A Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) promoverá, nos próximos meses, um torneio de captura de peixe-leão nos municípios de Rio do Fogo, Porto do Mangue e Areia Branca, no Rio Grande do Norte. A iniciativa busca reduzir a população da espécie invasora, apontada como uma das maiores ameaças à biodiversidade marinha brasileira.
Como vai funcionar
Cada etapa distribuirá R$ 3,5 mil em prêmios: R$ 2 mil para a embarcação que capturar o maior número de peixes, R$ 1 mil para a segunda colocada, R$ 500 para a terceira, além de brindes aos demais participantes.
Para integrar a competição, os pescadores deverão participar de um treinamento obrigatório, no qual receberão orientações de manejo seguro, informações sobre os impactos ambientais da espécie e um kit com arpão e coletor de PVC.
Cronograma de capacitação
- 25 de julho – Areia Branca (Colônia Z-33), com pescadores de Ponta do Mel e São Cristóvão;
- 26 de julho – Porto do Mangue (Colônia Z-17);
- 10 de agosto – Rio do Fogo (Colônia Z-3).
Após as formações, a pesca ocorrerá durante vários meses. Todo o material coletado será destinado a pesquisas de graduação, mestrado e doutorado nos laboratórios da Ufersa.
Projeto Guardiões do Mar
O torneio integra o projeto “Guardiões do Mar: Ciência Cidadã, Educação Ambiental e Manejo Participativo para o Controle do Peixe-Leão (Pterois volitans) na Costa do Rio Grande do Norte”, coordenado pela professora Emanuelle Fontenele Rabelo, do Departamento de Biociências da universidade. Segundo ela, a participação direta dos pescadores é essencial porque “somente eles conseguem remover o peixe-leão do ambiente marinho e atuar como cientistas cidadãos”.
Imagem: Internet
Parecer do Ibama
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou não haver impedimentos ambientais para competições de captura, desde que observadas as normas pesqueiras e obtidas as autorizações necessárias. O órgão destaca que a remoção contínua da espécie, que se reproduz rapidamente e não tem predadores naturais no país, é uma ferramenta importante de controle. A captura é liberada sem restrição de cota, tamanho ou período de defeso, mas os peixes devem ser abatidos antes do desembarque devido aos 18 espinhos venenosos.
Por que o peixe-leão preocupa
Nativo do Oceano Pacífico, o peixe-leão foi registrado pela primeira vez no litoral brasileiro em 2020 e chegou ao Rio Grande do Norte em 2022. Predador generalista, alimenta-se de peixes, camarões, lagostas e outras espécies de valor comercial. Seus espinhos podem causar acidentes com fortes dores, inflamações, taquicardia e convulsões, representando risco para pescadores, mergulhadores e banhistas.
Com informações de G1