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Em livro sobre Bolsonaro, Flávio nega golpe militar e elogia Ustra

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Resumo da Notícia

  • Em uma biografia de Jair Bolsonaro publicada em 2017, Flávio Bolsonaro nega ter havido golpe militar em 1964 e exalta a ditadura, segundo a Política Livre e o JOTA.
  • Na obra, o atual candidato do PL descreve o coronel Brilhante Ustra como “um homem correto, íntegro” e classifica a Comissão Nacional da Verdade como “revanchista”.
  • Flávio também questiona as urnas eletrônicas no livro e manifesta apoio à atuação dos policiais no massacre do Carandiru.

Em uma biografia de Jair Bolsonaro publicada em 2017, Flávio Bolsonaro (PL) nega ter havido um golpe militar em 1964, exalta a ditadura e descreve o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra como “um homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”, segundo a Política Livre e o JOTA.

A obra, com quase 200 páginas, percorre a trajetória de Jair Bolsonaro do nascimento até 2016. O conteúdo voltou a circular nesta semana, também repercutido pela Folha de S.Paulo e pelo Brasil 247, a dois dias do primeiro turno das eleições, em que Flávio é candidato à Presidência pelo PL.

No livro, o atual candidato à Presidência classifica a Comissão Nacional da Verdade como uma iniciativa “revanchista” e afirma que os militares “deveriam ser tratados como heróis nacionais por terem evitado que o Brasil se tornasse uma ditadura socialista”.

Sobre 1964, Flávio contesta a caracterização de golpe: “Que golpe foi esse em que o Congresso, com respaldo constitucional, afasta um presidente?”, questiona na obra.

O elogio a Ustra — descrito como “um homem correto, íntegro” — remete à homenagem feita por Jair Bolsonaro ao coronel durante a votação do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, episódio que Flávio defende no livro.

A caracterização dos militares como “heróis nacionais” aparece no texto como contraponto à narrativa crítica ao regime militar. Para Flávio, o período deveria ser lembrado, segundo a obra, pela ação que teria impedido o Brasil de se tornar “uma ditadura socialista” — formulação que resume a visão histórica defendida na biografia.

A Comissão Nacional da Verdade, criada para apurar violações de direitos humanos durante a ditadura, é tratada no livro como uma iniciativa “revanchista”. Na mesma linha, Flávio sustenta que a Lei da Anistia “serviu apenas os terroristas”, em uma crítica direta ao alcance da lei que anistiou crimes políticos e conexos dos dois lados do conflito.

Em outra passagem, Flávio afirma que a Lei da Anistia “serviu apenas os terroristas” e questiona a versão oficial sobre a morte do ex-deputado Rubens Paiva durante a ditadura militar. O caso Paiva, um dos mais emblemáticos do período, é revisitado na obra sob a ótica de desconfiança em relação à versão consagrada pela historiografia e pelos órgãos oficiais.

Urnas eletrônicas e Carandiru

A publicação também registra antigas desconfianças de Flávio sobre as urnas eletrônicas. “Se não há como provar que houve a fraude, como provar que ela não aconteceu?”, escreveu, ao defender o voto impresso. A Justiça Eleitoral afirma que o sistema eletrônico é auditável e possui diferentes mecanismos de fiscalização.

Em outra passagem, o senador manifesta apoio à atuação dos policiais no massacre do Carandiru. O tema voltou a circular nesta sexta-feira (2), a dois dias do primeiro turno das eleições, em meio à repercussão do cancelamento do debate da Globo, que Lula classificou como desastre para a Globo.

A defesa do voto impresso e as desconfianças sobre o sistema eletrônico de votação aparecem no livro como parte das bandeiras defendidas por Flávio. A Justiça Eleitoral, por sua vez, sustenta que as urnas passam por auditorias e contam com mecanismos de fiscalização acessíveis a partidos, à Ordem dos Advogados do Brasil e ao Ministério Público.

Pautas conservadoras

Além dos temas ligados à ditadura e às urnas, o livro aborda pautas do conservadorismo defendidas por Flávio ao longo da carreira política. Entre elas estão as críticas ao chamado “kit gay”, a defesa da redução da maioridade penal, a proposta de castração química para estupradores e o apoio ao movimento Escola sem Partido.

A obra também traz críticas à atuação da mídia, um tema recorrente no discurso do candidato e de seus aliados. As posições registradas na biografia de 2017 ajudam a compor o perfil ideológico que Flávio leva à disputa presidencial de 2026.

O conjunto de temas — ditadura, direitos humanos, segurança pública, educação e costumes — desenha na biografia um programa de valores que Flávio apresenta como herança política da família. O livro funciona, nesse sentido, como um documento das convicções que o candidato mobiliza na campanha atual, do questionamento das urnas à defesa de punições mais duras para criminosos.

O contexto eleitoral

A republicação dos trechos do livro ocorre na reta final da campanha, a dois dias do primeiro turno marcado para domingo (4). A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro tem sido marcada por embates sobre o legado da ditadura, o sistema eleitoral e o papel da Justiça Eleitoral.

O levantamento Datafolha mais recente apontou Lula com 40% das intenções de voto contra 36% de Flávio Bolsonaro, com o segundo turno empatado — um cenário que mantém a eleição indefinida na véspera da votação.

O cancelamento do debate presidencial da Globo, na noite de quinta-feira (1º), após decisões do TSE e do STF, também movimentou a reta final e colocou o Judiciário no centro do debate público, com críticas de aliados de Flávio às intervenções judiciais no processo eleitoral. Nesse ambiente, a circulação dos trechos da biografia de 2017 adiciona mais um capítulo à disputa de narrativas que marca os últimos dias antes da votação.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.