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FMI reduz projeção de crescimento do Brasil para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções de crescimento da economia brasileira para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, no relatório Perspectiva Econômica Global divulgado nesta terça-feira (13). As estimativas anteriores, publicadas em julho, eram de 2,4% para este ano e de 2,2% para o próximo. Segundo o Fundo, a desaceleração esperada reflete as condições monetárias ainda restritivas, a redução do estímulo fiscal e as incertezas do cenário internacional.

A economia brasileira deve crescer menos do que o previsto neste ano e no próximo. É o que aponta a nova edição do relatório Perspectiva Econômica Global, o principal documento de projeções do FMI, divulgado nesta terça-feira (13). De acordo com o Fundo, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve avançar 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, mantendo a perspectiva de desaceleração da atividade no ano que vem.

Os novos números representam um corte em relação à edição anterior do relatório. Em julho, o FMI havia revisado as estimativas para o Brasil para cima, projetando crescimento de 2,4% em 2026 e de 2,2% em 2027. Três meses depois, o movimento se inverteu: a projeção de 2026 caiu 0,2 ponto percentual, e a de 2027 recuou 0,3 ponto percentual. Segundo a Reuters, o Fundo atribui a perda de ritmo ao efeito das condições monetárias restritivas, à redução do estímulo fiscal e às incertezas globais.

Juros altos e menos estímulo fiscal pesam sobre a atividade

De acordo com o relatório, as condições monetárias seguem restritivas porque a política de juros permanece voltada a conduzir a inflação de volta à meta. Na prática, com o crédito mais caro, famílias e empresas tendem a adiar compras parceladas, financiamentos e investimentos, o que limita o ritmo de expansão da economia. É esse freio, somado à retirada gradual dos estímulos da política fiscal, que explica boa parte da desaceleração projetada para 2027.

Os dados mais recentes da atividade já vinham mostrando perda de fôlego. O Brasil cresceu 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, mas, segundo o IBGE, o PIB avançou apenas 0,5% no segundo trimestre de 2026 frente ao trimestre anterior, abaixo da alta de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano. Ao mesmo tempo, o Banco Central vem conduzindo um ciclo de redução da taxa básica de juros, que recuou de 15% para 13,75%, com a sinalização de que o afrouxamento será gradual, justamente para não reacender as pressões inflacionárias.

Apesar do corte nas projeções de crescimento, o FMI espera uma trajetória de arrefecimento dos preços: a inflação projetada pelo Fundo sai de 5% no ano passado para 4,4% neste ano e 4,1% em 2027. Em contrapartida, o mercado de trabalho deve perder força aos poucos, com a taxa de desemprego avançando de 6% em 2025 para 6,2% em 2026 e 6,8% em 2027, nas estimativas do relatório.

Brasil fica abaixo da média da América Latina

A revisão para baixo não foi exclusividade do Brasil. O FMI também reduziu as previsões para a América Latina e o Caribe como um todo: o crescimento regional agora é estimado em 2,3% em 2026, ante 2,4% na projeção anterior, e em 2,5% em 2027, ante 2,7%. Com isso, o Brasil fica ligeiramente abaixo da média dos vizinhos nos dois anos projetados pelo Fundo.

Na avaliação do relatório, a maior parte da região está se beneficiando pouco do boom da inteligência artificial, movimento que tem ajudado outras economias a absorver o choque energético causado pela guerra no Oriente Médio. No caso latino-americano, o impacto macroeconômico do choque de energia se equilibra entre os ganhos dos países exportadores de commodities e as perdas dos importadores de energia, com pouca compensação vinda do setor de tecnologia na maioria dos países.

O quadro regional contrasta com o cenário mundial. O FMI elevou ligeiramente a previsão de crescimento global para este ano, de 3,0% para 3,1%, e manteve a estimativa de 3,4% para 2027. Entre as grandes economias, os Estados Unidos tiveram a projeção mantida em 2,3%, enquanto a da Índia foi revisada para cima, de 6,4% para 7%. Já a China teve as estimativas cortadas: 4,5% em 2026 e 4% em 2027, ante 4,6% e 4,1% na leitura anterior.

Projeção do FMI supera a do governo e a do mercado

Mesmo com o corte, o número do FMI para 2026 permanece um pouco acima das estimativas domésticas. O Ministério da Fazenda trabalha com crescimento de 2% para o Brasil neste ano, no Boletim Macrofiscal. Já os economistas de mercado ouvidos pelo Banco Central no Boletim Focus projetam expansão de 1,85% em 2026 e de 1,4% em 2027 — ou seja, o Fundo está mais otimista do que os agentes financeiros locais, apesar da revisão para baixo.

Outra instituição internacional, o Banco Mundial, adotou direção diferente na semana passada: elevou a projeção para o Brasil em 2026, de 1,9% para 2,1%, embora tenha reduzido a estimativa de 2027, de 2% para 1,7%. A divergência entre os organismos mostra o grau de incerteza que cerca o desempenho da economia brasileira nos próximos dois anos, entre o alívio esperado com a queda dos juros e os riscos vindos do cenário externo.

O que o relatório significa para o bolso do brasileiro

Para o dia a dia, as projeções do FMI desenham um período de crescimento mais modesto, e não de recessão. Um PIB avançando na casa de 2% ao ano tende a significar geração de empregos mais lenta — o que combina com a alta gradual do desemprego projetada pelo próprio Fundo — e menor espaço para ganhos reais de renda. Ao mesmo tempo, a inflação em queda, se confirmada, ajuda a preservar o poder de compra das famílias.

O ponto de atenção destacado pelo relatório vai além do Brasil: a combinação de custos de financiamento mais altos com níveis elevados de endividamento dos países expõe uma vulnerabilidade, e o Fundo defende medidas firmes para recompor margens de segurança e fortalecer a capacidade de resistir a choques futuros. Para a economia brasileira, o recado do documento é que o ritmo de crescimento dos próximos dois anos dependerá, em boa medida, da velocidade da queda dos juros, da condução das contas públicas e da evolução do cenário internacional.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.