Disputa de pênaltis ganha status de matéria obrigatória na Copa do Mundo

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NOVA YORK, 2 de julho – O drama dos pênaltis continua o mesmo, mas a forma de encarar a decisão mudou. Seleções, jogadores e goleiros passaram a tratar a marca da cal como uma sala de aula, onde preparação e estudo podem decidir o futuro em um Mundial.

Pressão antiga, abordagem nova

O professor Geir Jordet, da Escola Norueguesa de Ciências do Esporte, compilou 718 cobranças de disputas masculinas em Copas do Mundo, Eurocopas e Liga dos Campeões entre 1970 e 2023. Segundo ele, ignorar treinos específicos é “muito estranho” em torneios eliminatórios. Jordet lembra que, na maioria das campanhas vitoriosas, a seleção enfrenta ao menos uma série de pênaltis.

Dados reunidos pelo pesquisador indicam que 53% dos jogadores que falham apresentam reações parecidas: caem no gramado, cobrem o rosto ou evitam contato visual ao voltar para o meio-campo.

Eliminações e viradas

Na atual edição do Mundial, Alemanha e Holanda foram eliminadas nos 16-avos de final, respectivamente por Paraguai e Marrocos, ao desperdiçar pênaltis. No outro extremo, o belga Youri Tielemans converteu uma cobrança nos acréscimos da prorrogação e selou a virada sobre Senegal.

Inglaterra vira laboratório

Marcada por seis derrotas em sete disputas nos anos 1990 e 2000, a Inglaterra montou um projeto amplo de estudo de pênaltis. Sob comando de Thomas Tuchel, a federação segue um programa rígido de repetição de movimentos. “É uma parte muito específica do futebol que entra em jogo no mata-mata”, afirmou o treinador.

Especialistas e psicologia

Para o técnico espanhol Luis de la Fuente, pênaltis exigem cobradores dedicados: “Assim como temos especialistas em faltas e escanteios, há especialistas em pênaltis”. Ele destaca que o aspecto psicológico pesa de forma diferente em cada atleta.

Jordet observa que alguns jogadores correm para a bola assim que ouvem o apito, acelerando o ritual. Embora isso possa indicar ansiedade, o pesquisador cita Kylian Mbappé como exceção: a velocidade faz parte de seu estilo e não afeta a precisão.

Revolução sob as traves

Os goleiros também evoluíram. O marroquino Yassine Bounou, o Bono, ficou conhecido pela “dupla finta”: movimenta-se na linha no instante exato para induzir o cobrador ao erro. Contra a Holanda, na fase de 16-avos, dois holandeses chutaram para fora e um parou nas luvas do marroquino.

Treino integral no Brasil

Carlo Ancelotti, à frente da seleção brasileira, divide o elenco em duas equipes e simula séries completas: atletas esperam na linha do meio-campo, caminham até a marca e executam todo o ritual enquanto o técnico observa linguagem corporal e padrões de cobrança.

Apesar de toda a preparação, Jordet ressalta que a crueldade do formato permanece: “Em algum momento, a carreira de um jovem ainda será definida por um chute a 11 metros do gol”.

Com informações de UOL – Reuters

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.