
Resumo da Notícia
- Andrea Kimi Antonelli terminou em 3º no GP do México, neste domingo (1º), e conquistou o título mundial de Fórmula 1 aos 20 anos e 68 dias, o campeão mais jovem da história da categoria.
- Max Verstappen venceu a corrida no Autódromo Hermanos Rodríguez, à frente de Lewis Hamilton, 2º, num pódio que reuniu 12 títulos mundiais de três gerações diferentes.
- O italiano chegou a 380 pontos, com quatro etapas de antecedência, e encerrou um jejum de 73 anos sem um campeão da Itália na Fórmula 1 — o último havia sido Alberto Ascari, em 1953.
A Fórmula 1 tem um novo campeão mundial, e ele tem apenas 20 anos. Andrea Kimi Antonelli terminou em 3º lugar no Grande Prêmio do México, neste domingo (1º), no Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México, e garantiu o título da temporada 2026 com quatro etapas de antecedência. Segundo a Gazeta Esportiva, o italiano da Mercedes chegou a 380 pontos e se tornou o campeão mais jovem da história da categoria, aos 20 anos e 68 dias, quebrando um recorde que pertencia a Sebastian Vettel desde 2010.
Antonelli nem precisava de tanto. Bastava terminar entre os nove primeiros — ou somar dois pontos — para confirmar a taça, já que somente George Russell, seu companheiro de Mercedes, e Lewis Hamilton, da Ferrari, ainda tinham chances matemáticas antes da largada. Ele fez mais: andou entre os primeiros durante toda a prova, superou Charles Leclerc na parte final e subiu ao pódio ao lado de dois gigantes. A vitória na corrida ficou com Max Verstappen, da Red Bull, que largou em quinto e venceu pela terceira vez na temporada; Hamilton, que havia conquistado a pole position, terminou em segundo.
O pódio do México virou, por si só, uma imagem histórica: Verstappen, com 29 anos e quatro títulos mundiais; Hamilton, com 41 anos e sete títulos; e Antonelli, com 20 anos e o primeiro. Somados, 12 campeonatos mundiais em um mesmo pódio, três gerações do automobilismo lado a lado — e o mais jovem deles no centro da festa, como destacou o No Ataque.
Uma corrida de pressão controlada
A prova mexicana foi longe de ser um passeio. Leclerc assumiu a ponta logo no início, após um duelo apertado com Hamilton, e a corrida ainda teve safety car e bandeira vermelha depois de um forte acidente de Valtteri Bottas, cujo carro da Cadillac sofreu um colapso na suspensão dianteira. Antonelli, que era quarto no momento da neutralização, aproveitou a relargada para passar Leclerc e se instalar em terceiro — posição que manteve até a bandeirada, mesmo com um virtual safety car no fim, provocado por um toque entre Oscar Piastri, da McLaren, e Arvid Lindblad, da Racing Bulls.
Atrás do trio do pódio, completaram a zona de pontos Leclerc, Lando Norris, Russell, Piastri, Franco Colapinto, Liam Lawson e Pierre Gasly. Carlos Sainz terminou em 15º, e Fernando Alonso abandonou após apenas seis voltas, mais uma vez por problema técnico em sua Aston Martin, conforme relatou o jornal espanhol El País.
O mais impressionante no desempenho de Antonelli foi a frieza. Ele não precisou vencer para ser campeão, mas também não se escondeu: disputou posição, defendeu-se quando preciso e administrou a vantagem sem correr riscos desnecessários. Foi o retrato da temporada que ele construiu — veloz, consistente e, sobretudo, madura para alguém de 20 anos.
O recorde de Vettel e o fim do jejum italiano
O recorde quebrado no México era um dos mais duradouros da Fórmula 1. Sebastian Vettel havia se tornado o campeão mais jovem da história em 2010, aos 23 anos, quatro meses e 11 dias, pela Red Bull. Antonelli pulverizou a marca: chegou ao título com 20 anos, dois meses e sete dias, quase três anos mais jovem que o alemão, como ressaltou a CNN em espanhol.
O feito também devolve a Itália ao topo do mundo depois de 73 anos. O último italiano campeão havia sido Alberto Ascari, bicampeão em 1952 e 1953 — e Antonelli é apenas o terceiro piloto do país a conquistar o título, depois de Giuseppe Farina, campeão da temporada inaugural, em 1950, e do próprio Ascari. A espera italiana, que atravessou gerações inteiras de torcedores, terminou nas mãos de um garoto nascido em Bolonha em 25 de agosto de 2006.
A ascensão foi meteórica. Antonelli chegou à Fórmula 1 no ano passado cercado de enorme expectativa, ao herdar na Mercedes a vaga deixada por Hamilton, e estreou em 2025 sem vitórias, terminando o campeonato em sétimo lugar. Em 2026, porém, dominou: venceu nove corridas, emplacou cinco triunfos seguidos entre o segundo e o sexto grande prêmio da temporada e abriu mais de 100 pontos de vantagem na liderança, de acordo com o 365Scores. O título no México apenas oficializou o que a pista já vinha mostrando há meses.
O que vem agora: Interlagos e a festa brasileira
Com o campeonato decidido, as quatro etapas restantes ganham outro clima — e a próxima é especial para o público brasileiro. O GP de São Paulo, em Interlagos, acontece já no próximo domingo (8), e deve receber Antonelli como campeão mundial, em sua primeira corrida com a taça garantida. A expectativa é de festa nas arquibancadas, num fim de semana que tradicionalmente lota o circuito paulistano.
Para Verstappen, a vitória no México teve gosto de consolação e de recorde pessoal: o holandês se consolidou como o maior vencedor da história no Autódromo Hermanos Rodríguez, com seis triunfos no circuito. Para Hamilton, o segundo lugar manteve a Ferrari na briga pelas posições de honra do campeonato — ele agora é o terceiro, com 141 pontos a menos que Antonelli, enquanto Verstappen, o vice-líder, está 119 pontos atrás do italiano.
O fim de semana mexicano também foi de decisões em outras frentes do esporte, como o título inédito do Cruzeiro na Libertadores Feminina e a vitória do Coritiba sobre o Vitória que praticamente afastou o Coxa do rebaixamento. Mas nenhuma delas carregou o peso histórico do que aconteceu no Hermanos Rodríguez: um garoto de 20 anos, em apenas sua segunda temporada na Fórmula 1, assumindo o lugar que já foi de Farina, de Ascari, de Vettel — e agora é dele. O próximo capítulo dessa história será escrito em Interlagos, já com a coroa na cabeça.
