Cidade do Vaticano, 2 de julho de 2026 – A Santa Sé anunciou nesta quinta-feira (2) que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) está oficialmente em cisma com a Igreja Católica, medida que implica a exclusão do grupo ultraconservador e a excomunhão dos bispos ligados à organização.
O decreto divulgado pelo Vaticano declara inválidos todos os sacramentos celebrados pela fraternidade e orienta os fiéis a não participarem de suas atividades. Sacerdotes e leigos que aderirem à FSSPX também serão considerados em cisma e, consequentemente, excomungados.
Ordenações sem permissão do Papa
A decisão foi tomada um dia depois de a fraternidade ordenar quatro novos bispos — dois franceses, um norte-americano e um suíço — sem autorização do papa Leão XIV. A cerimônia, realizada em 1º de julho em Écône, no oeste da Suíça, reuniu milhares de fiéis e foi classificada pela Santa Sé como “ato cismático”.
Antes da consagração, Leão XIV enviou carta ao superior da FSSPX, padre Davide Pagliarani, pedindo que desistisse da iniciativa e alertando para as consequências canônicas. O apelo foi ignorado.
Rejeição ao Concílio Vaticano II
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X contesta as reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965). Entre suas principais bandeiras estão o retorno da missa em latim, a celebração com o sacerdote voltado para o altar — de costas para os fiéis — e a recusa a mudanças litúrgicas e pastorais adotadas nas últimas seis décadas.
Conflito histórico
O embate entre o Vaticano e a FSSPX não é novo. Em 1988, Lefebvre também ordenou quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, resultando na excomunhão de todos os envolvidos. A punição foi suspensa em 2009 por Bento XVI, numa tentativa de reconciliação que, contudo, não regularizou a situação canônica da comunidade.
Imagem: Internet
Com a nova ordenação sem consentimento papal, o grupo volta a desafiar diretamente Roma, reacendendo uma disputa que atravessa seis pontificados e se torna uma das primeiras grandes crises do governo de Leão XIV.
Não há prazo divulgado para eventuais negociações futuras ou revisão das sanções impostas nesta quinta-feira.
Com informações de G1