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Salário mínimo, saúde e infraestrutura dominam agenda dos presidenciáveis na quinta-feira

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O debate sobre reajuste do salário mínimo, investimentos em saúde pública e gargalos logísticos do agronegócio pautou a quinta-feira (27) dos candidatos à Presidência da República. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a continuidade da política de aumento real do mínimo em sabatina televisiva, adversários concentraram esforços em entrevistas, vistorias de obras e atos de rua para exibir propostas e buscar visibilidade na reta final de agosto.

A agenda espelhou a diversidade de temas que dividem o eleitorado. Houve desde promessa de reforço na atenção primária à saúde, feita por Ronaldo Caiado, até críticas de Renan Santos à Justiça do Trabalho. Já Romeu Zema percorreu estradas em obras para cobrar melhoria na logística agrícola, e Hertz Dias se reuniu com operários para falar de reindustrialização.

Lula reforça política de valorização do mínimo

À noite, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi sabatinado na TV Globo. Questionado sobre economia, o petista reiterou que pretende manter a fórmula atual de reajuste do salário mínimo, que garante aumento real acima da inflação. Segundo ele, a medida fortalece o consumo das famílias e estimula a atividade econômica.

Durante o dia, suas redes sociais veicularam peças que contrapõem a manutenção da política de valorização com períodos em que não houve ganho real. A campanha aposta no tema para mobilizar trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas sociais.

Renan Santos quer extinguir Justiça do Trabalho

Em sabatina conjunta de O Globo, Valor Econômico e rádio CBN, no Rio, Renan Santos (Missão) voltou a defender o fim da Justiça do Trabalho, sob argumento de que o órgão encarece contratações e gera insegurança jurídica. Ele também classificou a proposta de abolir a escala 6×1 nas empresas como “pauta perigosíssima” para a economia.

Zema cobra logística para o agronegócio

Romeu Zema (Novo) passou o dia no norte de Minas Gerais. Em São Francisco, vistoriou as obras da ponte que liga o município a Pintópolis e afirmou que a competitividade do campo depende de estradas, hidrovias e ferrovias que reduzam o custo de escoamento. “O agro é eficiente da porteira para dentro, mas paga caro da porteira para fora”, disse, prometendo ampliar investimentos caso seja eleito.

Caiado promete repasses maiores a hospitais

Ronaldo Caiado (PSD) concentrou compromissos em São Paulo. Após entrevista à rádio TMC, visitou o Hospital Santa Marcelina, na zona leste. Na saída, anunciou que, se chegar ao Planalto, vai aumentar a fatia de recursos federais destinada a hospitais filantrópicos e investir na atenção primária para desafogar as emergências. À noite, participou do lançamento da candidatura do correligionário Otoni de Paula a deputado federal no Rio de Janeiro.

A pauta dos candidatos de partidos menores

Rui Costa Pimenta aborda geopolítica

Pela internet, Rui Costa Pimenta (PCO) apresentou o programa “Análise Internacional” no canal do Diário Causa Operária. Comentou tensões entre Estados Unidos, Alemanha e Irã, relacionando o cenário externo às dificuldades econômicas internas do Brasil.

Samara Martins investe em corpo-a-corpo no Recife

No centro da capital pernambucana, Samara Martins (UP) gravou vídeos, concedeu entrevistas e participou de bandeiraço na Avenida Guararapes. Depois, caminhou pela Avenida Conde da Boa Vista antes de se reunir com filiados para discutir estratégias de mobilização.

Wilson Grassi reforça defesa dos animais

O candidato do Democrata, Wilson Grassi, visitou o Gatil Lovecats em São Paulo e, à tarde, acompanhou mutirão de castração de pets em Ferraz de Vasconcelos. Ele promete criar políticas nacionais de bem-estar animal e ampliar campanhas de esterilização.

Clariana Barão percorre hospitais e feiras em Cuiabá

A candidata do DC esteve na Feira do Porto, conversou com ambulantes, passou pelo abrigo Bom Jesus e ouviu demandas de pacientes e profissionais no Hospital do Câncer da capital mato-grossense.

Hertz Dias discute empregos com metalúrgicos

Em São José dos Campos (SP), Hertz Dias (PSTU) reuniu-se com trabalhadores da indústria para criticar o encolhimento do parque fabril brasileiro. Defendeu políticas de conteúdo local, revogação de reformas trabalhistas e controle público de setores estratégicos.

Edmilson Costa concede entrevista e cancela caminhada

Edmilson Costa (PCB) falou à Rede Globo sobre seu programa econômico, mas suspendeu visita prevista à Ocupação Escola Popular Para Reforma Urbana Miguel Baldez e caminhada pela Cantareira, em Niterói, por questões logísticas.

Candidatos sem agenda pública

– Augusto Cury (Avante) não divulgou compromissos externos.

– Flávio Bolsonaro (PL) também permaneceu sem atividades públicas divulgadas.

Calendário segue em rodízio

Assim como em dias anteriores, a cobertura das campanhas obedece a ordem alfabética rotativa, garantindo equilíbrio entre todos os concorrentes na disputa de 2026.

Na segunda-feira seguinte, os presidenciáveis encerraram agosto com agendas marcadas por economia, corrupção e defesa de estatais, em mais um dia de campanha intensa pelo país.

A escala 6×1 volta ao centro do debate

A crítica de Renan Santos à proposta de abolir a escala 6×1 ganhou novos capítulos nas semanas seguintes. A PEC 221/2019, que prevê o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para os dias 6, 7 e 8 de outubro — logo após o primeiro turno — a discussão da proposta em plenário, em sessões semipresenciais.

Para ser aprovada, a PEC precisará de ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos. O texto prevê que a primeira redução de carga horária ocorra 60 dias após a aprovação, baixando a jornada de 44 para 42 horas semanais, e um ano depois a segunda diminuição, para 40 horas semanais, sem redução salarial. A proposta é uma das principais frentes de campanha do presidente Lula à reeleição e divide candidatos e setores produtivos — Ronaldo Caiado, por exemplo, criticou a forma como o tema foi debatido no Congresso.

Entenda como a PEC do fim da escala 6×1 avançou no Senado.

O que as pesquisas dizem na reta final

Um mês depois dessa quinta-feira de agosto, a pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro mostrou Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro — diferença de quatro pontos, no limite da margem de erro de dois pontos. Nos votos válidos, o placar foi de 45% a 40%. Na simulação de segundo turno, Lula marcou 48% e Flávio, 45%. O levantamento ouviu 2.506 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro e está registrado no TSE sob o número BR-08039/2026.

A quinta-feira (1º) também ficou marcada pelo cancelamento do debate presidencial da TV Globo, após decisões do TSE — que proibiu o púlpito vazio de Lula — e do STF — que determinou a inclusão de Renan Santos —, além da desistência de Flávio Bolsonaro. A emissora alegou “insegurança jurídica”. Com o primeiro turno marcado para domingo (4), as campanhas concentram os últimos esforços em mobilizar o eleitorado.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.