Quase todas as 83 regiões da Rússia enfrentam escassez de combustíveis e interrupções no abastecimento, consequência da recente onda de ataques de drones da Ucrânia contra refinarias russas. Levantamento feito pela CNN com declarações de autoridades locais e reportagens regionais indica que mais de 50 entidades federativas já confirmaram oficialmente problemas de suprimento.
Racionamento e estados de emergência
A crise começou na Crimeia, onde o estado de emergência foi decretado em 21 de junho com proibição total de vendas a pessoas físicas. Desde então, a situação se alastrou: Irkutsk, Transbaikal e outra região não identificada publicamente adotaram estado de alerta reforçado, nível imediatamente inferior ao de emergência.
Para conter filas e compras excessivas, postos em diversas partes do país limitaram a quantidade de combustível por cliente e proibiram o uso de galões de grande capacidade. Em alguns locais, motoristas relatam espera de até 18 horas.
Impacto na produção
Segundo Sumit Ritolia, analista da consultoria Kpler, a produção russa de gasolina caiu cerca de 20% em relação à demanda interna. O volume de petróleo processado nas refinarias seria o mais baixo dos últimos anos devido aos danos causados pelos drones.
Ex-executivo do setor, Sergey Vakulenko, hoje pesquisador do Carnegie Russia Eurasia Center, afirma que a capacidade de resistência da indústria petrolífera está “perigosamente no limite” porque a Ucrânia aumentou a frequência e o número de aeronaves não tripuladas nos ataques.
Tensão nas filas e repressão ao mercado paralelo
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram confrontos verbais entre motoristas em Moscou e Krasnodar. Para coibir revenda ilegal, a polícia de Irkutsk multou quatro pessoas; um jovem de 20 anos cobrava preço quatro vezes superior ao valor médio nacional.
Pronunciamentos do Kremlin
No domingo (5), o presidente Vladimir Putin reconheceu “certa escassez, embora não crítica”, e destacou como prioridade a rápida ampliação da produção de sistemas antiaéreos. Ele enumerou medidas em estudo: redução do tempo de manutenção de refinarias, possível veto temporário a exportações de diesel e aumento das importações.
Imagem: Reuters
Reportagem da agência Reuters, de 1º de julho, aponta que Moscou iniciou a compra de gasolina da Índia. O jornal econômico Kommersant informa que o governo analisa permitir a venda de combustível de menor qualidade para ampliar a oferta — iniciativa que, segundo especialistas, pode danificar veículos mais novos.
Reflexos econômicos
A escassez coincide com o pico sazonal de consumo, que costuma durar até setembro. O Banco Central russo, ao cortar juros em apenas 0,25 ponto percentual na última quarta-feira, citou pressões inflacionárias ligadas à redução temporária da produção de combustíveis.
O vice-primeiro-ministro Alexander Novak declarou na quarta (3) que o mercado está “plenamente abastecido”, mas analistas alertam que, se os bombardeios continuarem no mesmo ritmo, a normalização pode não ocorrer.
Com informações de CNN Brasil