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Em cadeia nacional, Lula reitera soberania do Brasil e diz que país “não será colônia de ninguém”

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Na véspera do Dia da Independência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou, na noite de sábado (6), cadeia nacional de rádio e TV para reafirmar que o Brasil “não é, nem será colônia de ninguém”. Ao longo de pouco mais de dez minutos, Lula defendeu que decisões sobre política externa, comércio e exploração de riquezas naturais cabem exclusivamente ao Estado brasileiro, advertindo países e empresas estrangeiras que queiram impor condições aos negócios nacionais.

Em tom firme, o chefe do Executivo vinculou soberania à garantia de direitos básicos: combate à fome, educação gratuita de qualidade, emprego digno, saúde pública robusta e preservação ambiental. “Independência só existe quando cada brasileiro pode viver com liberdade, dignidade e oportunidade”, resumiu.

Defesa direta da autonomia nacional

No ponto de maior tensão do pronunciamento, Lula rechaçou pressões externas sobre a política comercial brasileira. Segundo ele, nenhum governo estrangeiro pode determinar “de quem podemos comprar ou para quem podemos vender”. A frase ecoa debates recentes envolvendo barreiras comerciais e acordos internacionais em negociação.

O presidente reforçou que a Constituição garante ao Brasil o direito de definir, sem tutelas, como administrar o próprio território, suas águas, seu espaço aéreo e, sobretudo, sua base produtiva. “Somos um país soberano e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”, declarou, mirando tanto governos quanto corporações que discutem critérios de acesso ao mercado brasileiro.

O pano de fundo: o tarifaço americano

O discurso foi lido pela imprensa como um recado direto aos Estados Unidos, em meio à forte tensão comercial entre os dois países. O governo de Donald Trump impôs ao Brasil duas tarifas em julho — uma de 25% e outra de 12,5% — sobre produtos brasileiros, segundo a imprensa. Sem citar nominalmente os Estados Unidos nem Trump, Lula defendeu o livre comércio e sustentou que as decisões comerciais do Brasil cabem apenas aos brasileiros.

A fala também teve como alvo interno o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a quem Lula tem chamado de “traidor da pátria” pela articulação junto ao governo americano em favor de restrições contra autoridades brasileiras. A tensão com Washington segue no radar do Planalto: a PF concluiu não haver indícios de ameaça à embaixada dos EUA, e o dólar voltou a subir em meio às incertezas do cenário externo.

Recursos estratégicos no centro da mensagem

Lula reservou larga parte do tempo para enumerar ativos naturais considerados estratégicos. Ele lembrou que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, minerais usados na fabricação de semicondutores, turbinas e baterias, além de ser detentor da maior disponibilidade de água doce do planeta. O chefe do Executivo também mencionou as mais recentes descobertas de petróleo na margem equatorial.

Marco legal para minerais críticos

O presidente citou a aprovação, pelo Congresso, de um novo marco regulatório voltado a minerais críticos e terras raras. A norma — que aguarda regulamentação — pretende, de acordo com Lula, transformar essas reservas em “motor de inovação tecnológica, empregos qualificados e agregação de valor dentro do país”. Ele defendeu que a exploração ocorra com respeito ao meio ambiente e com participação das comunidades locais.

Lula afirmou que as riquezas naturais não podem repetir “o velho ciclo colonial de extração bruta e envio para fora”, mas sim sustentar projetos industriais de alto conteúdo tecnológico em solo brasileiro. “Nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro”, frisou.

Independência traduzida em direitos sociais

Ao relembrar a história da Independência de 1822, Lula argumentou que a libertação política do século XIX só será plena se acompanhada da superação de desigualdades. Para ele, independência individual significa ter renda suficiente, trabalhar em boas condições, estudar o que se deseja e usufruir de saúde e cultura.

O presidente citou a erradicação da fome como prioridade contínua de governo e retomou compromissos com políticas públicas que ampliem acesso à moradia, saneamento e transporte. “Um país soberano é aquele capaz de criar oportunidades para que seu povo conquiste a própria independência financeira, intelectual e cultural”, afirmou.

Papel internacional e credenciais ambientais

Na parte final do discurso, o mandatário destacou que a defesa da soberania não se confunde com isolamento. Segundo ele, o Brasil continuará defendendo o livre comércio, a reforma das instituições multilaterais e a solução pacífica de conflitos, buscando “uma ordem mundial onde todos os povos sejam respeitados”.

Lula listou avanços do país na transição energética, como a matriz elétrica majoritariamente renovável, e lembrou metas climáticas assumidas em fóruns internacionais. Para o presidente, a credibilidade ambiental brasileira reforça o protagonismo diplomático do país e abre caminho para investimentos que combinem desenvolvimento e proteção da Amazônia.

Ele concluiu o pronunciamento convocando a população a participar dos desfiles e celebrações do 7 de Setembro, mas “sem jamais esquecer que a verdadeira independência se mede na vida real de cada cidadão”. A fala foi transmitida simultaneamente por emissoras de televisão e rádio públicas e privadas, conforme previsão legal para a data.

Um pronunciamento autorizado pela Justiça Eleitoral

Por ocorrer em ano eleitoral, a veiculação do pronunciamento precisou de autorização do TSE. O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, liberou a transmissão na sexta-feira (4), a pedido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Na decisão, o ministro escreveu que a divulgação é de interesse público, já que a data integra o calendário oficial e possui significado histórico e institucional autônomo.

Com 3 minutos e 43 segundos de duração e gravada no Palácio da Alvorada, a peça teve caráter cívico e institucional — sem menção a candidaturas —, o que permitiu sua exibição mesmo no período eleitoral.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.