – falecido em 2011 e sucedido pelo filho Kim Jong-un – ficou satisfeito com a derrota por apenas 2 a 1 para o Brasil na estreia. Animado, autorizou que a televisão estatal transmitisse ao vivo o segundo jogo, contra Portugal, algo inédito até então. A seleção, no entanto, sofreu goleada de 7 a 0, com gols de Cristiano Ronaldo e do luso-brasileiro Liédson. O último compromisso terminou em novo revés, 3 a 0 diante da Costa do Marfim.
Entre os jogadores, o atacante Jong Tae-se teria escapado de penalidades por ter chorado durante a execução do hino nacional antes do confronto com a equipe brasileira.
Imagem: Internet
Pressão por repetir 1966
A cúpula do regime esperava, ao menos, repetir a campanha histórica de 1966, quando a Coreia do Norte eliminou a Itália na fase de grupos e avançou às quartas de final, caindo diante de Portugal por 5 a 3 após abrir vantagem de três gols.
Fifa abriu investigação
As notícias de punições levaram o então presidente da Fifa, Joseph Blatter, a solicitar explicações formais. A entidade enviou carta à Confederação Norte-Coreana de Futebol cobrando esclarecimentos. Dias depois, em nota oficial, a federação assegurou que nem jogadores nem comissão técnica sofreram represálias e que o grupo seguia treinando normalmente.
Com informações de UOL