Santos (SP) – Aos 67 anos, o ex-centroavante Juary Jorge dos Santos Filho, campeão da Liga dos Campeões pelo Porto em 1987, encontrou no volante de um carro de aplicativo uma forma de combater a depressão. Há cerca de dois meses, o antigo camisa 9 do Santos passou a circular como motorista na Baixada Santista após sugestão da esposa e dos filhos.
Rotina nas ruas
Juary trabalha de segunda a sábado. Todos os dias leva a esposa ao emprego e, em seguida, inicia as corridas até sentir que cumpriu o objetivo do dia. “Gosto muito de dirigir e, agora, quem não quer mais abandonar sou eu”, contou.
Dentro do veículo, histórias se acumulam. O ex-jogador afirma que o trajeto muitas vezes vira “um consultório em quatro rodas”. Em algumas ocasiões, passageiros o reconhecem pelo passado nos gramados, como uma passageira que se emocionou ao descobrir que estava diante do ídolo tricolor.
Primeiros sinais da doença
Os sintomas apareceram no início deste ano, quando decidiu se afastar do futebol para dedicar mais tempo à família. “Levantava da cama às 10h, ficava no sofá até de madrugada e não queria ver ninguém”, relatou.
Segundo o Ministério da Saúde, a depressão pode ser provocada por fatores genéticos, alterações bioquímicas e eventos traumáticos. Os principais sinais são humor persistentemente triste e perda de interesse ou prazer em atividades antes apreciadas. Distúrbios de sono e apetite, cansaço, baixa autoestima e pensamentos negativos também são comuns. O transtorno é tratável com acompanhamento médico e terapia.
Carreira marcada por títulos
Revelado nas categorias de base do Santos Futebol Clube, Juary disputou 229 jogos e marcou 101 gols pelo Peixe, ocupando o quinto lugar entre os artilheiros do clube na era pós-Pelé. Foi peça importante na equipe que conquistou o Campeonato Paulista de 1978, torneio no qual terminou como goleador com 29 gols.
Na Europa, defendeu Avellino, Inter de Milão, Ascoli e Cremonese, na Itália, além do Porto, onde fez o gol da vitória sobre o Bayern de Munique na final da Liga dos Campeões 1986/87. No mesmo ano, levantou o Mundial de Clubes contra o Peñarol. Antes de pendurar as chuteiras, também jogou pelo Universidad Guadalajara, do México.
Imagem: Internet
Último trabalho no futebol
O ex-atleta encerrou a passagem pelos gramados como treinador do MK, de Curitiba (PR), em 2025. “Com 67 anos, as opções de trabalho diminuem. O carro acabou virando meu novo campo”, disse.
Natural de São João de Meriti (RJ), Juary mudou-se para Santos aos 14 anos e participou, em 1977, do amistoso entre New York Cosmos e Santos que marcou a despedida de Pelé.
Agora, entre uma corrida e outra, o antigo artilheiro busca manter o ânimo e driblar a depressão acelerando pelas ruas da Baixada.
Com informações de G1