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Tarcísio critica Judiciário por cancelamento do debate da Globo

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Resumo da Notícia

  • Tarcísio de Freitas criticou o cancelamento do debate presidencial da Globo e disse que o Judiciário interferiu no debate público, segundo o UOL.
  • A emissora desistiu do encontro após decisões do TSE (Estela Aranha vetou o púlpito vazio) e do STF (Gilmar Mendes incluiu Renan Santos) mudarem as regras horas antes do ar.
  • Lula e Flávio Bolsonaro ficaram fora do debate; o primeiro turno das eleições será no domingo (4).

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou o cancelamento do debate presidencial da TV Globo e afirmou que o Judiciário interferiu no debate público, segundo o UOL.

A declaração foi dada após a emissora desistir de realizar, na noite de quinta-feira (1º), o último confronto televisivo entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). A decisão veio depois de uma sequência de determinações judiciais que mudaram as regras do debate poucas horas antes da transmissão, prevista para as 21h30.

Tarcísio, que é candidato à reeleição ao governo de São Paulo, fez as críticas durante a reta final da campanha, em um momento em que o episódio domina o debate público a dois dias da votação.

O que disse Tarcísio

Em coletiva de imprensa na capital paulista nesta sexta-feira (2), Tarcísio afirmou que o eleitor foi o grande prejudicado pelo episódio. “O eleitor foi o grande prejudicado quando as intervenções do Judiciário afetam o debate público, acabam interferindo no debate público”, disse o governador, segundo o portal VV8.

O governador alertou ainda para o risco de desgaste das instituições: “O Judiciário vai ser descredibilizado por conta do próprio Judiciário. Isso é muito grave”, afirmou.

Para Tarcísio, os magistrados devem respeitar os limites estabelecidos pela lei para garantir a fluidez do processo político. Ele comparou o papel dos juízes ao de um árbitro em campo: “Qual é o melhor árbitro do jogo de futebol? É aquele que deixa a partida fluir”, disse, segundo o VV8. Quando o juiz tenta interferir no resultado da partida ou interrompe o jogo a todo momento, avaliou o governador, surge um problema grave para todos os envolvidos.

Segundo a Jovem Pan, Tarcísio afirmou ainda: “A gente precisa refletir sobre isso. Era a última oportunidade para que projetos fossem colocados sobre a mesa” — em referência ao fato de que o debate da Globo seria o último confronto televisivo entre os presidenciáveis antes do primeiro turno.

As decisões que levaram ao cancelamento

A primeira decisão foi da ministra Estela Aranha, do TSE, que atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vetou o item das regras que tratava de candidatos ausentes. A ata, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, previa que, em caso de ausência, o púlpito do candidato seria mantido no cenário, vazio, com placa de identificação — e que os presentes poderiam formular perguntas ao ausente em uma das rodadas. Lula havia anunciado na quarta-feira (30) que não participaria.

Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate, mesmo o partido tendo apenas um congressista — a lei exige convite obrigatório para candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares. Antes, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e a ministra Cármen Lúcia haviam negado os pedidos de Santos; Kassio, porém, mudou o entendimento sobre a contagem de parlamentares e garantiu a participação de Romeu Zema (Novo).

Após a decisão de Aranha, o senador Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de ir ao debate. No Jornal Nacional, César Tralli anunciou o cancelamento: “as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”.

A defesa da decisão do TSE

A ministra Estela Aranha justificou a decisão de vetar o púlpito vazio com o argumento de que a dinâmica poderia gerar desequilíbrio entre os participantes, sem possibilidade de resposta do candidato que não estivesse presente, segundo o portal New News.

A avaliação da ministra foi de que manter o púlpito vazio com o nome de Lula no cenário, com perguntas direcionadas a ele em uma das rodadas, criaria uma situação desigual entre os candidatos presentes e o ausente. A decisão, porém, contrariou a ata assinada por todos os partidos — inclusive o PT, que depois pediu à Justiça a mudança das regras.

Reações

Romeu Zema disse, em vídeo nas redes sociais, que “quem perde é o Brasil e a democracia”. Ronaldo Caiado (PSD) chamou o cancelamento de “atentado à democracia brasileira” e culpou a desistência de Lula. Flávio fez uma live no mesmo horário, criticou Lula e o STF e pediu um “voto de revolta” para vencer no primeiro turno. Renan Santos fez uma live em frente à sede da Globo, no Rio. A ABERT, a ANJ e a ANER divulgaram nota conjunta manifestando “profunda indignação” e chamando o episódio de “agressão à liberdade de imprensa”.

O cancelamento também desgastou a imagem de Lula e Flávio nas redes sociais, segundo estudo da AP Exata divulgado nesta sexta-feira (2): Flávio sofreu o maior desgaste, e a diferença negativa entre os dois candidatos passou de 3,45 para 5,41 pontos.

O contexto do primeiro turno

A dois dias da votação, Lula lidera com 45% dos votos válidos contra 40% de Flávio Bolsonaro, segundo levantamento Datafolha citado pelo Portal Tela. Lula justificou a ausência criticando o formato: “esses debates estão infrutíferos, não produzem nada”. Em vez do debate, ele deu uma entrevista de duas horas ao podcast Flow — que o presidente classificou como um “desastre para a Globo”, e não para sua campanha.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.