
Resumo da Notícia
- A Ucrânia lançou um dos maiores ataques de drones contra a região de Moscou em dois anos, na madrugada desta terça (6)
- Os números oficiais divergem entre as agências: o balanço segue preliminar e em fluxo
- O alvo aparente foi o maior depósito de petróleo da região, em meio à escalada da “guerra da energia”
A Ucrânia lançou na madrugada desta terça-feira (6) um dos maiores ataques de drones contra a região de Moscou em dois anos, segundo autoridades russas. A ofensiva, com centenas de aeronaves não tripuladas lançadas entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça, atingiu a capital russa e municípios vizinhos, deixando mortos, feridos e casas destruídas — mas os números oficiais ainda divergem entre as agências de notícias, em um indicativo de que o balanço do ataque segue em fluxo.
Segundo a CNN Brasil, citando as autoridades russas, o ataque deixou 1 morto, 6 feridos e teve 105 drones destruídos nas proximidades de Moscou. Já a Reuters, em atualização posterior com base em declarações do governador da região de Moscou, Andrei Vorobyov, informa um saldo maior: 2 mortos e 9 feridos, com mais de 650 drones lançados em direção à capital russa. Os números são preliminares e divergem entre as fontes — um retrato da dificuldade de confirmar informações em meio a uma ofensiva ainda em avaliação.
O que se sabe sobre a ofensiva
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou na manhã de terça-feira que mais de 650 drones ucranianos foram lançados em uma onda em direção à capital entre as 20h30 de segunda-feira (17h30 GMT) e as 5h da manhã de terça-feira, segundo a Reuters. A maior parte foi derrubada ainda a distância pelas defesas aéreas, e 105 deles foram destruídos já nas proximidades da cidade.
O governador Andrei Vorobyov, por sua vez, declarou que 185 drones foram abatidos em 16 municípios da região de Moscou ao longo da noite. Ele informou inicialmente, em mensagem no Telegram, que havia uma morte confirmada — um jovem de 20 anos atingido no povoado de Radumlya, no distrito de Solnechnogorsky — e seis feridos. Horas depois, atualizou o balanço para dois mortos e nove feridos: além do jovem, um homem de 71 anos foi retirado dos escombros de uma casa destruída.
Segundo Vorobyov, o ataque danificou 47 casas particulares em sete municípios da região — “um dos maiores ataques com drones” já registrados na área, nas palavras do governador. As autoridades locais também relataram um incêndio em um armazém na região de Moscou, citado pela agência estatal Tass.
Em Domodedovo, cidade ao sul da capital que abriga o terceiro maior aeroporto do país, equipes trabalhavam na manhã de terça-feira para restabelecer a eletricidade em vilarejos atingidos pelos drones, informou o chefe da administração local.
Alvo: o maior depósito de petróleo da região
Um dos alvos aparentes da ofensiva foi uma instalação estratégica do setor energético russo. Canais de monitoramento e veículos como o Kyiv Independent relataram que drones ucranianos atingiram o Centro Linear de Produção e Despacho de Volodarsk, perto do vilarejo de Konstantinovo, a cerca de 40 quilômetros do centro de Moscou.
A instalação, descrita pelo veículo investigativo russo Astra como o maior depósito de petróleo da região de Moscou, é operada pela Transnefteprodukt, parte da estatal Transneft. A unidade tem capacidade para movimentar até 3 milhões de toneladas de produtos petrolíferos por ano — incluindo gasolina, combustível de aviação e diesel — e abastece os três principais aeroportos da capital: Vnukovo, Domodedovo e Sheremetyevo.
Imagens de moradores de Konstantinovo, que circularam nas redes sociais, mostraram chamas e uma coluna de fumaça saindo da instalação. O Kyiv Independent afirmou não ter conseguido verificar os relatos de forma independente, e as autoridades russas não confirmaram oficialmente o dano à unidade.
O ataque à infraestrutura energética não parece casual. Na segunda-feira, o Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que mais da metade da capacidade de refino de petróleo da Rússia já havia sido colocada fora de operação pelas forças ucranianas — “mais de 51%”, segundo a pasta, em publicação na rede social X. O ministério citou ataques recentes a refinarias e instalações em Moscou, Yaroslavl, Kirishi, Ust-Luga, Perm, Ilsky, Saratov e Syzran, entre outros locais.
No domingo, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky havia dito que Kiev intensificaria os ataques, em resposta à tentativa de Moscou de forçar a rendição ucraniana por meio de bombardeios. “Temos que responder de qualquer maneira. Com os ataques deles à nossa energia, temos que responder à energia deles. Em primeiro lugar, as refinarias de petróleo: o que dá dinheiro a eles para esta guerra”, declarou.
Ataques cruzados e escalada
A ofensiva ucraniana ocorre em um contexto de escalada mútua. Enquanto os drones voavam em direção a Moscou, a Rússia mantinha seus próprios ataques contra cidades ucranianas. Na noite de segunda-feira, destroços de um drone russo caíram em uma área residencial do distrito de Pecherskyi, em Kiev, destruindo dois carros e danificando um terceiro, segundo um repórter no local.
Em Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia, um ataque russo a um prédio residencial deixou pelo menos cinco feridos, informou Mykhailo Semikin, chefe interino da administração militar regional. O serviço de emergência ucraniano disse que outras 11 pessoas foram resgatadas do edifício, e as operações de busca foram concluídas.
As autoridades russas também relataram feridos em outras regiões: uma pessoa ficou ferida na região de Smolensk e duas na região fronteiriça de Bryansk, em decorrência dos ataques noturnos.
A Rússia afirmou que planeja intensificar os ataques contra alvos de infraestrutura, inclusive em Kiev, à medida que o inverno se aproxima — uma ameaça que remete às campanhas anteriores de Moscou contra a rede energética ucraniana nos meses frios.
A guerra da energia e o reflexo global
O ataque desta terça-feira reforça uma tendência que vem marcando o conflito: a guerra travada também no campo da energia. A Ucrânia tem mirado sistematicamente a infraestrutura petrolífera russa para reduzir a receita que financia o esforço de guerra de Moscou, enquanto a Rússia tenta degradar a capacidade energética ucraniana antes do inverno.
Essa dimensão energética do conflito tem reverberações globais. Em outras frentes, as tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem pressionando o mercado internacional de petróleo, com o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo — sob ameaça iraniana. A combinação de conflitos em regiões produtoras e de trânsito de energia mantém os preços do barril sob pressão em todo o planeta.
Para o Brasil, que acompanha os dois tabuleiros com atenção, os desdobramentos têm impacto direto: o preço internacional do petróleo influencia os combustíveis e a inflação no país, enquanto a instabilidade geopolítica afeta mercados e cadeias de suprimento.
Os próximos dias devem trazer um balanço mais consolidado do ataque a Moscou — e, possivelmente, a resposta russa. Com os números ainda divergentes entre as agências e as investigações em andamento, a dimensão exata da ofensiva só ficará clara nas próximas horas.
Leia mais
- Irã diz que Estreito de Ormuz só reabre se EUA cumprirem 7 condições
- Crise na Bolívia: vice-presidente acusa governo de tramar prisão
