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Exportações à UE sobem 30,7% após acordo e somam US$ 44,17 bi no ano

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Cinco meses depois de entrar em vigor, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia já aparece com força nos números do comércio exterior brasileiro. Entre maio e setembro de 2026, as exportações do Brasil para o bloco europeu cresceram 30,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas ao bloco somaram US$ 44,17 bilhões, uma alta de 20% sobre os nove primeiros meses de 2025 — e a tendência é de que o ritmo continue elevado até o fim do ano.

Setembro foi o mês mais forte do ano

O desempenho mais impressionante veio em setembro. Sozinho, o mês registrou US$ 6,95 bilhões em embarques para a Europa, um salto de 60,1% na comparação com setembro de 2025. O resultado confirma que a aceleração não foi um movimento isolado dos primeiros meses de vigência do tratado: à medida que empresas foram se adaptando às novas regras e aproveitando as desonerações tarifárias, o fluxo de mercadorias ganhou ainda mais fôlego.

Entre os principais produtos enviados à Europa estão petróleo bruto, café não torrado, farelo de soja, minério de cobre e soja em grão. A lista mostra um perfil ainda fortemente apoiado em commodities e produtos do agronegócio, mas o acordo abre espaço para diversificação, com redução gradual de tarifas e simplificação de procedimentos aduaneiros que podem beneficiar também bens industrializados e produtos de maior valor agregado.

Um tratado que levou quase 27 anos para sair do papel

O acordo entre Mercosul e União Europeia foi negociado por quase 27 anos até entrar em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026. A vigência é provisória porque o tratado ainda depende de etapas de ratificação, mas os efeitos práticos — queda de tarifas e facilitação de comércio — já estão valendo para exportadores e importadores dos dois lados.

O mercado europeu reúne cerca de 451 milhões de consumidores e, já em 2025, antes mesmo do acordo, era o segundo maior destino das exportações brasileiras, com 14,3% do total vendido pelo país ao exterior, o equivalente a US$ 49,8 bilhões, atrás apenas da China. Com a redução de barreiras, a expectativa é de que essa participação cresça nos próximos anos e de que a Europa ganhe ainda mais peso na pauta exportadora nacional.

O intercâmbio total entre Mercosul e União Europeia também avançou: desde a entrada em vigor do acordo, a corrente de comércio entre os dois blocos cresceu mais de US$ 6 bilhões. “As exportações brasileiras tiveram uma alta de 10,4% em 2026. Só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao apresentar o balanço.

Agro é o grande motor do crescimento

O agronegócio aparece como o principal beneficiado do novo cenário. Além das vendas diretas à Europa, o Brasil alcançou em 2026 a marca de 700 novos mercados internacionais abertos para produtos agropecuários desde o início de 2023, em 99 destinos diferentes — resultado de autorizações sanitárias e acordos que ampliaram o mapa comercial do setor.

Nos estados, o efeito já é sentido. O Paraná, um dos maiores exportadores do agro brasileiro, vendeu US$ 2,46 bilhões à União Europeia em 2025, o equivalente a 10,4% de tudo o que o estado exportou naquele ano. O principal produto paranaense no bloco é o farelo de soja, com cerca de US$ 950 milhões, seguido pela carne de frango in natura, com aproximadamente US$ 187 milhões. Com tarifas menores e regras mais previsíveis, cadeias como as de soja, carnes, madeira e produtos agroindustriais tendem a ampliar volumes e conquistar novos compradores europeus.

Nem tudo é efeito do acordo — e isso exige cautela

Apesar do entusiasmo, os cinco primeiros meses ainda são um período curto para atribuir todo o crescimento ao tratado. Preços internacionais de commodities, variação do câmbio e tamanho das safras também empurram os números para cima ou para baixo, independentemente das tarifas. O dólar próximo de R$ 5, por exemplo, reduz a receita em reais dos exportadores, ainda que os valores em dólar estejam em alta.

Para as empresas, a mudança mais concreta está no dia a dia da operação. A redução gradual de tarifas diminui o custo de entrada dos produtos brasileiros no mercado europeu, enquanto a simplificação de procedimentos e a maior previsibilidade das regras sanitárias e aduaneiras reduzem o risco de embarques travados em portos e aeroportos. Na prática, grandes companhias do setor agroindustrial e de bens intermediários já reorganizaram rotas logísticas para aproveitar a nova janela, e exportadores de menor porte ganham um ambiente mais seguro para buscar o primeiro contrato com compradores europeus.

Mesmo com essa ressalva, o tamanho do salto — 30,7% no período pós-acordo, contra uma média de crescimento de 10,4% das exportações brasileiras como um todo em 2026 — sugere que o tratado já funciona como um acelerador real do comércio com a Europa. Os próximos meses, com a consolidação das novas regras e a adaptação de mais empresas, dirão se o ritmo se sustenta e se a pauta exportadora consegue avançar para produtos mais elaborados, gerando ainda mais emprego e renda dentro do país.

Leia também: acompanhe no RS Notícias a cobertura completa de economia e comércio exterior, com os dados do agro, os movimentos do câmbio e os temas que afetam empresas, produtores e trabalhadores.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.