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MDIC corta projeção do superávit comercial para US$ 84,4 bilhões

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Resumo da Notícia

  • MDIC revisou para baixo a projeção do superávit da balança comercial de 2026: de US$ 90 bilhões (julho) para US$ 84,4 bilhões; mesmo assim, seria o segundo melhor resultado da história
  • Setembro fechou com superávit de US$ 7,74 bilhões, alta de 146%, puxado por petróleo (+77,3%), cobre (+74,2%) e soja; corrente de comércio bateu recorde para o mês
  • Vendas aos EUA avançaram 31,9% em setembro mesmo com as novas tarifas; Europa cresceu 51,9% com impulso do acordo Mercosul

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) cortou nesta terça-feira (6) a projeção do superávit da balança comercial brasileira em 2026: de US$ 90 bilhões, estimados em julho, para US$ 84,4 bilhões. A revisão acompanha a divulgação do resultado de setembro, que fechou com superávit de US$ 7,74 bilhões — uma alta de 146% em relação ao mesmo mês de 2025.

O MDIC revisa as estimativas trimestralmente. Em 2026, a projeção começou em US$ 72,1 bilhões (abril), foi elevada a US$ 90 bilhões (julho) e agora foi ajustada para US$ 84,4 bilhões (outubro). Curiosamente, em 15 de setembro o ministro Márcio Elias Rosa havia dito no Palácio do Planalto que o superávit “deve superar US$ 90 bilhões” — três semanas antes do corte, segundo a Reuters.

Setembro em números

O nono mês do ano trouxe resultado acima da expectativa do mercado, que projetava US$ 7,19 bilhões na pesquisa Reuters: foram US$ 7,74 bilhões de superávit, contra US$ 3,14 bilhões em setembro de 2025. As exportações somaram US$ 34,42 bilhões (+12,9%), e as importações, US$ 26,68 bilhões (-2,4%). A corrente de comércio — soma de exportações e importações — chegou a US$ 61,09 bilhões (+8%), recorde para meses de setembro, segundo o acessa.com.

Por setor, as exportações de setembro se dividiram assim: indústria extrativa, US$ 9,44 bilhões (+39,8%); indústria de transformação, US$ 17,67 bilhões (+5,3%); agropecuária, US$ 7 bilhões (+4,8%).

Os destaques entre os produtos foram o petróleo bruto (+77,3%), o minério de cobre (+74,2%), os farelos de soja (+47,7%), os combustíveis (+39,1%), a soja (+11,9%) e o café não torrado (+8,7%). No caso do petróleo, o desempenho combina o crescimento da produção nacional com uma alta de 24,7% nos preços médios, após o agravamento da guerra no Oriente Médio, segundo o acessa.com.

Destinos: Europa dispara, EUA resistem às tarifas

Na distribuição por destino, a Europa liderou as compras em setembro: US$ 8,3 bilhões, alta de 51,9% — impulsionada, segundo o acessa.com, pelo avanço do acordo Mercosul, sobretudo em alimentos. A América do Norte comprou US$ 5,2 bilhões (+30,6%); a América do Sul, US$ 4,2 bilhões (estável); e a Ásia, US$ 17,4 bilhões (-2,5%).

Um dado que chama a atenção: as vendas aos Estados Unidos avançaram 31,9% em setembro, mesmo com as novas tarifas americanas. No acumulado do ano, porém, as exportações para os EUA ainda caem 6,5%.

Do lado das importações, os bens de capital somaram US$ 4,1 bilhões (-29,8%) — reflexo dos juros altos e da desaceleração econômica, que estão reduzindo os investimentos da indústria em máquinas. Bens intermediários: US$ 14,9 bilhões (-2,4%). Bens de consumo: US$ 4,3 bilhões (+11,5%). Combustíveis importados: US$ 3,4 bilhões (+41,2%), com alta de 58,2% nos preços.

Acumulado do ano e projeções

De janeiro a setembro, o superávit comercial acumulado é de US$ 62,4 bilhões (+34,8% ante 2025). As exportações do período somaram US$ 264,65 bilhões (+10,4%), e as importações, US$ 222,26 bilhões (+5%).

O MDIC também revisou as projeções de fluxo: as exportações de 2026 devem fechar em US$ 382,5 bilhões (antes, US$ 394,4 bi), e as importações, em US$ 298,1 bilhões (antes, US$ 304,4 bi).

Mesmo com o corte, o resultado projetado seria o segundo melhor da série histórica desde 1989 — atrás apenas de 2023, quando o superávit foi de US$ 98,8 bilhões. O mercado, porém, segue mais cauteloso: o boletim Focus do Banco Central projeta superávit de US$ 78,3 bilhões, abaixo da estimativa do MDIC.

O histórico das revisões em 2026

A trajetória das projeções do MDIC ao longo de 2026 mostra um ano de idas e vindas. Em abril, a estimativa era de US$ 72,1 bilhões. Em julho, com a aceleração dos fluxos comerciais, foi elevada para US$ 90 bilhões — na ocasião, o secretário de Comércio Exterior, Herlon Brandão, falou em “aceleração dos fluxos” para justificar o otimismo. Em outubro, veio o ajuste para US$ 84,4 bilhões.

O corte de agora reflete uma combinação de fatores que pesou nos últimos meses: a desaceleração da economia doméstica, com juros altos reduzindo investimentos industriais — visível na queda de 29,8% nas importações de bens de capital —, e o recuo nas projeções de exportações e importações para o ano.

Mesmo assim, o resultado projetado segue 24% acima do superávit de 2025 (US$ 68,1 bilhões) e seria o segundo melhor da série histórica iniciada em 1989, atrás apenas de 2023 (US$ 98,8 bilhões). O mercado financeiro, porém, trabalha com um cenário mais conservador: o boletim Focus do Banco Central projeta superávit de US$ 78,3 bilhões para 2026.

Por que isso importa

O superávit comercial é um dos pilares das contas externas do Brasil. Um saldo positivo robusto ajuda a financiar o déficit em conta corrente, sustenta as reservas internacionais e dá suporte ao real — num ano em que o câmbio tem sido tema central do debate econômico. A composição do resultado também conta uma história: o protagonismo da indústria extrativa (petróleo e minérios) e da agropecuária (soja, café, farelos) reforça o perfil exportador do país ancorado em commodities, enquanto a indústria de transformação cresce a um ritmo mais modesto (+5,3% em setembro).

A Europa desponta como destino em ascensão, com o avanço do acordo Mercosul abrindo espaço sobretudo para alimentos. E os Estados Unidos, mesmo sob novas tarifas, voltaram a comprar mais em setembro — um sinal de resiliência das exportações brasileiras ao maior mercado do mundo.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.