Gaza – O Hamas informou nesta segunda-feira (6) que encerrará as atividades de seu governo na Faixa de Gaza e está disposto a entregar a administração do território ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão tecnocrata previsto no plano de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
Ismail al-Thwabta, chefe do Gabinete de Mídia do Governo do Hamas, declarou que “todas as providências administrativas e legais” foram tomadas para a transição. O dirigente falou no Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, na Cidade de Gaza, e pediu que mediadores e a comunidade internacional pressionem Israel a permitir a entrada do NCAG no enclave.
Disarmamento segue impasse
O comunicado não aborda o desarmamento do grupo, exigência central da segunda fase do acordo de cessar-fogo. Até agora, o Hamas rejeita abrir mão de seu arsenal.
Na prática, a mudança é principalmente simbólica: o movimento mantém controle das áreas de Gaza que não estão sob ocupação militar israelense.
Reação internacional
O Conselho de Paz, criado para monitorar o acordo, afirmou ter “tomado nota” do anúncio, mas condicionou avanços a “ações, não promessas”. Em mensagem publicada na rede social X, o órgão reiterou que deve haver “uma autoridade, uma lei e uma arma”.
Segundo Muhammad Shehada, especialista do Conselho Europeu de Relações Exteriores, a iniciativa busca contornar o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e falar diretamente ao presidente dos EUA, Donald Trump, que pressiona Tel Aviv a cumprir etapas do cessar-fogo, como a criação de “áreas-piloto” administradas pelo NCAG.
Comitê ainda fora de Gaza
Idealizado em outubro, o NCAG permanece no Cairo e não exerce autoridade no território palestino. O Hamas afirma que cerca de 60 mil funcionários de seu governo seriam mantidos como servidores públicos sob a futura gestão.
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Na semana passada, o Conselho de Paz relatou reuniões “altamente produtivas” no Chipre e disse preparar o terreno para que o comitê assuma o controle “assim que as condições adequadas forem atendidas”, sem especificar prazos.
Cessar-fogo estagnado
O acordo de 20 pontos prevê, na primeira fase, a interrupção total dos confrontos. Mesmo assim, Israel realiza ataques quase diários; o Ministério da Saúde palestino estima mais de mil mortos em Gaza desde outubro. Em vez de recuar, as forças israelenses ampliaram sua presença para cerca de 70% do território, comprimindo a população de dois milhões de habitantes.
Também não saiu do papel a força internacional responsável por garantir segurança nas áreas que ficariam sob o NCAG. Enquanto isso, o Hamas reforça sua autoridade nas zonas não ocupadas e, recentemente, executou um palestino acusado de colaborar com Israel.
Analistas como Michael Milshtein, da Universidade de Tel Aviv, veem o anúncio como tentativa de alterar a “fórmula” do acordo e aumentar a pressão de Catar, Turquia e Egito — principais mediadores — sobre Washington, com objetivo de destravar as próximas etapas.
Com informações de CNN Brasil