A conta de luz dos brasileiros seguirá sem cobrança extra em novembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou na sexta-feira (30) a manutenção da bandeira tarifária verde para o mês, o que significa que os consumidores atendidos pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) não pagarão nenhum acréscimo referente às condições de geração de energia. Será o segundo mês consecutivo de alívio: a bandeira verde voltou a vigorar em outubro, depois de cinco meses seguidos de bandeira amarela, entre maio e setembro.

A decisão vale para residências, comércios e indústrias ligados ao SIN em todo o país. Na prática, a fatura de novembro virá sem a linha de cobrança adicional que pesou no orçamento das famílias ao longo de quase meio ano — um respiro bem-vindo em um período em que o bolso já sente a pressão de outras frentes, como a alta dos alimentos, que empurrou o IPCA de setembro.

O que muda na prática na fatura de novembro

Com a bandeira verde, desaparece o acréscimo que era aplicado sobre cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Nos meses de bandeira amarela, esse custo extra era de R$ 1,885 a cada 100 kWh. Em uma residência com consumo de 200 kWh no mês, por exemplo, a cobrança adicional passava de R$ 3,70 — valor que, somado mês a mês, fazia diferença no fim do ano. Em novembro, essa parcela simplesmente não será cobrada.

É importante, porém, não confundir bandeira verde com conta mais barata garantida. A bandeira é apenas um dos componentes da fatura. O valor final continua dependendo da quantidade de energia consumida, da tarifa praticada pela distribuidora da sua região, dos tributos e dos demais encargos. Quem consumir mais em novembro — com o calor aumentando e o ar-condicionado trabalhando por mais horas, por exemplo — pode receber uma conta maior do que a de outubro, mesmo sem a taxa extra.

Por que a bandeira voltou a ficar verde

Segundo a Aneel, a manutenção da bandeira verde foi possível por causa das condições favoráveis de geração de energia no país. O aumento das chuvas nas regiões onde ficam as principais usinas hidrelétricas ajudou a recuperar o nível dos reservatórios, reduzindo a necessidade de acionar usinas termelétricas, que produzem energia mais cara.

É esse equilíbrio que o sistema de bandeiras tenta traduzir para o consumidor: quando gerar energia fica mais barato, a conta não recebe acréscimo; quando os reservatórios baixam e o sistema precisa de fontes mais caras, a cobrança extra aparece na fatura como um sinal de alerta — e como um incentivo para economizar.

Como funciona o sistema de bandeiras tarifárias

Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias indica, mês a mês, as condições de geração de energia elétrica no país. São três cores, com a vermelha dividida em dois patamares:

Bandeira verde: condições favoráveis de geração, sem nenhuma cobrança adicional.
Bandeira amarela: condições menos favoráveis, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Bandeira vermelha, patamar 1: geração mais custosa, com acréscimo de R$ 4,46 a cada 100 kWh.
Bandeira vermelha, patamar 2: condições ainda mais custosas, com acréscimo de R$ 7,87 a cada 100 kWh.

A definição é mensal e vale para o mês seguinte. Por isso, a bandeira verde de novembro não é garantia de repetição em dezembro: uma nova avaliação das condições de geração será feita no fim do mês, e o cenário pode mudar conforme o comportamento das chuvas e dos reservatórios.

Como conferir a bandeira na sua conta

Para saber qual bandeira foi aplicada na sua fatura, basta procurar na própria conta de luz o campo referente à bandeira tarifária, geralmente destacado próximo ao detalhamento do consumo. É ali que a distribuidora informa a cor vigente no período de faturamento e, quando há cobrança, o valor do acréscimo por kWh.

Vale conferir também o consumo em kWh dos últimos meses, que costuma aparecer em um histórico na própria fatura ou no aplicativo da distribuidora. Comparar novembro com os meses anteriores ajuda a entender se a conta subiu ou desceu por causa do consumo — e não por causa da bandeira. Em meses sem taxa extra, qualquer variação vem do uso: chuveiro elétrico por mais tempo, ar-condicionado ligado por mais horas e eletrodomésticos antigos são os vilões mais comuns.

Dicas para aproveitar o mês sem taxa extra

Mesmo com o alívio da bandeira verde, novembro é um bom momento para revisar hábitos e segurar o consumo, já que as temperaturas sobem na maior parte do país. Algumas medidas simples ajudam: reduzir o tempo do chuveiro elétrico e usá-lo na posição verão; manter o ar-condicionado entre 23 °C e 24 °C, com portas e janelas fechadas; não deixar aparelhos em modo de espera por longos períodos; aproveitar a luz natural durante o dia; e verificar se a borracha da geladeira está vedando bem, para o motor não trabalhar em excesso.

Outra dica é acompanhar o consumo ao longo do mês em vez de esperar a fatura chegar. Muitas distribuidoras permitem consultar a leitura e estimativas pelo aplicativo, o que dá tempo de corrigir excessos antes do fechamento da conta.

E dezembro?

A bandeira que valerá nas contas de dezembro será definida pela Aneel no fim de novembro, a partir das condições de geração daquele momento. Se as chuvas continuarem ajudando e os reservatórios se mantiverem em recuperação, há chance de um terceiro mês de alívio. Se o cenário piorar, o sistema pode voltar a sinalizar custo extra. Até lá, novembro está garantido: pelo segundo mês seguido, a conta de luz chega sem taxa extra.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.