
Resumo da Notícia
- O dólar fechou em alta nesta sexta-feira (2), a R$ 5,35, após quatro quedas seguidas, segundo o G1.
- A alta acontece a dois dias do primeiro turno das eleições, em meio à cautela dos investidores.
- Na véspera, a moeda já havia subido quase 1%, a R$ 5,224, com o petróleo acima de US$ 100.
O dólar fechou em alta nesta sexta-feira (2) e foi a R$ 5,35, interrompendo uma sequência de quatro quedas consecutivas, segundo o G1.
A valorização acontece a dois dias do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4), em um momento de cautela dos investidores com o cenário eleitoral e o ambiente externo.
O contexto
Na véspera, o dólar já havia subido quase 1% e fechado a R$ 5,224, em dia de aversão ao risco nos mercados globais por conta das tensões no Oriente Médio e da alta do petróleo, acima de US$ 100 o barril. Na ocasião, o Ibovespa avançou 0,46%, apoiado nas ações da Petrobras, segundo boletim de mercado.
A proximidade do primeiro turno costuma aumentar a volatilidade do câmbio, com investidores ajustando posições antes da definição do cenário político.
Petróleo acima de US$ 100
A alta do petróleo tem sido um dos principais vetores de pressão sobre os mercados nesta semana. Na quinta-feira, o barril do Brent — referência internacional — fechou a US$ 102,31, com alta de 4,37%, enquanto o WTI, referência americana, subiu 2,71%, a US$ 92,87.
As tensões no Oriente Médio mantêm os investidores em alerta e sustentam as cotações da commodity em patamares elevados. Para o Brasil, o petróleo caro tem efeito ambíguo: de um lado, beneficia a Petrobras e ajuda o Ibovespa — que fechou a quinta-feira aos 187.197,46 pontos, com avanço de 0,46%; de outro, pressiona as expectativas de inflação e fortalece o dólar frente a moedas de países emergentes.
Juros nos EUA e o payroll fraco
O cenário externo também foi marcado por dados do mercado de trabalho americano. O payroll — relatório de criação de vagas nos Estados Unidos — veio abaixo do esperado, frustrando as projeções do mercado. As estimativas compiladas pela Reuters apontavam para a criação de 90 mil vagas, e o dado de agosto foi revisado para 133 mil.
Dados fracos de emprego nos EUA costumam alimentar apostas de corte de juros pelo Federal Reserve, o que em tese enfraqueceria o dólar. Nesta semana, porém, o movimento foi o oposto: o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, subiu 0,58% na quinta-feira, aos 102,040 pontos — sinal de que a aversão ao risco falou mais alto que as apostas sobre os juros americanos.
Cautela com as eleições
No plano doméstico, a proximidade do primeiro turno adiciona uma camada de cautela aos negócios. A dois dias da votação, investidores ajustam posições e reduzem a exposição ao risco, movimento típico de vésperas eleitorais.
O câmbio também reflete o ambiente de incertezas externas: além do petróleo e do payroll americano, o mercado acompanha as tensões geopolíticas e seus possíveis desdobramentos sobre o comércio global e os fluxos de capital para emergentes.
Apesar da alta desta sexta-feira, o real vinha de uma sequência positiva: foram quatro quedas consecutivas do dólar antes da reversão, segundo o G1. O patamar de R$ 5,35 recoloca a moeda americana em um nível que exige atenção de importadores, empresas endividadas em dólar e do Banco Central, que monitora os repasses cambiais para a inflação.
O que move o câmbio na véspera eleitoral
A volatilidade do câmbio em semanas eleitorais é um fenômeno conhecido do mercado brasileiro. Com a definição do cenário político se aproximando, investidores estrangeiros e locais tendem a reduzir posições em ativos de risco e a buscar proteção no dólar — movimento que pressiona a cotação mesmo quando os fundamentos domésticos seguem favoráveis.
Neste caso, os fundamentos internos até ajudam a explicar a sequência anterior de quatro quedas: o desemprego caiu a 5,3%, o menor patamar da série histórica, com recorde de ocupados, e o Brasil registrou uma das maiores altas do PIB no segundo trimestre de 2026. Mas na véspera da eleição, o componente político e o ambiente externo pesam mais nas decisões de curto prazo.
O petróleo acima de US$ 100 o barril adiciona pressão inflacionária global e tende a fortalecer o dólar frente às moedas emergentes, já que investidores associam a commodity cara a um cenário de juros mais altos por mais tempo nas economias avançadas.
O radar do Banco Central
Para o Banco Central, a cotação do câmbio é uma variável central na condução da política monetária. Um dólar mais alto encarece importações e pode se transmitir aos preços internos — o chamado repasse cambial —, pressionando a inflação em um momento em que a autoridade monetária calibra os juros.
O mercado acompanha ainda os desdobramentos do cenário externo: a evolução das tensões no Oriente Médio, os próximos dados do mercado de trabalho americano e as sinalizações do Federal Reserve sobre os juros. No plano interno, todas as atenções se voltam para o domingo (4), quando o primeiro turno deve trazer a definição que os investidores aguardam para recalibrar as posições.
Leia também: o desemprego caiu a 5,3% e o Brasil bateu recorde de ocupados; e a nova MP do Desenrola Brasil 3.0 permite renegociar dívidas de pessoas físicas. O desempenho da economia também ajuda a compor o cenário: o Brasil registrou uma das maiores altas do PIB no segundo trimestre de 2026.
