Teerã — A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou neste domingo (28) o disparo de mísseis e o envio de drones contra o Kuwait e o Bahrein, países que abrigam bases norte-americanas no Golfo Pérsico. Os ataques ocorreram horas depois de novas ofensivas dos Estados Unidos contra alvos iranianos e foram acompanhados de uma advertência de Teerã sobre a possível paralisação das negociações para um cessar-fogo duradouro na região.
Escalada começou no Estreito de Ormuz
O novo ciclo de violência ganhou força no sábado (27), quando uma força-tarefa marítima multinacional liderada pela Marinha dos EUA anunciou a ampliação de uma rota de navegação próxima a Omã para entrada e saída de navios sem a supervisão iraniana. A decisão elevou a pressão em torno do Estreito de Ormuz, passagem estratégica cujo bloqueio vem provocando alta global nos preços de combustíveis e energia e gerando protestos em diversos países.
Ataques no Kuwait e no Bahrein
O Exército kuwaitiano informou que “mísseis e drones hostis” atingiram seu território na madrugada de domingo (28). No Bahrein, sirenes de ataque aéreo soaram quase ao mesmo tempo, após relatos de explosões próximas a instalações militares norte-americanas. Nenhum dos dois governos confirmou vítimas até o momento.
Resposta de Washington
Os ataques iranianos ocorreram depois que os EUA, ainda no sábado, bombardearam depósitos de mísseis, hangares de drones e estações de radar costeiras do Irã, alegando violação do Acordo de Cessar-Fogo. Em postagem na rede Truth Social, o ex-presidente Donald Trump — que lidera a comunicação oficial sobre a operação — alertou que os EUA “talvez não consigam mais agir com moderação” e sugeriu a possibilidade de uma ofensiva definitiva “que poria fim à República Islâmica”.
Incidentes anteriores e risco às negociações
A troca de hostilidades sucede outro confronto recente: na quinta-feira (25), um drone iraniano atingiu o navio mercante Kiku, de bandeira panamenha, perto da costa de Omã. O petroleiro transportava petróleo bruto para a empresa estatal de energia do Catar, país que atua como mediador entre Teerã e Washington. Em retaliação, os EUA lançaram ataques aéreos contra posições iranianas na região.
Imagem: Redação
Autoridades iranianas afirmam que a continuidade dos bombardeios compromete as conversas em curso para estabelecer uma trégua em vários fronts do Oriente Médio, incluindo o Líbano, onde confrontos entre facções alinhadas ao Irã e forças israelenses persistem.
A tensão crescente no Golfo e o risco de paralisação das negociações colocam em xeque o equilíbrio energético mundial, já abalado pela possibilidade de interrupção prolongada no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo exportado globalmente.
Com informações de Estadão