
As vendas do varejo brasileiro cresceram 6,3% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS) divulgado nesta terça-feira (13). Na comparação com o segundo trimestre, a alta foi de 1,6%. De acordo com a pesquisa, a renda continua sustentando o consumo dos itens do dia a dia, enquanto as condições de crédito limitam os setores que mais dependem de financiamento.
O comércio brasileiro fechou o terceiro trimestre de 2026 em crescimento. Levantamento da Stone, empresa de meios de pagamento e banco digital, divulgado nesta terça-feira (13), mostra que as vendas do varejo subiram 6,3% entre julho e setembro na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao segundo trimestre deste ano, o avanço foi de 1,6%, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS).
O resultado trimestral foi construído apesar de uma desaceleração no último mês do período. Em setembro, as vendas caíram 0,3% em relação a agosto, mas ficaram 5,4% acima do registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o comércio brasileiro registra crescimento de 4,7% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, de acordo com a pesquisa detalhada pela Reuters.
Renda sustenta o consumo, mas crédito limita os duráveis
A leitura da Stone é que o crescimento do varejo tem sido puxado pelo consumo ligado às necessidades do dia a dia. “A principal leitura é que a renda continua sustentando o consumo, especialmente nos segmentos mais ligados às necessidades do dia a dia, enquanto as condições de crédito seguem limitando os setores mais dependentes de financiamento”, afirmou o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, em comunicado da empresa.
Os números por segmento confirmam essa divisão. Em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, cinco dos oito segmentos do varejo acompanhados pela pesquisa venderam mais. A maior alta foi a de Combustíveis e Lubrificantes, com 13,4%, seguida pelo grupo de Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, que avançou 11,9%. Os Artigos Farmacêuticos completam a lista dos três segmentos que mais cresceram no mês.
Na outra ponta, os setores mais sensíveis ao custo do financiamento ficaram para trás. Tecidos, Vestuário e Calçados recuou 4,4% em setembro na comparação anual. Material de Construção, com queda de 0,4%, e Móveis e Eletrodomésticos, com recuo de 0,5%, também fecharam o mês no terreno negativo, em um comportamento que a pesquisa associa ao crédito ainda caro para o consumidor.
Crescimento alcançou quase todo o país
O avanço do varejo em setembro foi disseminado pelo território nacional. Das 27 unidades da federação, 25 estados registraram crescimento das vendas na comparação anual. As maiores altas foram as de Roraima, com 19,6%, do Acre, com 13,9%, e do Amazonas, com 12,1%. O Distrito Federal aparece logo depois, com expansão de 11,2% no mês.
Nos dois maiores mercados consumidores do país, o desempenho também foi positivo, embora mais moderado do que no Norte. Em São Paulo, o comércio cresceu 5,2% em setembro frente ao mesmo mês de 2025, e no Rio de Janeiro a alta foi de 3,7%. Na Paraíba, o varejo avançou 9,7%, acima da média do Nordeste, que ficou em 6,1%, enquanto a região Norte, com 10,2%, registrou o maior avanço regional do país.
Como o índice é calculado
O Índice do Varejo Stone é calculado a partir das transações realizadas com cartões, voucher e Pix dentro do sistema da companhia. A Stone afirma ter cerca de 5 milhões de clientes no Brasil, e é esse fluxo de pagamentos que serve de base para medir o comportamento das vendas do comércio mês a mês, por segmento e por estado.
Por ser construído sobre a base de transações da própria empresa, o IVS funciona como um termômetro rápido do consumo, divulgado antes dos dados oficiais. Ele não substitui a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, que é o indicador oficial do varejo brasileiro, mas costuma ser acompanhado pelo mercado como um sinal antecipado da direção das vendas — e, neste trimestre, o sinal foi de crescimento consistente na comparação anual.
Recuperação desigual entra no trimestre decisivo do ano
O retrato desenhado pela pesquisa é o de uma recuperação desigual: o varejo cresce, mas o avanço está concentrado nos segmentos de consumo essencial, sustentados pela renda das famílias, enquanto os bens de maior valor, que dependem de parcelamento e financiamento, seguem travados pelo custo do crédito. É essa diferença que explica por que combustíveis, supermercados e farmácias avançam dois dígitos, ao passo que vestuário, material de construção e eletrodomésticos recuam.
Agora, o comércio entra no quarto trimestre, o período mais importante do calendário do setor, que concentra datas como a Black Friday e o Natal. O desempenho das vendas nesses meses deve mostrar se o ritmo de crescimento de 6,3% observado no terceiro trimestre se mantém com a ajuda das compras de fim de ano — e se os segmentos hoje pressionados pelo crédito conseguem reagir com as promoções e o pagamento do décimo terceiro salário às famílias.
