O Vaticano anunciou nesta quinta-feira (2) a excomunhão de seis bispos ligados à Sociedade de São Pio X, após a ordenação de quatro prelados realizada na véspera sem a autorização do papa Leão XIV.
Em decreto emitido pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, o órgão informou que os quatro bispos recém-consagrados e os dois responsáveis pela cerimônia incorreram em excomunhão latae sententiae, ficando excluídos de todos os sacramentos da Igreja.
O documento estende a penalidade a sacerdotes pertencentes à sociedade e a leigos que aderirem formalmente ao grupo, classificando-os como cismáticos. O texto adverte que qualquer clérigo ou fiel que passe a seguir a Fraternidade incorre automaticamente na mesma punição.
Ordenações sem aval papal
As consagrações ocorreram na quarta-feira (1º) apesar dos pedidos do pontífice para que fossem canceladas. A Igreja Católica estabelece que apenas o papa pode autorizar a criação de novos bispos, requisito destinado a preservar a sucessão apostólica.
Sacramentos considerados ilícitos
O decreto afirma que, a partir de agora, a Fraternidade de São Pio X — sediada na Suíça e conhecida por rejeitar pontos centrais do Concílio Vaticano II — celebra os sacramentos de forma ilícita. Segundo o Vaticano, os ritos de confissão e casamento realizados pelo grupo não têm validade canônica.
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Fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a sociedade, também chamada de lefebvriana, alega contar com 733 padres e afirma ter realizado as novas ordenações para garantir número suficiente de prelados dentro da organização.
O cisma declarado nesta quinta-feira reforça o impasse entre o Vaticano e o movimento ultratradicionalista, que se opõe, entre outros pontos, ao uso de línguas vernáculas na missa — prática autorizada na década de 1960 pelo Concílio Vaticano II.
Com informações de CNN Brasil