Alta dos aluguéis no Rio força mudança de moradores e atrai investidores estrangeiros

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O avanço dos preços de locação no Rio de Janeiro, impulsionado por câmbio favorável a quem recebe em dólar ou euro, tem levado moradores a deixar bairros tradicionais da Zona Sul ou até a sair da cidade, enquanto estrangeiros ampliam a busca por imóveis para uso próprio ou para locação de curta temporada.

Moradores trocam endereço para caber no orçamento

O ator e servidor público Rodrigo Gicovate, 37 anos, deixou Copacabana há dois anos depois de ver o custo de vida ficar insustentável. Em 2022, dividia um apartamento no bairro pagando cerca de R$ 1,8 mil de aluguel. Sem encontrar quitinetes no Centro por menos de R$ 2 mil, mudou-se para Niterói, onde vive sozinho em um imóvel menor, no bairro Ponta D’Areia, por aproximadamente R$ 2,2 mil. A troca reduziu o tempo de deslocamento até o trabalho e aumentou a sensação de segurança.

Já o gerente de contas Matheus Borges Assis, 31 anos, migrou de Copacabana para Vila Isabel, na Zona Norte, há cerca de dois anos e meio. Paga valor semelhante ao antigo aluguel, mas passou a morar em apartamento com varanda e garagem, apesar de ter menos opções de transporte e serviços.

Preços avançam bem acima da inflação

Levantamento do QuintoAndar mostra que o metro quadrado para locação na capital fluminense saltou de R$ 36,1 em maio de 2023 para R$ 51,6 em maio de 2026, avanço de 42,7%, ante inflação de 14,9% no mesmo intervalo. Entre apartamentos de um quarto, a alta alcançou 51,4%.

A valorização é mais intensa na Zona Sul, segundo o Grupo OLX. Entre 2021 e 2026, o valor médio do metro quadrado do aluguel subiu:

  • de R$ 35 para R$ 71 em Copacabana (+101,8%);
  • de R$ 55 para R$ 115 em Ipanema (+108,3%);
  • de R$ 58 para R$ 119 no Leblon (+105,7%).

Turistas e nômades digitais ampliam a demanda

Dados de Embratur, Ministério do Turismo e Polícia Federal indicam que o Brasil recebeu mais de 2,6 milhões de turistas estrangeiros no primeiro bimestre de 2026. O Rio concentrou 884,5 mil chegadas no primeiro trimestre, liderando a entrada de visitantes internacionais no país.

O trabalho remoto também pesa. O Itamaraty concedeu 479 vistos de nômade digital em 2024, 508 em 2025 e outros 117 apenas nos três primeiros meses de 2026, números que não captam quem entra como turista e permanece mais tempo.

Entre os recém-chegados está o canadense Kyle Pearce, 42 anos, que vive em Copacabana desde abril. Planeja ficar até 90 dias, limite para turistas sem visto específico. Ele calcula gastar cerca de 30% menos do que no Canadá e destaca a combinação de praias, cultura e fuso horário próximo ao dos seus clientes norte-americanos.

Imóveis compactos viram alvo de estrangeiros

Para o economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da ESPM, a escalada dos preços reúne turismo, câmbio favorável e busca de rentabilidade em aluguéis de curta temporada. Estudo da imobiliária Patrimóvel revela que 28% das compras de estúdios feitas entre novembro de 2025 e abril de 2026 em Copacabana, Ipanema e Leblon foram realizadas por estrangeiros, liderados por norte-americanos, argentinos, espanhóis, romenos e suíços.

A gestora Lobie, focada em locações por temporada, informa que a participação de clientes de fora do país em sua carteira subiu de 2% para 18% em três anos; hoje administra mais de 1,6 mil studios de investidores internacionais.

Efeitos sobre a oferta e alternativas em debate

O coordenador do MBA da FGV Pedro Seixas alerta para a pressão de preços em bairros vizinhos e defende ampliar a oferta de moradias, sobretudo unidades compactas. Ele lembra que cidades turísticas como Barcelona e Lisboa adotaram limites ao aluguel de curta temporada, mas vê diferenças na realidade carioca, que possui múltiplos polos urbanos e possibilidade de expansão.

O economista Gilberto Braga, do Ibmec-RJ, ressalta que plataformas de hospedagem transformaram o mercado local e potencializaram o turismo, mas avalia que novos empreendimentos residenciais e mudanças na legislação urbanística podem reequilibrar a oferta de contratos tradicionais ao longo do tempo.

Especialistas apontam mecanismos como registro obrigatório de imóveis destinados a curta temporada, compartilhamento de dados com o poder público e limites de locação em áreas de forte pressão como formas de conciliar atividade turística e moradia acessível para quem trabalha na cidade.

Com informações de G1

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.