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PF mira suspeitos de planejar ação contra embaixada dos EUA

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Resumo da Notícia

  • A PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão em SP e no entorno do DF contra suspeitos de planejar atos contra instalações diplomáticas dos EUA, segundo a Reuters.
  • A ação é preventiva e integra investigação sigilosa com agências de inteligência estrangeiras; até agora, nada corrobora os riscos apontados.
  • Os EUA suspenderam o atendimento consular e a Austrália fechou a embaixada em Brasília; o 1º turno é no domingo (4).

A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (2) dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar o suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil, segundo a Reuters.

A ação teve caráter preventivo e faz parte de uma investigação sigilosa conduzida em cooperação com agências de inteligência estrangeiras. Durante as diligências, os agentes apreenderam celulares e computadores dos dois investigados.

A investigação teve início após a própria Embaixada dos EUA acionar a PF, antes de anunciar publicamente a suspensão dos serviços consulares.

Os alvos da operação

Os mandados foram cumpridos em São Paulo (SP) e em Águas Lindas (GO), município do Entorno do Distrito Federal, e autorizados por um juiz de primeiro grau do DF. A autorização por um magistrado de primeira instância indica que a apuração não envolve, até o momento, autoridades com foro privilegiado.

Os dois suspeitos não teriam ligação entre si — hipótese que ainda está sob investigação. Eles foram identificados após postagens em redes sociais, segundo apuração da TV Globo, que levaram as autoridades a avaliar a existência de um suposto planejamento de atos contra as instalações diplomáticas americanas.

Os celulares e computadores apreendidos passarão por perícia. A análise dos equipamentos é considerada decisiva para que a PF confirme ou descarte, em definitivo, os riscos apontados inicialmente.

Sem elementos que confirmem o risco

Em nota, a PF afirmou que, até o momento, não foram verificados “elementos que corroborassem os riscos inicialmente apontados, tampouco identificados quaisquer suspeitos de envolvimento com organizações criminosas”. As investigações prosseguem com a análise dos equipamentos apreendidos.

A corporação classificou a ação como preventiva: mesmo sem elementos que confirmem a ameaça, os mandados foram cumpridos para garantir que nenhum risco fosse negligenciado às vésperas do primeiro turno das eleições.

O alerta americano

A Missão dos EUA divulgou um alerta de segurança na noite de quinta-feira (1º), citando “preocupações com a segurança” sem detalhar os motivos. A partir de sexta-feira (2), foram suspensos os atendimentos presenciais na embaixada em Brasília e nos consulados de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre.

Aos cidadãos americanos, a orientação foi não comparecer às instalações diplomáticas até segunda ordem e procurar o oficial de plantão em caso de emergência. Os funcionários da embaixada foram orientados a trabalhar de casa, segundo a Reuters, com base em fonte com conhecimento do assunto.

Em nota ao UOL, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a gestão Trump dá “máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americanos” e que trabalha em cooperação com as autoridades brasileiras para tratar das questões de segurança.

O fechamento das embaixadas

Mais cedo, os Estados Unidos suspenderam o atendimento presencial na embaixada em Brasília e nos consulados de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife, citando “preocupações de segurança”. A Austrália também fechou sua embaixada em Brasília nesta sexta-feira. As medidas foram adotadas a dois dias do primeiro turno, marcado para domingo (4).

Na noite de quinta-feira, a Praça dos Três Poderes foi parcialmente isolada após um homem deixar uma mochila perto de um ponto de ônibus próximo ao STF. O esquadrão antibombas descartou explosivos por volta das 21h50 — a mochila continha apenas roupas, segundo a PMDF. O homem foi detido e, de acordo com a corporação, parecia estar em surto. Não há confirmação oficial de relação entre o episódio e as medidas americanas.

Em comunicado de 30 de setembro, a PF informou que reforçou a atuação em todo o país para o período eleitoral — sem apontar cenário excepcional de ameaça. Segundo a imprensa, Donald Trump afirmou na quinta-feira que acompanha “muito de perto” as eleições no Brasil.

Especialistas já alertavam, antes mesmo dos fechamentos, para o risco de interferência cibernética na eleição brasileira — um dos vetores de preocupação das autoridades na reta final da campanha.

Os próximos passos da investigação

Com os mandados cumpridos e os equipamentos apreendidos, a investigação entra agora na fase de perícia. A análise dos celulares e computadores dos dois suspeitos deve indicar se havia, de fato, um planejamento concreto de atos contra as instalações diplomáticas — ou se as postagens em redes sociais que motivaram a apuração não passavam de bravatas sem desdobramento prático.

A PF mantém a investigação sob sigilo e não divulgou os nomes dos investigados. A corporação também não informou se novas diligências estão previstas. O que se sabe até aqui é que a ação foi deflagrada a partir do acionamento feito pela própria Embaixada dos EUA, em um fluxo de cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras citado na nota oficial.

O episódio ocorre a dois dias do primeiro turno e adiciona tensão a uma reta final já marcada por outros sobressaltos: o cancelamento do debate presidencial da Globo, o fechamento das embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália e o reforço da atuação da PF em todo o país para o período eleitoral.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.