
Resumo da Notícia
- Ataques na noite de segunda-feira atingiram os aeroportos de Jazan e Najran, no sul da Arábia Saudita, deixando 3 feridos leves e danos materiais, confirmou a autoridade de aviação civil do reino
- Os houthis do Iêmen reivindicaram uma operação ampla com mísseis balísticos, de cruzeiro e drones — mas Riade não confirmou os alvos alegados pelo grupo, como o aeroporto de Riade e uma refinaria da Aramco
- A escalada ocorre em meio à contraofensiva do governo iemenita apoiada por Riade e ao anúncio de envio de tropas da Turquia e do Paquistão ao reino
Ataques na noite de segunda-feira (5) atingiram os aeroportos internacionais de Jazan e Najran, no sul da Arábia Saudita, deixando 3 feridos leves e danos materiais. A informação foi confirmada nesta terça-feira (6) pela Autoridade de Aviação Civil do reino (GACA), em meio à escalada das hostilidades entre os houthis do Iêmen — apoiados pelo Irã — e a coalizão liderada por Riade.
Os dois aeroportos ficam próximos à fronteira com o Iêmen: o Aeroporto Internacional Rei Abdullah bin Abdulaziz, em Jazan, cidade no Mar Vermelho de uso duplo civil-militar, e o Aeroporto Internacional de Najran. Segundo a GACA, os feridos tiveram lesões leves, e a autoridade informou estar avaliando os danos e tomando medidas para garantir a segurança de passageiros, funcionários e do sistema de aviação civil saudita.
O que os houthis reivindicam
O porta-voz militar houthi, o general de brigada Yahya Saree, afirmou na noite de segunda que o grupo realizou três operações militares com “um grande número de mísseis balísticos e de cruzeiro e drones”, segundo relatos das agências AFP e Reuters.
Na versão do grupo, a primeira operação teria mirado o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, com alegado “acerto direto e preciso” e interrupção do tráfego aéreo. A segunda teria atingido uma refinaria da Aramco em Rabigh, na região de Meca, provocando um incêndio. A terceira, ainda segundo Saree, teria como alvos o aeroporto de Abha, a base de Khamis Mushait, o acampamento Akafa, na província de Asir, e “locais sensíveis” em Najran e Jazan.
É importante separar reivindicação de fato confirmado: a Arábia Saudita confirmou danos apenas nos aeroportos de Jazan e Najran. Riade não confirmou que o aeroporto da capital ou a refinaria da estatal petrolífera tenham sido atingidos. Explosões foram ouvidas em Riade na noite de segunda, segundo a AFP, mas sem confirmação oficial de danos. O Washington Examiner ressalta ainda que a própria GACA não nomeou explicitamente os houthis como autores dos ataques em seu comunicado.
Saree também lançou um alerta direto às companhias aéreas: advertiu “todas as companhias aéreas internacionais que usam o espaço aéreo saudita” a suspender os voos, com exceção das rotas sobre Meca e Medina — alegando que o espaço aéreo do reino agora é “área de operações” do grupo. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) já mantinha alertas para a região, citando o risco de ataques com mísseis e drones e o perigo de “identificação errada de aeronaves civis” pelas defesas aéreas, segundo o Wall Street Journal.
O contexto: contraofensiva no Iêmen
Os ataques ocorrem no momento mais tenso do conflito iemenita em anos. As forças do governo do Iêmen — reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita desde 2015 — lançavam uma grande contraofensiva para retomar territórios após semanas de avanços houthis, com Riade intensificando os bombardeios em apoio, segundo a AFP e a Reuters.
Na segunda-feira, o governo iemenita afirmou ter retomado a cidade portuária de Moca (Mocha) e a área de Bab el-Mandeb — rota crucial no Mar Vermelho por onde passa parte expressiva do comércio mundial. Os houthis negaram: Saree afirmou no Telegram que o grupo mantém “controle total” das posições avançadas. A verificação independente é praticamente impossível, dado o acesso restrito de jornalistas à zona de conflito.
A coalizão saudita, por sua vez, atacou alvos houthis em Hodeida, o principal porto sob controle do grupo. O porta-voz da coalizão, Turki al-Maliki, disse no X que forças navais destruíram “depósitos de armas, embarcações-bomba e minas navais” e “frustraram um plano de ataque” nas vias do sul do Mar Vermelho, segundo a AFP.
O conflito no Iêmen foi reativado em julho de 2026, após anos de uma trégua frágil. Saree afirmou que as operações houthis desta semana foram uma resposta a 60 ataques aéreos sauditas nas 24 horas anteriores — números do próprio grupo, sem verificação independente. O Ministério das Relações Exteriores saudita condenou na segunda-feira o que chamou de “ataques terroristas houthis” contra civis e instalações civis e econômicas, citando alvos em Meca, Medina, Riade, Abha, Khamis Mushait, Jazan, Najran, Taif e Yanbu.
Turquia e Paquistão anunciam tropas
Em um sinal da gravidade da escalada, a Turquia e o Paquistão anunciaram na segunda-feira (5) a “mobilização rápida” de tropas para a Arábia Saudita, como parte de uma nova aliança de defesa entre os três países. A função exata das tropas não foi especificada. A França também havia anunciado o envio de tropas ao reino em 25 de setembro, segundo o G1.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reagiu: “Esses ataques continuam desestabilizando a região, inflamando mais violência e minando a segurança energética global”, afirmou, segundo o Wall Street Journal.
O tabuleiro energético e o Irã
A escalada no Iêmen não acontece isolada. Os houthis são apoiados pelo Irã — e Teerã tem usado a ameaça ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, como moeda de pressão em sua queda de braço com os Estados Unidos. A combinação de conflitos em regiões produtoras e rotas de trânsito de energia mantém o mercado internacional de petróleo sob tensão permanente, como mostrou a recente queda do Brent em meio ao aumento da oferta global.
Uma fonte anônima do setor de energia disse à AFP que um ataque no domingo interrompeu o bombeamento pelo oleoduto Leste-Oeste saudita até o Mar Vermelho — artéria crítica das exportações do reino. A informação, de fonte única, não foi confirmada oficialmente.
Para o Brasil, que acompanha os dois tabuleiros com atenção, os desdobramentos têm impacto direto: o preço internacional do petróleo influencia combustíveis e inflação no país, enquanto a instabilidade geopolítica afeta mercados e cadeias de suprimento.
Com os aeroportos de Jazan e Najran avaliando danos, as companhias aéreas em alerta e as tropas turcas e paquistanesas a caminho, a semana promete novos capítulos. A pergunta que paira sobre a região é se a escalada vai se conter no Iêmen — ou se o Mar Vermelho e o Golfo vão virar o próximo palco de uma crise maior.
Leia mais
- Irã diz que Estreito de Ormuz só reabre se EUA cumprirem 7 condições
- Petróleo cai quase 2% com oferta acima do pré-guerra
