A ausência de oportunidades formais de trabalho e a baixa renda da população estão entre os principais motores do avanço do desmatamento no Amazonas, segundo o relatório “Rematamento Produtivo, Conservação e Desenvolvimento Econômico na Amazônia Brasileira”, divulgado pelo projeto Amazônia 2030 em junho.
Renda abaixo da média nacional
O documento destaca que o rendimento médio mensal na Amazônia Legal é de R$ 654 por pessoa, enquanto no restante do país o valor chega a R$ 1.074. Essa diferença, aliada à elevada informalidade, faz com que parte dos moradores enxergue a proteção ambiental como obstáculo, já que faltam alternativas econômicas viáveis.
Em depoimento citado no estudo, o empresário Denis Minev afirma que ações de fiscalização ambiental “são vistas localmente como ameaça ao futuro” quando não vêm acompanhadas de oportunidades de emprego e renda.
Influência eleitoral
A conjuntura econômica também se reflete nas urnas. De acordo com o relatório, eleitores tendem a apoiar propostas que prometem geração imediata de postos de trabalho e obras de infraestrutura, mesmo quando estas apresentam riscos ambientais.
Perda de cobertura florestal
O Amazonas abriga a maior parte da chamada Amazônia Florestal, que já perdeu cerca de 8 milhões de hectares de vegetação nativa. Metade dessa área foi desmatada a partir de 2004, indicando a continuidade da pressão sobre regiões preservadas. Pesquisadores alertam que a expansão de infraestrutura sem planejamento pode levar a floresta a um ponto sem retorno, com efeitos diretos sobre o regime de chuvas em todo o país.
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Rematamento produtivo
Como alternativa, o estudo propõe o “rematamento produtivo”, estratégia que prioriza o cultivo comercial de espécies tropicais em áreas já desmatadas ou em pastagens degradadas. O objetivo é criar cadeias produtivas de larga escala, gerar empregos permanentes e melhor remunerados, atrair investimentos privados e integrar o Amazonas aos mercados da bioeconomia no Brasil e no exterior.
Com informações de G1