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Cancelamento do debate da Globo desgastou imagem de Lula e Flávio nas redes, diz estudo

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Resumo da Notícia

  • Estudo da AP Exata divulgado nesta sexta (2) mostra que o cancelamento do debate da Globo afetou a imagem de Lula e Flávio Bolsonaro nas redes sociais, segundo a CNN Brasil.
  • Flávio sofreu o maior desgaste: a diferença negativa entre os dois candidatos passou de 3,45 para 5,41 pontos.
  • O debate iria ao ar na quinta (1º), mas a Globo cancelou após decisões do TSE e do STF que criaram “insegurança jurídica”, na avaliação da emissora.

O cancelamento do debate presidencial da Globo afetou a imagem de Lula e de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, segundo um estudo da AP Exata divulgado nesta sexta-feira (2) e noticiado pela CNN Brasil.

O senador sofreu o maior desgaste: a diferença negativa entre os dois candidatos na medição de imagem passou de 3,45 para 5,41 pontos após o cancelamento.

Os números da AP Exata

Na medição feita na manhã de sexta-feira (2), as menções positivas a Lula nas redes sociais somaram 43,27%, uma queda de 0,52 ponto percentual em relação ao dia anterior. Flávio Bolsonaro registrou 37,86% de menções positivas, com recuo bem mais acentuado, de 2,48 pontos percentuais.

Com isso, a diferença entre os dois candidatos — que era de 3,45 pontos — subiu para 5,41 pontos, ampliando a vantagem de imagem de Lula sobre Flávio no ambiente digital. O levantamento foi divulgado pela CNN Brasil.

O estudo mostra que, embora os dois candidatos tenham perdido terreno nas redes após o episódio, o desgaste foi assimétrico: a queda de Flávio foi quase cinco vezes maior que a de Lula, em pontos percentuais.

A sequência de decisões

O cancelamento foi o desfecho de uma sequência de decisões judiciais que mudaram as regras do debate poucas horas antes da transmissão. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da coligação do PT e proibiu a exibição do púlpito vazio com o nome de Lula e as perguntas de 30 segundos direcionadas ao candidato ausente.

A decisão contrariou uma ata assinada por todos os partidos — inclusive o PT — que previa exatamente esse formato: púlpito vazio com placa de identificação do ausente e a possibilidade de os presentes formularem perguntas a ele em uma das rodadas.

Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate, a pedido do Solidariedade. A regra legal exige convite obrigatório apenas para candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso. A Globo havia convidado quatro candidatos: Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Lula.

Romeu Zema entrou no debate por decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques — que reverteu entendimento anterior da ministra Cármen Lúcia sobre a contagem de parlamentares. Havia expectativa de que Zema renunciasse à participação e declarasse apoio a Flávio ao vivo, no ar.

Flávio, que havia confirmado presença, desistiu cerca de duas horas antes do horário previsto, alegando “censura” do TSE ao formato planejado. Lula já havia avisado na quarta-feira (30) que não iria ao debate. Após desistir, Flávio fez uma live no horário do programa, criticando o TSE e culpando Lula pelo cancelamento.

Reações e desdobramentos

O cancelamento provocou uma onda de reações no meio político e na imprensa. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o Judiciário interferiu no debate público e alertou: “O Judiciário vai ser descredibilizado por conta do próprio Judiciário. Isso é muito grave”, segundo o portal VV8. Para Tarcísio, “o eleitor foi o grande prejudicado quando as intervenções do Judiciário afetam o debate público”.

Romeu Zema disse, em vídeo nas redes sociais, que “quem perde é o Brasil e a democracia”. Ronaldo Caiado (PSD) chamou o cancelamento de “atentado à democracia brasileira” e culpou a desistência de Lula. A ABERT, a ANJ e a ANER divulgaram nota conjunta manifestando “profunda indignação” e classificando o episódio como uma “agressão à liberdade de imprensa”.

Lula, por sua vez, ironizou o episódio em ato de campanha no Rio de Janeiro e disse que o cancelamento foi um “desastre” para a emissora, não para ele. O presidente afirmou ainda que sua entrevista ao Flow Podcast, exibida no mesmo horário do debate, teve mais audiência que a novela da Globo — a transmissão acumulou 11 milhões de visualizações até a tarde de sexta-feira, segundo o Metrópoles, com pico de 1,6 a 1,7 milhão de espectadores simultâneos, de acordo com a Veja.

O cancelamento

O debate iria ao ar na noite de quinta-feira (1º), mas a Globo cancelou o programa após as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que, na avaliação da emissora, criaram “insegurança jurídica” para a realização do confronto.

Em nota, a emissora citou duas notificações judiciais e falou em “insegurança jurídica” e “interferência indevida” na liberdade dos veículos de imprensa de organizar debates eleitorais. Nenhuma decisão judicial, porém, ordenou o cancelamento do programa — a desistência foi uma decisão editorial da Globo diante do cenário criado pelas determinações.

O debate seria o último antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). Com o cancelamento, os eleitores perderam a última oportunidade de ver os candidatos frente a frente na televisão antes da votação — e, segundo a AP Exata, os dois principais candidatos pagaram o preço nas redes sociais, com Flávio Bolsonaro sofrendo o desgaste mais intenso.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.