Depois de quase duas décadas de ocupações precárias e promessas não cumpridas, as primeiras 100 famílias da Comunidade do Sapé finalmente receberam as chaves dos novos apartamentos do Residencial Esmeralda, no Butantã, Zona Oeste da capital. A solenidade, realizada pela Prefeitura de São Paulo, marcou também a distribuição de 50 títulos de propriedade do programa Escritura na Mão, garantindo segurança jurídica a moradores que fundaram seus lares na região ainda nos anos 1970.
O pacote de entregas inaugura a fase mais visível do projeto de urbanização do Sapé, área de 82 mil m² às margens do Córrego Água Podre. Além das moradias, o território recebeu obras de canalização, drenagem, pavimentação e calçadas, transformando um antigo ponto de risco em bairro estruturado.
Entregas marcam nova etapa para a Comunidade do Sapé
Apartamentos do Condomínio A chegam às famílias
O Residencial Esmeralda é formado por três condomínios. O primeiro a ficar pronto, batizado de Condomínio A, concentra 100 das 330 unidades previstas. Cada apartamento possui dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, seguindo o padrão de habitação de interesse social do município. Para famílias como a de Ederson de Oliveira Leite, 40 anos, que dependia de Auxílio Aluguel há 16 anos depois de deixar uma área de risco, o recebimento das chaves representa mais que um endereço fixo: “É segurança para meus filhos e o fim de uma espera que parecia interminável”, resumiu o novo morador.
O empreendimento foi pensado para integrar os lares a espaços coletivos. Todos os blocos contam com elevadores, acesso adaptado, playground e salão de usos múltiplos. Áreas verdes complementam o conjunto e fazem a transição para o futuro parque linear planejado para a região.
Obras de infraestrutura dão contorno definitivo ao bairro
Paralelamente à construção dos apartamentos, a prefeitura executou a canalização de um trecho do Córrego Água Podre, implantou rede de drenagem pluvial, pavimentou ruas internas e alinhou guias e sarjetas. A intervenção elimina o risco de enchentes, recorrente nas últimas décadas, e abre caminho para que o comércio local cresça em bases regulares. A iluminação pública ganhou fiação subterrânea, enquanto as concessionárias de água e energia avançaram com novas ligações domiciliares.
Regularização fundiária fortalece direito à moradia
Programa Escritura na Mão garante titularidade
Além dos apartamentos, 50 famílias receberam o documento que as torna proprietárias definitivas de seus terrenos. Divididos entre os núcleos São Domingos e Pujais Sabaté – cujas ocupações remontam às décadas de 1990 e 1970, respectivamente – os títulos encerram um processo iniciado há dez anos com a publicação da Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia (CUEM). A partir de agora, os moradores podem acessar crédito formal, transferir herança e investir em melhorias sem medo de remoção.
Somente na Subprefeitura do Butantã, o Escritura na Mão soma 3.091 registros entregues desde 2021. Outros três mil estão em fase final de elaboração, e um convênio recém-assinado pela Secretaria Municipal de Habitação prevê a regularização de mais 33 localidades, beneficiando cerca de quatro mil famílias.
Números da política habitacional em São Paulo
Desde 2021, a capital paulista concluiu 21.745 unidades habitacionais, sendo 13.858 previstas para os biênios 2025 e 2026. Paralelamente, 19.977 moradias já foram contratadas e aguardam início de obra ou estão em execução. No campo da regularização fundiária, o Escritura na Mão atingiu 96.985 imóveis titulados gratuitamente no mesmo período; 44.806 apenas entre 2025 e 2026.
Investimentos e próximos passos do Residencial Esmeralda
Condomínio C em ritmo acelerado
A próxima entrega do empreendimento está programada para o primeiro semestre de 2027, quando o Condomínio C deverá pôr à disposição 90 apartamentos. As obras superaram 70 % de avanço físico, contemplando alvenaria, reboco, instalação elétrica e hidráulica. Na sequência, o Condomínio B – licitação em elaboração – trará 140 unidades e sete lojas no térreo, fomentando atividade comercial e geração de renda local.
Parque linear e qualificação ambiental
O plano urbanístico prevê a implantação de um parque linear às margens do córrego, interligando ciclovias, pistas de caminhada e áreas de convivência. O projeto busca recuperar a mata ciliar, reduzir ilhas de calor e oferecer lazer de proximidade. Técnicos da Secretaria do Verde acompanham as etapas de desassoreamento e revegetação, enquanto equipes de habitação analisam soluções para resíduos sólidos e educação ambiental.
Fontes de recursos
Os condomínios A e C fazem parte de um contrato de R$ 57,9 milhões executado pela Secretaria Municipal de Habitação. O montante reúne aportes do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU), do Fundo Municipal de Desenvolvimento (FMD) e do Fundo Municipal de Saneamento Ambiental e Infraestrutura (FMSAI). Esses mecanismos permitem que os empreendimentos saiam do papel mesmo sem aporte direto do Governo Federal.
Vozes da comunidade reforçam sentido da conquista
Na cerimônia, moradores relembraram o percurso que antecedeu a entrega. Muitos passaram por remoções, viviam com ligações clandestinas de água e energia e conviviam com riscos sanitários. “Não é só o prédio novo, é o fim da incerteza”, destacou Maria Lúcia Santana, vizinha de Ederson, que aguardava solução habitacional desde 2012. Para ela, o título de propriedade tem peso equivalente à chave: “Eu posso deixar algo para meus netos”.
Outro grupo evidenciou a importância do equipamento público no entorno. Uma creche municipal fica a menos de 300 metros do residencial e, segundo pais e mães presentes, reduz o tempo de deslocamento diário. A linha de ônibus que liga o Sapé ao Metrô Butantã passará a circular na porta do condomínio depois que a SPTrans concluir o recuo da via e o ponto de parada coberto.
Calendário de obras e expectativas
- Primeiro semestre de 2027 – entrega de 90 unidades do Condomínio C;
- Segundo semestre de 2027 – início das obras do Condomínio B (140 apartamentos + 7 lojas);
- 2028 – conclusão do parque linear e das vias de acesso definitivas;
- 2029 – meta de regularizar 33 novos núcleos no Butantã, alcançando cerca de 4 mil famílias.
Com a liberação dos apartamentos do Condomínio A e a expansão do Escritura na Mão, a Prefeitura de São Paulo reforça a diretriz de tratar moradia como política pública permanente. A transformação do Sapé ainda não acabou, mas, para quem recebeu suas chaves, o futuro deixou de ser um projeto distante e ganhou endereço certo no Residencial Esmeralda.