
Resumo da Notícia
- A segunda edição de 2026 do Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas e Orientação Financeira vai de 1º a 30 de novembro, com mais de 160 instituições financeiras e entidades parceiras.
- Podem ser renegociadas dívidas bancárias em atraso, sem garantia e não prescritas, como cartão de crédito, cheque especial e crédito consignado; financiamentos de veículos e imóveis ficam de fora.
- A negociação é feita nos canais oficiais da instituição credora ou pelo portal Consumidor.gov.br, com conta gov.br de nível prata ou ouro.
Quem está com a fatura do cartão atrasada, o cheque especial estourado ou parcelas do consignado vencidas tem, a partir deste domingo (1º), uma janela de 30 dias para tentar sair do vermelho em condições especiais. Começa neste 1º de novembro a segunda edição de 2026 do Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas e Orientação Financeira, campanha promovida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em parceria com o Banco Central do Brasil, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Colegiado Nacional de Procons Estaduais e a Associação Brasileira de Procons (ProconsBrasil). A ação vai até 30 de novembro e reúne mais de 160 instituições financeiras e entidades parceiras em todo o país.
Segundo a Febraban, o objetivo do mutirão é abrir um canal direto e simplificado entre o consumidor inadimplente e a instituição credora, com condições que não estão disponíveis na renegociação comum do dia a dia. Durante a campanha, os participantes podem oferecer redução de taxas de juros, alongamento de prazos, alteração nas condições de pagamento e até a migração da dívida para uma modalidade de crédito mais barata. As condições variam de instituição para instituição e dependem do perfil de cada contrato, mas a orientação dos organizadores é que o consumidor compare a proposta do mutirão com o custo atual da dívida antes de fechar qualquer acordo.
Quais dívidas entram no mutirão — e quais ficam de fora
De acordo com o Banco Central, podem ser negociadas no mutirão as dívidas bancárias em atraso que não tenham bens dados como garantia e que não estejam prescritas. Na prática, entram as modalidades que mais pesam no orçamento das famílias: cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado e outras linhas de crédito contratadas com bancos e instituições financeiras, como empréstimos pessoais sem garantia.
Ficam de fora os contratos com garantia real, como financiamentos de veículos, motocicletas e imóveis, em que o bem responde pela dívida. Também não podem ser renegociadas no mutirão as dívidas já prescritas. Quem tem débitos com empresas que não são instituições financeiras — como varejo, telefonia ou serviços — não é atendido por esta campanha, que é voltada ao sistema bancário. Para dívidas de outra natureza, o caminho costuma ser a negociação direta com o credor ou iniciativas específicas, como a renegociação de dívidas para MEIs aberta pela PGFN, voltada a débitos tributários de microempreendedores.
A campanha de novembro não é a única frente de combate ao endividamento em curso no país. O governo federal mantém programas de repactuação como o Desenrola Brasil 3.0, que permite renegociar dívidas de pessoas físicas, e o próprio Banco Central estuda medidas preventivas, como a proposta de exigir autorização prévia antes de emprestar a clientes já endividados. O mutirão da Febraban se diferencia por concentrar, num único mês, a renegociação direta com os bancos, sem intermediação.
Passo a passo: como renegociar no mutirão
A negociação pode ser feita de duas maneiras: diretamente nos canais oficiais da instituição credora — aplicativo, internet banking, telefone ou agência — ou pelo portal Consumidor.gov.br, a plataforma pública de negociação mantida pelo governo federal. Segundo a Senacon, para usar o Consumidor.gov.br é necessário ter conta gov.br de nível prata ou ouro. A relação completa das instituições participantes e os canais de atendimento de cada uma estão na página oficial da campanha, o Meu Bolso em Dia, mantido pela Febraban.
Para aproveitar melhor a janela de negociação, especialistas em finanças pessoais recomendam um roteiro simples:
- Liste todas as dívidas em atraso. Anote credor, valor original, valor atualizado e há quanto tempo cada débito está vencido. O Registrato, sistema gratuito do Banco Central, mostra empréstimos e financiamentos vinculados ao CPF e ajuda a não esquecer nenhum contrato.
- Defina quanto você pode pagar por mês. Antes de aceitar uma proposta, faça as contas do orçamento doméstico e estabeleça um teto realista para a parcela. Um acordo que não cabe no bolso vira nova inadimplência em poucos meses.
- Procure a instituição pelos canais oficiais. Use o aplicativo, o site ou o telefone que constam no cartão e no contrato — e desconfie de intermediários que cobram taxa para “negociar por você”. No mutirão, a negociação é gratuita.
- Compare as propostas. Peça o valor total do acordo, a taxa de juros aplicada, o número de parcelas e o custo final. Migrar uma dívida de cartão ou cheque especial para um crédito com juros menores pode reduzir bastante o total pago.
- Feche o acordo por escrito e guarde o comprovante. Exija o contrato da renegociação, os boletos ou o débito programado e confirme, depois do primeiro pagamento, a baixa da restrição nos cadastros de inadimplentes, que deve ocorrer nos prazos previstos em lei.
Um calendário permanente: 38,3 milhões de contratos desde 2019
Criado em 2019, o mutirão já faz parte do calendário permanente do setor bancário, com duas edições por ano: uma em março, no Mês do Consumidor, e outra em novembro. Desde a primeira edição, segundo a Febraban, mais de 38,3 milhões de contratos em atraso já foram repactuados nas campanhas. Na edição de março de 2026, conforme apurou o InfoMoney, os bancos fecharam 2,7 milhões de acordos, um recorde histórico do programa e um volume 56% maior que o registrado em março de 2025, quando foram firmados 1,4 milhão de contratos.
Além da renegociação em si, a campanha carrega o sobrenome “Orientação Financeira” por um motivo: os organizadores oferecem conteúdo de educação financeira para que o consumidor reorganize o orçamento e não volte a se endividar. A página Meu Bolso em Dia reúne orientações sobre como negociar, como montar uma reserva e como usar o crédito de forma consciente. A edição de novembro vai até o dia 30 — e quem pretende aproveitar as condições especiais tem o mês inteiro para organizar as contas, comparar propostas e fechar o acordo que caiba no orçamento.
