O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, informou que todos os militares da ativa e da reserva a partir de 30 anos passarão, imediatamente, a realizar exames anuais para identificar deficiência de testosterona. A medida foi divulgada em um vídeo publicado na rede social X (antigo Twitter) na quarta-feira, 15 de julho, com a legenda “High-T Department”.
De acordo com Hegseth, o objetivo é garantir que o efetivo “tenha níveis adequados de testosterona para atuar com o melhor desempenho possível” e permanecer “forte, resiliente e preparado” durante a carreira e após a baixa.
Como funcionará o programa
• Os testes são obrigatórios para homens e mulheres da ativa e da reserva a partir de 30 anos.
• Militares com níveis considerados baixos poderão escolher a terapia de reposição hormonal.
• Para o pessoal com menos de 30 anos, o exame será facultativo.
• O uso de testosterona sem prescrição médica continua proibido pelas Forças Armadas.
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, declarou que a iniciativa ajudará a estabelecer parâmetros de referência hormonais e a oferecer tratamento “de forma direcionada, mantendo uma força de combate saudável, capaz e decisivamente dominante”. Questionado sobre a inclusão de mulheres e sobre eventual terapia com estrogênio para militares em perimenopausa, Parnell limitou-se às notas oficiais.
Repercussão no Congresso
A senadora democrata Tammy Duckworth (Illinois), veterana da Guerra do Iraque, solicitou que os exames sejam disponibilizados igualmente para homens e mulheres. Já a deputada democrata Chrissy Houlahan (Pensilvânia), ex-integrante da Força Aérea, classificou a decisão como “mais uma obsessão de Hegseth com as guerras culturais”.
Visão médica
O urologista Mohit Khera, que presidiu em 2023 um painel da FDA sobre o tema, disse à BBC que todos os homens acima de 30 anos deveriam ser testados, pois a testosterona “é um indicador-chave da saúde atual e futura”. Entre os benefícios apontados da terapia estão aumento de massa muscular, redução de gordura corporal, menor risco de depressão e preservação da densidade óssea. Khera alertou, porém, para possíveis efeitos colaterais, como infertilidade em homens jovens e risco cardiovascular ainda teórico.
Contexto mais amplo
O anúncio ocorre após o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e outros integrantes do governo defenderem a flexibilização das regras para prescrição de testosterona. No mês passado, a FDA propôs retirar advertências de segurança dos rótulos de produtos de reposição hormonal e facilitar a emissão de receitas.

Imagem: Internet
Níveis de referência
A Sociedade Britânica de Medicina sugere que homens com menos de 12 nmol/L sejam considerados para a reposição. No Reino Unido, diretrizes do NHS variam entre 6 e 8 nmol/L como patamar de deficiência. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou recentemente a ofertar terapia à base de testosterona para pacientes com hipogonadismo.
Entre as mulheres, a testosterona declina entre os 20 e 40 anos e se estabiliza na menopausa. Embora o hormônio também seja essencial para elas, a mensuração é mais complexa devido às quantidades naturalmente menores.
Não há prazo divulgado para revisão dos resultados iniciais do programa nem detalhamento sobre possíveis expansões para outras terapias hormonais.
Com informações de BBC News Brasil