O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem numérica de dois pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial. É o que mostra a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24), a dez dias do primeiro turno.
Segundo o levantamento, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 45% de Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo, os dois candidatos seguem em empate técnico — ou seja, estatisticamente é impossível afirmar que um esteja à frente do outro.
Na sondagem da semana passada, o placar era de 46% a 44% a favor do presidente. O cenário, portanto, se manteve praticamente estável, com uma leve oscilação de um ponto para cada lado, dentro da margem de erro. A estabilidade dos números indica uma disputa indefinida e polarizada na reta final da campanha.
Primeiro turno
No cenário de primeiro turno, Lula soma 40% das intenções de voto, ante 39% registrados na pesquisa anterior — uma oscilação também dentro da margem de erro. Flávio Bolsonaro repete os 36% da semana passada, sem variação.
A diferença de quatro pontos entre os dois no primeiro turno coloca a disputa em um patamar de atenção máxima: com a margem de erro de dois pontos, o segundo colocado pode estar, na prática, entre 34% e 38%, e o primeiro, entre 38% e 42%. É nesse intervalo estreito que a campanha vai concentrar esforços nos próximos dez dias.
O primeiro turno das eleições está marcado para o dia 4 de outubro. A partir de agora, cada nova pesquisa ganha peso redobrado, porque o eleitor indeciso — aquele que costuma definir a eleição — tende a se decidir justamente na última semana.
Debate da Record é cancelado
Também nesta quinta-feira, Lula e Flávio Bolsonaro anunciaram que não participariam do debate presidencial da Record, e a emissora acabou cancelando o evento. A ausência dos dois principais candidatos esvazia um dos poucos confrontos diretos previstos antes do primeiro turno.
Sem debates com os protagonistas da disputa, a campanha migra ainda mais para as redes sociais, para as agendas de rua e para as entrevistas — palcos onde cada candidato tenta consolidar sua base e fisgar o voto indeciso sem o risco do confronto ao vivo.
O que significa o empate técnico
O termo “empate técnico” aparece sempre que a diferença entre os candidatos é menor ou igual à margem de erro da pesquisa. Na prática, isso quer dizer que o levantamento não consegue distinguir, com segurança estatística, quem está na frente.
No caso desta pesquisa Datafolha, Lula pode estar entre 45% e 49%, e Flávio Bolsonaro, entre 43% e 47%. As faixas se sobrepõem — daí o empate técnico. É diferente de um empate real, em que os dois teriam exatamente o mesmo percentual: aqui, o que existe é uma incerteza estatística sobre a liderança.
Reta final: o que observar
Faltando dez dias para o primeiro turno, três fatores tendem a pesar mais do que nunca. O primeiro é a taxa de indecisos e de votos brancos e nulos: se esse grupo for grande, ele pode decidir a eleição sozinho na última hora.
O segundo é a geografia do voto. Disputas apertadas costumam ser decididas em poucos estados e nas grandes capitais, onde a concentração de eleitores amplifica cada ponto percentual.
O terceiro é o ritmo das próximas pesquisas. Com o cenário estável há duas semanas, qualquer movimentação fora da margem de erro nas próximas sondagens será lida como tendência — e tendência, em reta final, vira manchete, vira conversa e vira voto.
Por enquanto, o retrato é o de um país dividido ao meio: 47% a 45% no segundo turno, 40% a 36% no primeiro. A definição, ao que tudo indica, ficará para os últimos dias — e, possivelmente, para o segundo turno.