O governo dos Estados Unidos confirmou, nesta quinta-feira (16/07/2026), a aplicação de uma tarifa de 25% a diversos produtos brasileiros. Logo após o anúncio, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou nas redes sociais que a medida tem caráter político e culpou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por “não negociar de boa-fé”.
De acordo com Rubio, as políticas econômicas adotadas pelo Palácio do Planalto são “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”. O secretário acrescentou que Lula “colocou o próprio ego à frente de um acordo” e que “as tarifas são o preço por isso”.
Versão oficial do USTR
Apesar das declarações de Rubio, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) negou motivação política. Em entrevista coletiva, uma autoridade do órgão afirmou que “não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país” e disse que o diálogo com Brasília foi “cordial” durante toda a investigação que resultou no tarifaço.
O USTR divulgou uma lista de argumentos para embasar a sobretaxa. Entre as principais queixas estão:
- desmatamento ilegal na Amazônia, que, segundo Washington, reduz preços internacionais de madeira e afeta a indústria norte-americana;
- decisões judiciais brasileiras que exigem remoção de conteúdos em plataformas digitais como X, Meta e Google;
- tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a países como México e Índia;
- falhas na proteção da propriedade intelectual, mantendo o Brasil na “Watch List” do relatório Special 301 desde 2007;
- dificuldades de acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro;
- regras do sistema de pagamentos Pix, que, segundo o USTR, favorecem o Banco Central em relação a competidores privados dos EUA.
Ameaça de novas medidas
O representante do USTR afirmou que Washington continua disposto a negociar, mas advertiu que possíveis retaliações brasileiras poderiam levar a novas ações. “Se houver retaliação, poderemos ser solicitados a modificar nossa iniciativa para contrapor”, declarou, acrescentando que não espera resposta comercial imediata de Brasília.
Pontos sensíveis: etanol e Pix
Entre as mudanças esperadas pelos EUA está o acesso equivalente ao mercado brasileiro de etanol, similar ao tratamento dado a Índia e México. Dados do governo norte-americano indicam queda nas exportações do combustível para o Brasil, de US$ 761 milhões em 2018 para US$ 96 milhões em 2025.

Imagem: Internet
Quanto ao Pix, autoridades em Washington negam a intenção de encerrar o sistema brasileiro, mas defendem “concorrência em pé de igualdade”. O USTR argumenta que a gratuidade para pessoas físicas e o teto de tarifas para empresas criam condições desvantajosas para companhias financeiras dos Estados Unidos.
O Palácio do Planalto ainda não comentou oficialmente as declarações de Rubio, mas integrantes do governo já haviam apontado componente político na decisão norte-americana.
Com informações de G1