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Desemprego cai a 5,3% e Brasil bate recorde de 103,5 milhões de ocupados

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Resumo da Notícia

  • A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor patamar para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012.
  • O país atingiu o recorde de 103,477 milhões de pessoas ocupadas, e o número de empregados com carteira assinada no setor privado também bateu recorde, chegando a 39,5 milhões.
  • O Caged mostra que o Brasil abriu 165.827 vagas formais em agosto, acima da expectativa do mercado; já o IGP-M subiu 1,57% em setembro, segundo a Fundação Getulio Vargas.

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor patamar para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Os dados da Pnad Contínua, divulgados nesta terça-feira (29) pelo IBGE, também mostram que o país atingiu o recorde de 103,477 milhões de pessoas ocupadas.

O resultado veio em linha com a mediana das projeções do mercado apurada em pesquisa da Reuters. A taxa recuou em relação aos 5,6% do trimestre encerrado em maio e repetiu o patamar do trimestre até julho. Um ano antes, no período encerrado em agosto de 2025, o desemprego também estava em 5,6%.

Menor taxa para o período desde 2012

A população desocupada somou 5,784 milhões de pessoas no trimestre até agosto, com queda de 4,6% em relação ao trimestre encerrado em maio — 281 mil pessoas a menos na fila do desemprego. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o recuo foi de 4,9%.

O nível de ocupação, que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, subiu para 58,9%, com avanço de 0,3 ponto percentual na comparação trimestral.

Recorde de ocupados e de carteira assinada

A população ocupada cresceu 0,8% em relação ao trimestre anterior, com a incorporação de 774 mil trabalhadores ao mercado, e 1,0% em 12 meses. Os grupamentos que mais puxaram a alta foram a indústria geral, com crescimento de 2% (mais 265 mil pessoas), e a construção, com 4,1% (mais 306 mil pessoas).

O número de empregados do setor privado com carteira assinada também bateu recorde, chegando a 39,5 milhões, com alta de 0,4% no trimestre. A renda habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.777, acima dos R$ 3.752 do trimestre até maio e dos R$ 3.641 registrados um ano antes.

A taxa de informalidade foi de 37,5%, o equivalente a 38,8 milhões de pessoas, ante 37,3% no trimestre anterior. Já a população desalentada — quem sequer procura trabalho por acreditar que não vai encontrar — somou 2,4 milhões, patamar estável no trimestre e 11,9% menor que um ano antes.

Caged: 165,8 mil vagas formais em agosto

Os dados do Caged, divulgados no mesmo dia pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o Brasil abriu 165.827 vagas formais em agosto, resultado de 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos. O saldo ficou bem acima da expectativa de 97.826 vagas apontada em pesquisa da Reuters e superou as 154.683 vagas de agosto de 2025.

Todos os cinco grandes setores criaram vagas no mês: serviços liderou com 110.346 postos, seguido por construção (20.848), indústria (16.613), comércio (16.565) e agropecuária (1.452). São Paulo concentrou o maior volume absoluto, com 42,5 mil vagas.

No acumulado de janeiro a agosto, o país gerou 1.134.033 postos formais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego — o menor saldo para o período desde 2020, com queda de 25,2% em relação aos 1.516.881 do mesmo período de 2025.

IGP-M volta a subir em setembro

A Fundação Getulio Vargas informou que o IGP-M subiu 1,57% em setembro, depois de registrar queda de 0,22% em agosto. Com o resultado, o índice acumula alta de 3,45% no ano e de 3,34% em 12 meses.

A aceleração foi puxada pelo atacado: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 2,08%, com as matérias-primas brutas em alta de 3,61% — destaque para soja, milho e carne bovina. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de queda de 0,41% em agosto para alta de 0,50% em setembro, com o fim do efeito do Bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica.

Mercado de trabalho vira munição eleitoral

A cinco dias do primeiro turno, os números do emprego entraram de vez no discurso das campanhas. O presidente Lula apoia a campanha em indicadores como o desemprego em níveis historicamente baixos, o recuo da desigualdade e a desaceleração recente da inflação, pedindo paciência aos eleitores diante da sensação de que o orçamento doméstico encolheu. Já a oposição tenta deslocar o debate para o custo de vida, argumentando que o salário já não rende como antes.

O tema do trabalho também avança no Congresso: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, despachou para a Comissão de Constituição e Justiça a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A proposta, já aprovada na Câmara, reduz a carga horária máxima para 40 horas semanais e estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. O relator na CCJ será o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Os desafios que permanecem

Apesar dos recordes, o retrato do mercado de trabalho segue com pontos de atenção. A informalidade subiu de 37,3% para 37,5% no trimestre, alcançando 38,8 milhões de pessoas — ou seja, quase quatro em cada dez ocupados trabalham sem carteira assinada ou por conta própria sem proteção previdenciária plena.

O saldo acumulado de vagas formais em 2026, de 1,13 milhão até agosto, é o menor para o período desde 2020 e representa queda de 25,2% em relação ao ano passado, sinal de que o ritmo de contratações com carteira perdeu fôlego mesmo com a taxa de desemprego em queda. E a renda habitual de R$ 3.777, embora em alta nominal, segue pressionada pelo custo de vida — tema que, segundo as pesquisas, domina a percepção do eleitor na reta final da campanha.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.