Teerã — Milhares de iranianos, vestidos de preto, tomaram as ruas da capital nesta segunda-feira (6) para acompanhar o quarto dia do funeral do líder supremo Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, aos 86 anos, durante ataque aéreo conjunto dos Estados Unidos e de Israel.
O cortejo seguiu da Praça Azadi ao longo da avenida de mesmo nome, escoltando o caixão coberto pela bandeira nacional sobre um caminhão ornamentado que imitava as grades de um santuário xiita. Também estavam a bordo os caixões de familiares do aiatolá, mortos no mesmo bombardeio.
Gritos por vingança
Ao longo do trajeto, cartazes e palavras de ordem pediam a morte do presidente norte-americano Donald Trump e do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “Não viemos nos despedir, mas sim cobrar vingança”, declarou a participante Fátima Hassan.
As autoridades não divulgaram estimativa oficial de público, mas as imagens aéreas exibidas pela TV estatal mostraram uma massa humana que se estendia por quilômetros — maior, segundo a emissora, que a registrada no funeral do general Qassem Soleimani em 2020, quando mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas.
Esquema de segurança
Para evitar incidentes, agentes usaram alto-falantes pedindo que o público andasse devagar e ocupasse as laterais da via. O general da Guarda Revolucionária Hasan Hasanzadeh, responsável pela logística, informou que os caixões percorreriam a capital por 12 horas até o Aeroporto Internacional de Mehrabad.
Várias ruas, além do espaço aéreo sobre Teerã, foram interditadas. O país vive luto oficial desde sábado (4), data de início do cortejo, que se estenderá até quinta-feira (9), quando Khamenei será enterrado no santuário do Imã Reza, em Mashhad, sua cidade natal.
Imagem: Internet
Tensão com os EUA
A cerimônia ocorre enquanto Teerã e Washington discutem um possível acordo para encerrar o conflito que levou à morte do líder. Agências federais americanas seguem monitorando ameaças iranianas contra Trump e ex-autoridades dos EUA — ameaça negada formalmente por Teerã, mas presente em materiais de propaganda de alas linha-dura.
A enlutada Sahar Zaraatgar resumiu o sentimento de parte dos presentes: “Continuaremos o caminho dele e, em breve, vingaremos sua morte”.
Com informações de G1