O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 6 milhões em bens do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A decisão, assinada em 6 de julho, foi tornada pública neste domingo (12). A Polícia Federal investiga suspeita de que o ex-parlamentar tenha desviado recursos de emendas.
Em nota, a defesa afirma que Cunha não foi intimado pela PF antes da medida e nega qualquer irregularidade. O texto diz ainda que o montante bloqueado corresponde ao valor global das emendas analisadas, sem apontar recebimento de vantagem financeira pelo ex-deputado.
Alvo da PF
De acordo com a investigação, foram identificadas ao menos 21 emendas, somando R$ 6,15 milhões, que teriam sido apresentadas de forma a ocultar o “verdadeiro solicitante”. A Polícia Federal aponta que Cunha teria utilizado a servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, para direcionar os recursos “conforme seus interesses”.
A defesa de Mariângela sustenta que sua atuação era “estritamente técnica, apartidária e impessoal”, conforme legislação que regula a execução orçamentária.
O processo integra o mesmo inquérito que resultou no bloqueio de R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, igualmente por suspeita de indicação irregular de emendas.
Plano eleitoral em Minas Gerais
Mesmo investigado, Eduardo Cunha anunciou que disputará uma cadeira de deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026. Segundo ele, o estado é “síntese do Brasil” pela diversidade e pela posição geográfica. Natural do Rio de Janeiro, Cunha exerceu quatro mandatos pela bancada fluminense entre 2003 e 2016.
O ex-deputado teve o mandato cassado em 2016 por quebra de decoro, após negar à CPI da Petrobras a titularidade de contas no exterior. Preso no âmbito da Operação Lava Jato, foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas a sentença foi anulada pelo STF em 2023. A Justiça também suspendeu a inelegibilidade decorrente da cassação, apontando vícios no processo.
Em 2022, ele concorreu por São Paulo e recebeu 5.044 votos, insuficientes para retornar à Câmara. Na mesma eleição, a filha Dani Cunha foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro com 75,8 mil votos.
Imagem: Internet
Encontro com Flávio Bolsonaro
Em 2 de junho de 2026, Cunha recebeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Belo Horizonte. O encontro incluiu entrevista do parlamentar à rádio 89 Maravilha, ligada a Cunha, sobre temas como carga tributária e programas sociais.
O que dizem os envolvidos
Eduardo Cunha
“Nunca apresentei ou subscrevi as emendas questionadas. Todas foram formalizadas por parlamentares que detêm competência para isso”, afirma a defesa, que pretende acessar o processo para exercer o contraditório.
Mariângela Fialek
A assessora argumenta que apenas organizava tecnicamente o orçamento, seguindo decisões da Presidência da Câmara e dos líderes partidários, e que não há imputação de ilícito funcional ou criminal contra ela.
Não há prazo definido para conclusão do inquérito.
Com informações de G1