Cerca de 3,9 milhões de crianças e adolescentes vivem nas áreas atingidas pelos terremotos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira (24), segundo estimativa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A organização adverte que milhares de famílias permanecem vulneráveis aos danos já registrados e à possibilidade de novos tremores.
Os abalos foram sentidos em Caracas e nos estados de Aragua, Carabobo, Falcón, La Guaira e Miranda. Relatórios preliminares indicam dezenas de edifícios desabados, incluindo imóveis onde havia crianças, e o número de mortos subiu para 1.719.
Prioridade às crianças
“As imagens que chegam da Venezuela e os relatos de nossa equipe em campo são devastadores. A segurança e o bem-estar das crianças precisam estar no centro da resposta”, afirmou a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell.
Para atender às necessidades mais urgentes, o fundo trabalha em conjunto com as autoridades venezuelanas e organizações parceiras. O foco imediato é garantir acesso a cuidados médicos, apoio psicossocial, água potável, proteção e espaços seguros.
Financiamento insuficiente
Antes dos terremotos, o apelo humanitário do Unicef para a Venezuela em 2026 era de US$ 137,6 milhões. Até a data dos tremores, apenas 35% do montante havia sido financiado.

Imagem: Internet
Relato em primeira pessoa
Letizia, especialista em parcerias do Unicef que vivenciou os dois sismos, contou que precisou correr até casa para verificar se as filhas estavam bem. “Quando voltei, o impacto era imenso. Felizmente, encontrei minhas meninas sãs e salvas, mas muitas famílias não tiveram a mesma sorte. Há crianças que perderam os pais”, relatou. Segundo ela, a organização concentra esforços em serviços básicos que “podem salvar vidas, como saúde, água e saneamento”.
Enquanto as equipes humanitárias avançam no atendimento emergencial, voluntários seguem vasculhando escombros em locais como Caraballeda, no estado de La Guaira, onde a destruição ainda é visível desde 28 de junho de 2026.
Com informações de G1