
Resumo da Notícia
- Nasdaq fechou em recorde histórico de 27.477,31 pontos (+1,1%) na segunda-feira (5), puxado por Nvidia, Microsoft, Meta e Tesla
- S&P 500 subiu 0,7% e Dow Jones avançou 0,2%, segundo a Reuters
- O movimento reflete a força das big techs e as expectativas sobre IA e juros nos EUA
Wall Street fechou em alta nesta segunda-feira (5), com o Nasdaq registrando um novo recorde histórico de fechamento. O índice de tecnologia saltou 286,45 pontos, ou 1,1%, e encerrou o pregão aos 27.477,31 pontos — a maior marca já registrada no fechamento, segundo a Reuters.
O movimento foi puxado pela força das gigantes de tecnologia. As ações da Nvidia subiram 1,1%, oscilando perto da máxima histórica atingida na sessão anterior, enquanto Meta, Microsoft e Tesla registraram altas superiores a 1%. Sete dos 11 setores do S&P 500 fecharam no azul, com serviços de comunicação e serviços públicos liderando os ganhos.
O S&P 500 avançou 51,23 pontos, ou 0,7%, para 7.773,95 pontos. Já o Dow Jones subiu 90,94 pontos, ou 0,2%, e fechou aos 51.267,90 pontos, em um dia em que as ações americanas devolveram parte dos ganhos perto do fim do pregão, após forte desempenho durante a maior parte da sessão.
O que impulsionou a alta
A força em Wall Street refletiu, em parte, a diminuição das preocupações com as perspectivas para as taxas de juros nos Estados Unidos, após a divulgação de dados de inflação e emprego na semana passada.
Um relatório do Departamento de Comércio mostrou que a taxa anual de crescimento dos preços ao consumidor ficou abaixo das estimativas dos economistas em agosto. Já o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho indicou um crescimento do emprego muito mais fraco que o esperado em setembro.
Após os relatórios, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicou que as chances de o Federal Reserve elevar os juros em 0,25 ponto percentual ainda neste mês despencaram para 23,8%, ante 70,9% uma semana antes. Na quarta-feira, o Fed divulga a ata de sua mais recente reunião de política monetária, que pode trazer novas pistas sobre os rumos dos juros.
Apesar da redução das expectativas de alta iminente, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a subir ao longo da sessão, gravitando próximos das máximas de vários anos — um sinal de que o apetite por risco segue moderado.
Tecnologia e software em destaque
As ações de tecnologia lideraram as negociações desde a abertura. As empresas do setor de software estiveram entre as que mais se valorizaram: o índice de software e serviços do S&P 500 subiu 1,4%.
O destaque individual do dia foi a PTC, que disparou 34,6% — a maior alta do S&P 500 — após a francesa Schneider Electric concordar em adquirir a empresa de software em uma transação em dinheiro de US$ 22,6 bilhões.
Nem tudo foi festa no setor de tecnologia: as ações do segmento de chips tiveram desempenho fraco no início do pregão, com o índice de chips da Filadélfia recuando 0,3%, mostrando que o rali foi seletivo e concentrado nos nomes ligados a software e inteligência artificial.
O pano de fundo: IA e juros
O recorde do Nasdaq se insere em um ciclo de valorização das empresas ligadas à inteligência artificial, que vêm sustentando as bolsas americanas ao longo de 2026. A Nvidia, principal beneficiária da corrida da IA, segue próxima de suas máximas históricas, e o mercado acompanha de perto cada sinal sobre os investimentos das big techs em infraestrutura de IA.
Ao mesmo tempo, os investidores calibram as apostas sobre os juros. A combinação de inflação abaixo do esperado e emprego fraco reforçou a leitura de que o Fed pode manter uma postura menos agressiva — embora os rendimentos elevados dos Treasuries mostrem que parte do mercado ainda precifica cautela.
E o Brasil?
O bom humor em Wall Street contrasta com a cautela recente no mercado brasileiro. Na semana passada, o Ibovespa e o dólar reagiram às tensões em torno do petróleo e à geopolítica do Oriente Médio, em um movimento que mostrou como fatores externos seguem influenciando os preços dos ativos no país.
Para os investidores brasileiros, o desempenho das bolsas americanas funciona como termômetro do apetite global por risco — e um Nasdaq em recorde histórico costuma ser lido como sinal de confiança, ainda que seletiva, na economia dos Estados Unidos.
O que observar agora
Os próximos dias trazem eventos capazes de mexer com os mercados. A ata do Fed, na quarta-feira, pode esclarecer o grau de preocupação da autoridade monetária com a inflação e o emprego. Além disso, o mercado segue atento aos rendimentos dos Treasuries, que permanecem próximos das máximas de vários anos e funcionam como um freio natural para as ações.
Se o alívio nas expectativas de juros se confirmar e as big techs mantiverem o ritmo, o Nasdaq pode engatar uma sequência de recordes. Mas qualquer sinal de aperto monetário ou de desaceleração nos investimentos em IA tem potencial para interromper a festa — e devolver a volatilidade a Wall Street.
