Resumo da Notícia

  • Na apuração parcial das eleições de meio de mandato desta terça-feira (3), os democratas somam 35 cadeiras no Senado contra 31 dos republicanos, segundo as projeções da Associated Press até o momento — 34 das 35 disputas desta noite ainda não têm definição.
  • Jon Ossoff foi reeleito na Geórgia e Mark Warner na Virgínia, dois resultados já projetados pela AP; na Câmara, com cerca de 7% das seções apuradas, o controle segue indefinido e sem projeção.
  • Com as urnas ainda abertas no oeste do país e fechamentos até 1h da manhã (horário da Costa Leste), quem controla o Congresso nos dois últimos anos do governo Trump pode só ficar claro de madrugada.
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A apuração parcial das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), mostra os democratas à frente no placar do Senado, mas o controle do Congresso segue indefinido até o momento. Segundo as projeções da Associated Press (AP), os democratas somam 35 cadeiras contra 31 dos republicanos, com 34 das disputas desta noite ainda sem definição. Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado — 33 em eleições regulares e duas em eleições especiais — e 36 governos estaduais. É uma apuração parcial, em andamento, e nenhum partido pode ser declarado vencedor do controle de nenhuma das duas casas até agora.

O tamanho da noite ajuda a explicar a cautela. Antes da abertura das urnas, os republicanos controlavam o Senado por 53 a 47 — 45 democratas mais dois independentes aliados — e a Câmara por uma margem apertadíssima, 218 a 214, com duas vagas abertas. O resultado desta terça define quem comandará o Congresso nos dois últimos anos do governo do presidente Donald Trump: um Congresso dividido ou nas mãos da oposição muda a capacidade do governo de aprovar leis, orçamentos e nomeações até o fim do mandato.

Senado: a matemática de uma disputa cadeira a cadeira

No Senado, a maioria exige 51 cadeiras. Os republicanos, porém, conseguem manter o controle mesmo com 50, porque o vice-presidente JD Vance tem o voto de desempate nas votações empatadas. A conta explica por que a noite é tão disputada: das 35 cadeiras em jogo, 22 eram ocupadas por republicanos e apenas 13 por democratas. Para chegar aos 51 e virar maioria, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras — ou seja, não basta segurar todas as suas, é preciso tomar ao menos quatro dos adversários, pelas projeções parciais disponíveis até o momento.

Entre os resultados já projetados pela AP estão duas reeleições importantes para os democratas. Na Geórgia, o senador Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o republicano Mike Collins e manteve nas mãos do partido uma das cadeiras consideradas chave nesta eleição — uma derrota ali praticamente fecharia o caminho democrata para a maioria. Na Virgínia, Mark Warner também garantiu um novo mandato, em outro resultado projetado pela agência nesta noite. Além dessas, a AP já considera definidas, sem virada de partido, as disputas de Delaware, Illinois, Massachusetts, New Hampshire, New Jersey, Rhode Island e Carolina do Norte, e a eleição especial da Flórida, onde estava em jogo a cadeira de Ashley Moody, indicada para a vaga deixada por Marco Rubio.

Painel de televisão com as disputas indefinidas do Senado nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos
Painel da apuração ao vivo na noite desta terça-feira (3) mostra as disputas do Senado ainda sem definição, como Ohio (Brown × Husted), Texas (Talarico × Paxton), Kansas (Hamilton × Marshall) e Mississippi (Colom × Hyde-Smith). (Foto: Rafael Oliveira)

Ohio e os estados que ainda decidem a noite

Um dos retratos mais aguardados da noite segue em aberto. Em Ohio, a eleição especial para a cadeira que era de JD Vance — hoje vice-presidente — coloca frente a frente o republicano Jon Husted e o ex-senador democrata Sherrod Brown. Com cerca de 35% dos votos apurados até o momento, a disputa continua indefinida, e o resultado é tratado por analistas como um termômetro do ambiente político nacional: uma vitória democrata em um estado de tendência republicana reforçaria a leitura de uma noite favorável à oposição, mas, por ora, tudo segue no campo da apuração parcial.

Há ainda um detalhe que pode prolongar a indefinição em estados decisivos. Na Geórgia e no Mississippi, a lei exige maioria absoluta: se nenhum candidato superar 50% dos votos, os dois mais votados disputam um segundo turno, já marcado para 1º de dezembro de 2026. Ou seja, mesmo quando a contagem desta noite terminar, alguma cadeira pode continuar sem dono por quase um mês — e, com ela, eventualmente, a definição de quem controla o Senado.

Câmara: apuração no começo e nenhum controle projetado

Na Câmara dos Representantes, a apuração parcial está apenas no começo: cerca de 7% das seções eleitorais do país foram apuradas até o momento. No voto popular nacional parcial, os democratas aparecem à frente, com aproximadamente 13,7 milhões de votos contra 10,9 milhões dos republicanos, segundo os dados acompanhados pela AP e repercutidos pelo G1. O número, porém, não define maioria: a Câmara é decidida distrito a distrito, e o controle da casa segue indefinido, sem nenhuma projeção consolidada até agora. Antes mesmo da votação, as projeções finais do Sabato’s Crystal Ball, da Universidade da Virgínia, divulgadas na segunda-feira (2), apontavam os democratas como favoritos a ficar com 239 cadeiras da Câmara, 53 do Senado e 28 governos estaduais — um cenário de referência de antes da abertura das urnas, que a contagem real desta noite ainda está longe de confirmar ou derrubar por completo.

Uma eleição com 51 milhões de votos antecipados

Outra marca desta midterm é a votação antecipada. Cerca de 51 milhões de eleitores já haviam depositado o voto até a segunda-feira (2), de acordo com dados compilados de 47 estados. O volume, que reúne votos pelo correio e presenciais antecipados, ajuda a explicar por que a contagem é escalonada: em vários estados, esses votos são processados em ritmos diferentes, e distritos populosos podem levar horas — em disputas muito apertadas, dias — para fechar o resultado. Somam-se a isso os horários de fechamento das urnas, que variam de estado para estado e se estendem até 1h da manhã, no horário da Costa Leste, na Costa Oeste e no Alasca.

É por esse conjunto de fatores que a definição do controle das duas casas pode só ficar clara de madrugada — e, em disputas decididas por margens mínimas, a palavra final demora ainda mais, porque a certificação oficial dos resultados, estado a estado, leva semanas. Até lá, qualquer placar é, por definição, uma apuração parcial sujeita a mudanças ao longo da noite.

Por que o resultado importa além dos Estados Unidos

O que se decide nesta noite não fica restrito a Washington. É esse Congresso que vota orçamentos de ajuda externa e acordos estratégicos que afetam aliados e parceiros dos Estados Unidos, como a declaração conjunta do Quad sobre exportações e a segurança do Estreito de Ormuz, firmada em Atlanta no fim de outubro. Da mesma forma, compromissos financeiros internacionais assumidos na arena climática — caso do fundo de florestas tropicais criado pelo Brasil, que recebeu o anúncio de US$ 500 milhões da Holanda — passam, do lado americano, por um Congresso que pode sair desta eleição mais ou menos disposto a autorizar gastos no exterior.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.