Vídeo mostra professora entregando pacote de dinheiro a secretário horas antes de ser morta em Ipojuca

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Um vídeo obtido pela Polícia Civil de Pernambuco mostra a professora Simone Marques da Silva, 46 anos, entrando em uma sala da Prefeitura de Ipojuca com um pacote verde volumoso e repassando-o ao então secretário especial de Juventude, Diego Fernandes de Oliveira Araújo, conhecido como Diego Araçá. Horas depois, em outubro de 2025, Simone seria assassinada a tiros, fato que transformou o inquérito que apura o desvio de pelo menos R$ 27 milhões em emendas parlamentares.

As imagens integram a Operação Alvitre, deflagrada nesta semana para estancar a sangria dos cofres públicos do município e da Câmara de Vereadores. Segundo os investigadores, o vídeo corrobora a suspeita de que a professora, gestora de uma entidade beneficiada por emendas, fazia repasses de dinheiro vivo a integrantes do esquema.

Vídeo expõe entrega de dinheiro

A gravação mostra Simone usando camisa azul e calça branca. Ela chega com o pacote, é recebida por Diego Araçá na porta e, em seguida, ambos desaparecem no interior da sala. De acordo com agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, a cena reflete uma rotina de pagamentos clandestinos mantida dentro da própria sede do Executivo municipal.

O ex-secretário, que deixou o cargo após o avanço das investigações, não foi localizado para comentar. A reportagem mantém espaço aberto para manifestação.

Chantagem, depoimento adiado e morte

A trajetória de Simone dentro do caso ganhou contornos dramáticos dois dias depois de a primeira fase da Operação Alvitre vir a público. Convocada para prestar depoimento em Porto de Galinhas, ela compareceu à delegacia, mas a oitiva foi remarcada por falta de plantonistas. Poucas horas depois, foi executada.

Diante do assassinato, os policiais passaram a trabalhar com a hipótese de que a professora estaria chantageando comparsas, ameaçando divulgar áudios e vídeos que comprovariam o desvio de recursos. O relatório final aponta ainda que Simone não apenas era peça-chave na engrenagem financeira, mas também beneficiária direta: parte do dinheiro retornava para ela, para dois advogados, uma contadora e uma funcionária-fantasma.

Engrenagem das emendas parlamentares

Entidades de fachada

Documentos do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) mostram que a Associação Cultural Social e Recreativa MUDART, fundada e administrada por Simone, recebeu R$ 1,2 milhão em verbas públicas entre 2017 e 2024. O salto mais expressivo ocorreu em 2024, quando o repasse saltou de uma média anual de R$ 100 mil para R$ 518 mil.

Desses R$ 518 mil, R$ 480 mil saíram diretamente da Secretaria Especial de Juventude, comandada por Diego Araçá, por meio de emendas dos vereadores Flávio Henrique do Rêgo Souza, Genival Ferreira da Silva e Gilmar Costa da Silva. Em vistorias de campo, policiais encontraram a MUDART e a empresa M. A. da Silva Festas — favorecida com outros R$ 480 mil — funcionando em imóveis simples, sem estrutura para tocar projetos que, no papel, consumiram R$ 680 mil.

Funcionária fantasma movimentou R$ 16 milhões

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a movimentação atípica de R$ 16 milhões na conta de uma servidora inexistente lotada no gabinete do vereador Gilmar Costa. A suspeita é de que a conta funcionava como central de dispersão de propina para parlamentares e operadores.

Diego Araçá: da sala de aula ao centro do escândalo

Servidor efetivo do Estado como professor desde 2017 e coordenador de escola atualmente, Diego Araçá fez carreira política em Ipojuca. Foi assessor especial do vereador Gilmar Costa (2014-2017), secretário de Juventude em duas gestões (2020 e 2021-2024) e candidatou-se a vereador em 2012, herança da trajetória do avô, o ex-vereador José Apolinário de Oliveira, o Bobinha.

Antecedentes familiares de violência

A ficha criminal ligada à família do ex-secretário pesa na investigação. O pai de Diego, Antônio Fernandes de Araújo, já foi apontado como executor do homicídio de Cristiane de Lima Santos em 2003, crime supostamente encomendado por Bobinha. Antônio chegou a ter prisão decretada por coagir testemunhas e responde a outro processo por homicídio qualificado na Paraíba.

Três fases da Operação Alvitre

Primeira etapa (outubro de 2025)

Deflagrada para mapear repasses a entidades sem capacidade técnica, a fase inicial resultou em três prisões e em quatro investigados foragidos. Foi nesse momento que Simone passou de colaboradora a alvo de morte.

Segunda etapa (novembro de 2025)

Um mês depois, o então presidente da Câmara, Flávio do Cartório (PSD), e o vice, Professor Eduardo (PSD), foram presos em flagrante com maços de dinheiro em um supermercado de Boa Viagem, no Recife. Ambos perderam os cargos na Mesa Diretora.

Terceira etapa (setembro de 2026)

A Polícia Civil cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Paulista, mirando o presidente da Câmara, Irmão Genival (PSD), e o vice, Gilmar Costa (Republicanos). Embora não tenham sido expedidos novos mandados de prisão, foram bloqueados bens e ativos para rastrear o destino final dos R$ 27 milhões desviados.

Próximos passos da investigação

Peritos analisam computadores, celulares e documentos recolhidos nos gabinetes e residências dos suspeitos para reconstituir a rota do dinheiro. A principal linha de trabalho busca comprovar se a execução de Simone Marques foi, de fato, uma “queima de arquivo” planejada para silenciar provas audiovisuais que comprometiam agentes públicos e parlamentares.

Enquanto isso, a Controladoria do município e o TCE-PE apuram a responsabilidade administrativa de servidores e vereadores que assinaram as emendas legislativas. Se confirmada a participação, eles podem responder por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.