Por Rafael Oliveira | RSO Notícias | 19 de março de 2026
O influenciador digital brasileiro Júnior Pena — cujo nome completo é Eustáquio da Silva Pena Júnior — foi detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em 31 de janeiro de 2026, em Newark, New Jersey, e encaminhado ao Centro de Detenção Delaney Hall. Após dois meses preso, decidiu pela deportação voluntária em audiência realizada em 1º de abril. O caso teve ampla repercussão por uma ironia: Pena era conhecido por defender publicamente a política de imigração do presidente Donald Trump e por afirmar que apenas “bandidos” eram alvo do ICE.
Como aconteceu a prisão?
De acordo com o policial Maycon MacDowel, amigo pessoal de Pena, a detenção ocorreu por um problema administrativo: uma audiência de imigração havia sido adiada pela ex-advogada do influenciador, mas o reagendamento não foi inserido corretamente no sistema oficial do ICE e da Justiça de Imigração. O nome de Pena continuou constando como ausente, o que levou os agentes a buscá-lo.
O Departamento de Segurança Interna confirmou a prisão. Pena vivia nos EUA desde 2009, originário de Belo Horizonte (MG), e estava no meio de seu processo de regularização migratória.
O paradoxo: o influenciador pró-ICE preso pelo ICE
O caso ganhou atenção internacional pelo contraste entre o discurso de Pena e seu destino. Com mais de 1,3 milhão de seguidores no TikTok e cerca de 500 mil no Instagram, ele produzia conteúdo sobre a “realidade dos EUA” e defendia abertamente a gestão Trump. Em um vídeo de 2025, disse a brasileiros para “ficarem calmos” com as deportações, afirmando: “Não fiquem desesperados achando que estão deportando todo mundo. É tudo bandido. Tudo bandido.”
Após sua prisão, o vídeo voltou a circular amplamente nas redes sociais, gerando reações divididas.
Deportação voluntária e retorno ao Brasil.
Em 1º de abril de 2026, após audiência judicial, Pena optou pela deportação voluntária — modalidade que permite ao imigrante retornar ao país de origem sem registro formal de deportação forçada no histórico migratório, o que pode facilitar eventual processo futuro de obtenção de visto.
O caso ocorreu em um contexto de endurecimento da fiscalização migratória nos EUA. Segundo a Polícia Federal brasileira, 2.268 brasileiros foram deportados dos EUA em 2025 — o maior número registrado desde que os dados passaram a ser coletados em 2020.
Fontes: CNN Brasil, Poder360, Brazilian Times, AcheiUSA, The Guardian.