
Resumo da Notícia
- O Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina em setembro, queda de 35,1% em relação a setembro de 2025, após a China aplicar uma tarifa extra de 55% (67% no total) com o esgotamento da cota de 1,106 milhão de toneladas prevista para 2026.
- Os embarques para a China despencaram 93,2%, para 12,9 mil toneladas; em compensação, os EUA compraram 48,3 mil toneladas (+389%) e a União Europeia, 20 mil toneladas (+29,7%). O preço médio de exportação bateu recorde: US$ 6,28 por quilo, alta de 11,9%.
- Apesar da queda nas exportações, os preços internos não caem: a arroba do boi gordo segue perto de R$ 365,40, próxima da máxima histórica de R$ 367. No acumulado de janeiro a setembro, o país embarcou 2,11 milhões de toneladas (-1,6%), com receita recorde de US$ 12,96 bilhões.
Queda histórica nos embarques de setembro
As exportações brasileiras de carne bovina somaram 229,3 mil toneladas em setembro, uma queda de 35,1% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) divulgados pela Reuters. O tombo reflete a barreira imposta pela China, principal destino da carne brasileira, que aplicou uma tarifa adicional de 55% sobre o produto — elevando a alíquota total para 67% — depois que a cota de 1,106 milhão de toneladas prevista para 2026 foi esgotada antes do fim do ano.
China: embarques despencam 93,2%
Com a tarifa extra em vigor, os embarques para a China despencaram 93,2% em setembro, para apenas 12,9 mil toneladas. Em contrapartida, os Estados Unidos compraram 48,3 mil toneladas, um salto de 389% na comparação anual, enquanto a União Europeia adquiriu 20 mil toneladas, alta de 29,7%.
Preço médio de exportação bate recorde
Mesmo com o volume menor, o preço médio da carne bovina exportada atingiu o recorde histórico de US$ 6,28 por quilo em setembro, alta de 11,9% em relação a setembro de 2025. A valorização ajudou a sustentar a receita: no acumulado de janeiro a setembro, o Brasil embarcou 2,11 milhões de toneladas — queda de 1,6% —, mas faturou US$ 12,96 bilhões, um recorde para o período.
Por que a carne não fica mais barata no Brasil
Apesar da queda nas exportações, os preços domésticos não estão caindo. A arroba do boi gordo segue negociada perto de R$ 365,40, próxima da máxima histórica de R$ 367. Segundo analista da Datagro, o esgotamento da cota chinesa não deve pressionar as cotações internas para baixo, já que a demanda de outros mercados e o consumo doméstico sustentam os preços.
Levantamento da Agrifatto mostra que, com a arroba a R$ 352, o consumidor da Grande São Paulo compra 35% menos carne do que a média histórica por salário mínimo — uma perda de poder de compra, não uma queda de preços.
Como funciona a salvaguarda chinesa
A China adotou um mecanismo de salvaguarda que impõe tarifas adicionais quando as importações de carne bovina superam cotas anuais pré-definidas. Para 2026, a cota era de 1,106 milhão de toneladas; esgotada antes do fim do ano, passou a valer a tarifa extra de 55%, que somada às alíquotas já existentes chega a 67%. O instrumento foi criado para proteger os produtores chineses em momentos de forte entrada de carne importada.
Brasil e China: uma relação de dependência
A China é de longe o maior comprador da carne bovina brasileira, e a dependência desse mercado expõe o setor a choques regulatórios. Historicamente, cada movimento de Pequim — de embargos sanitários a mudanças tarifárias — repercute imediatamente nos frigoríficos e nos preços do boi gordo no Brasil. A diversificação para Estados Unidos, União Europeia e Oriente Médio tem sido a estratégia para reduzir essa vulnerabilidade.
O que vem pela frente
O setor acompanha agora três frentes: a decisão da União Europeia sobre as exigências comerciais para a carne brasileira, a sustentação das compras americanas — que cresceram quase quatro vezes em setembro, em meio ao lobby do setor na Casa Branca por tarifas menores — e a expectativa de reabertura do mercado chinês, que depende da renovação das cotas e das negociações diplomáticas entre Brasília e Pequim.
