O governo dos Estados Unidos confirmou, nesta quinta-feira (16), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Poucas horas depois, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, usou as redes sociais para acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de se recusar a negociar de forma “de boa-fé” e de colocar “o próprio ego à frente de um acordo” que, na visão dele, beneficiaria os dois países.
Rubio escreveu que as políticas econômicas da gestão brasileira são “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”. “As tarifas são o preço por isso”, afirmou.
USTR nega motivação política
Em Washington, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) — responsável pela investigação que embasou o novo tarifaço — rejeitou a interpretação de que a sobretaxa tenha caráter político. Durante entrevista coletiva, uma autoridade do órgão declarou: “Eu rejeito isso totalmente. Não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país”. Segundo o representante, o diálogo com o Executivo brasileiro manteve-se aberto e em tom cordial durante todo o processo.
Principais críticas dos EUA
Após anunciar a medida, o USTR divulgou uma lista de argumentos que, segundo o órgão, demonstram práticas brasileiras que limitam o acesso de empresas norte-americanas ao mercado local:
- Desmatamento ilegal na Amazônia, que reduziria o preço internacional da madeira;
- Decisões judiciais contra plataformas digitais dos EUA, como X, Meta e Google;
- Tarifas preferenciais a países como México e Índia, ausentes para produtos norte-americanos;
- Falhas na proteção à propriedade intelectual, mantendo o Brasil na “Watch List” do relatório Special 301 desde 2007;
- Dificuldades para a entrada de etanol dos EUA e suposto tratamento desigual em relação ao combustível brasileiro;
- Funcionamento do Pix, no qual o Banco Central atua como regulador e operador, com gratuidade para pessoas físicas e limites de cobrança a empresas.
Acesso ao etanol e Pix no centro da disputa
O representante americano destacou que as exportações de etanol dos Estados Unidos para o Brasil caíram de US$ 761 milhões em 2018 para US$ 96 milhões em 2025. Washington reclama de falta de reciprocidade em relação às condições oferecidas pelo Brasil a outros parceiros.
No caso do Pix, a autoridade norte-americana negou qualquer intenção de pôr fim ao sistema brasileiro de pagamentos. “Queremos que o Pix concorra em pé de igualdade comercial”, declarou.

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Possível escalada
O USTR afirmou que continua aberto a negociações, mas advertiu que eventual retaliação de Brasília poderia levar a novos ajustes tarifários. “Se houver retaliação, seremos solicitados a possivelmente modificar nossa ação para contrapor essa retaliação”, informou o representante, acrescentando que não espera uma resposta comercial imediata do governo brasileiro.
A sobretaxa anunciada abrange uma série de itens, enquanto alguns produtos permanecem isentos. O Palácio do Planalto classificou a decisão como “marco lastimável” nas relações bilaterais.
Com informações de G1