Resumo da Notícia

  • A Electronic Arts decidiu fechar a BioWare, estúdio canadense criador de Mass Effect e Dragon Age, e cancelar o novo jogo da série Mass Effect, ainda em estágio inicial de desenvolvimento.
  • A reestruturação corta cerca de 400 empregos em toda a EA — em torno de 3% do quadro global —, incluindo aproximadamente 50 posições na própria BioWare.
  • O fechamento ocorre cerca de dois meses após a conclusão da venda da EA por US$ 55 bilhões, e a empresa afirma que vai concentrar recursos em menos jogos grandes, como os títulos esportivos, Apex Legends, o próximo Star Wars Jedi e o jogo do Homem de Ferro da Marvel.

A Electronic Arts anunciou nesta quarta-feira (21) que vai fechar a BioWare, um dos estúdios mais respeitados da história dos videogames, e cancelar o novo jogo da franquia Mass Effect, que estava em estágio inicial de desenvolvimento. Segundo a Reuters, a decisão foi comunicada aos funcionários em uma carta assinada pelo diretor de operações David Tinson e pelo diretor de estúdios Cam Weber. No texto, a empresa afirma que fez “uma análise dura do negócio” e decidiu não seguir adiante com o projeto — o que significa, na prática, fechar o estúdio e o escritório de Edmonton, no Canadá, onde a BioWare nasceu e operou por mais de três décadas.

O próprio estúdio confirmou o fim em uma mensagem de despedida publicada nas redes sociais. “Depois de mais de três décadas de aventuras compartilhadas, a BioWare está fechando, e o desenvolvimento inicial do próximo projeto de Mass Effect está sendo encerrado”, escreveu a equipe. Na mesma mensagem, o estúdio agradeceu aos fãs: os jogos “se tornaram muito mais porque vocês os jogaram, debateram suas escolhas, se apaixonaram pelos personagens e fizeram desses mundos algo de vocês”.

Cerca de 400 cortes em toda a empresa

O fechamento da BioWare faz parte de uma reestruturação mais ampla. De acordo com a Bloomberg, a EA vai cortar cerca de 400 postos de trabalho, o equivalente a aproximadamente 3% do seu quadro global de funcionários — cerca de 50 deles na própria BioWare, que já vinha operando com uma equipe reduzida após cortes anteriores. A Reuters acrescenta que a equipe do jogo de skate “skate.” também será reestruturada e transformada em um estúdio menor e mais focado.

Segundo a empresa, os funcionários afetados receberão ajuda para buscar outras oportunidades dentro da própria EA. Ainda assim, o número coloca o anúncio entre os maiores cortes recentes da indústria de games, setor que atravessa um ciclo prolongado de demissões e fechamentos de estúdios desde o fim do boom provocado pela pandemia.

Menos jogos, apostas maiores

A estratégia por trás da decisão é explícita: concentrar recursos em menos projetos, porém maiores e mais lucrativos. Segundo a Reuters, a EA vai priorizar jogos de ação e aventura de grande escala e manter o desenvolvimento de títulos como o jogo do Homem de Ferro da Marvel, produzido pelo estúdio Motive, e o próximo capítulo da série Star Wars Jedi, da Respawn. Continuam também as apostas mais seguras da casa: os jogos esportivos, o fenômeno Apex Legends e a franquia Battlefield.

Sobra pouco espaço, nesse desenho, para o RPG de história para um jogador — justamente o gênero que a BioWare ajudou a definir. Um projeto paralelo da franquia The Sims, conhecido internamente como Project Lotus, também foi paralisado na mesma reestruturação, em favor de outra iniciativa da série.

Três décadas que definiram o RPG

Fundada em 1995, em Edmonton, a BioWare construiu um dos currículos mais influentes da indústria. O estúdio ganhou projeção mundial com Baldur’s Gate (1998), consolidou a reputação com Star Wars: Knights of the Old Republic (2003) e alcançou o auge comercial e crítico com a trilogia Mass Effect, iniciada em 2007, e com Dragon Age: Origins, de 2009. A empresa foi adquirida pela EA em 2007, no auge dessa fase criativa.

Mass Effect virou sinônimo de narrativa ramificada, em que as escolhas do jogador atravessavam jogos inteiros, e Dragon Age se firmou como uma das principais séries de RPG de fantasia do mercado. Para uma geração de jogadores, o nome BioWare no início de um jogo era garantia de personagens memoráveis e histórias de fôlego.

A década difícil que precedeu o fim

Os últimos anos, porém, foram de desgaste contínuo. Mass Effect: Andromeda, de 2017, ficou aquém das expectativas; Anthem, lançado em 2019 como aposta em jogo multiplayer contínuo, foi uma decepção comercial; e Dragon Age: The Veilguard, publicado em outubro de 2024 após quase uma década de desenvolvimento conturbado, não atingiu as metas de vendas esperadas pela EA, conforme a própria empresa reconheceu na época. The Veilguard entra para a história, agora, como o último jogo lançado pela BioWare.

O novo Mass Effect cancelado agora havia sido anunciado em 2020 e nunca passou de teasers e artes conceituais. Uma equipe pequena trabalhava no projeto em estágio inicial — e é esse trabalho que a EA decidiu encerrar de vez.

O pano de fundo: a venda de US$ 55 bilhões

O fechamento não acontece no vazio. Em agosto, foi concluída a venda da Electronic Arts por cerca de US$ 55 bilhões, em uma operação liderada pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), ao lado das gestoras Silver Lake e Affinity Partners, que retirou a empresa da bolsa. Segundo veículos especializados como Polygon e VGC, a operação deixou a EA com cerca de US$ 18 bilhões em dívidas, e a nova gestão assumiu o compromisso de entregar aproximadamente US$ 700 milhões por ano em redução de custos — cortes de estrutura, como o anunciado agora, fazem parte dessa conta.

É um roteiro conhecido do mundo corporativo: operações bilionárias costumam ser seguidas de reestruturações profundas. O RS Notícias mostrou recentemente como Tesla e SpaceX avaliam uma fusão avaliada em US$ 3,5 trilhões, outro movimento gigante que redesenha empresas inteiras — e, no Brasil, como a Americanas encerrou a recuperação judicial depois de anos de enxugamento. No caso da EA, o ajuste recai sobre os estúdios menores e as apostas de retorno mais lento.

E as franquias, como ficam?

A pergunta que fica para os fãs ainda não tem resposta. Mass Effect e Dragon Age pertencem à EA, mas a empresa não anunciou nenhum plano para as duas séries — e, sem a BioWare, não há hoje um estúdio interno dedicado a elas. O futuro das franquias permanece, portanto, indefinido: podem ser retomadas por outro estúdio no futuro ou simplesmente ficar na prateleira.

Um alento parcial vem de fora dos games: segundo a imprensa especializada, a série de televisão em imagem real de Mass Effect, em desenvolvimento na Amazon MGM Studios, não foi afetada pelo anúncio e segue em produção. Por ora, é nesse formato que o universo criado pela BioWare tem a continuação mais concreta — enquanto, nos jogos, se encerra uma história de 31 anos que ajudou a moldar o RPG moderno.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.