
Resumo da Notícia
- A Chapecoense perdeu de virada para o Mirassol por 2 a 1 nesta terça-feira (3), na Arena Condá, pela 34ª rodada do Brasileirão, e se tornou a primeira equipe rebaixada da competição em 2026.
- A Chape saiu na frente com Kauan Faria, de cabeça, aos 11 minutos; Reinaldo empatou de pênalti aos 48 do primeiro tempo, após desperdiçar outra cobrança, e a virada veio aos 11 da etapa final, em gol contra do goleiro Anderson.
- Lanterna com 21 pontos, o time catarinense pode chegar a no máximo 36 nos cinco jogos restantes — menos que os 37 do Grêmio, o primeiro fora do Z4 —, enquanto o Mirassol subiu para 40 pontos e a 12ª colocação.
A Chapecoense é a primeira rebaixada do Brasileirão 2026. Na noite desta terça-feira (3), na Arena Condá, em Chapecó, o time catarinense perdeu de virada para o Mirassol por 2 a 1, em jogo válido pela 34ª rodada, e viu confirmada matematicamente a queda para a Série B de 2027. A Chape chegou a sair na frente e a alimentar a esperança da torcida, mas um empate de pênalti ainda no primeiro tempo e um gol contra do goleiro Anderson na etapa final encerraram, com cinco jogos ainda por disputar, qualquer possibilidade de permanência na elite.
O resultado mantém a Chapecoense na lanterna da competição, com apenas 21 pontos. Do outro lado, a vitória tem peso enorme para o Mirassol: a equipe paulista chegou a 40 pontos, saltou provisoriamente para a 12ª colocação e abriu distância importante da zona de rebaixamento, justamente diante de um adversário direto na parte de baixo da tabela.
Gol cedo, pênalti perdido e empate nos acréscimos
O roteiro do primeiro tempo foi de tirar o fôlego — e, por alguns minutos, pareceu sorrir para o time da casa. Aos 11 minutos, Giovanni Augusto cobrou escanteio e o zagueiro Kauan Faria apareceu na área para cabecear para o fundo das redes: 1 a 0 para a Chapecoense, que vencia um jogo decisivo pela sobrevivência e via a Arena Condá empurrar o time em busca de um milagre na reta final do campeonato.
A vantagem, porém, passou a ser ameaçada pela sequência de pênaltis assinalados pelo árbitro Lucas Paulo Torezin. Ainda na primeira etapa, o Mirassol teve a chance do empate em cobrança de Reinaldo, que desperdiçou a oportunidade ao acertar a trave, para alívio da torcida catarinense. A Chape resistia, mas a pressão paulista seguiu até os acréscimos. Aos 48 minutos, um segundo pênalti foi marcado para os visitantes — lance revisado pelo VAR, que manteve a decisão de campo, sob muita reclamação de jogadores e torcedores da Chapecoense. Desta vez, Reinaldo bateu firme, no canto esquerdo, e empatou a partida: 1 a 1, já no apagar das luzes do primeiro tempo.
A falha que virou o jogo e selou a queda
Se o empate nos acréscimos já era um golpe duro, o lance que definiu a partida virou símbolo da campanha catarinense. Aos 11 minutos do segundo tempo, Shaylon arriscou um chute de fora da área; o goleiro Anderson espalmou a bola para o alto e, ao tentar controlá-la na descida, acabou empurrando para dentro do próprio gol. Gol contra, virada do Mirassol e um silêncio pesado na Arena Condá: o 2 a 1 que se manteve até o apito final decretava, na prática, o rebaixamento da Chapecoense.
A partir daí, o time comandado por Rafael Lacerda precisava de uma reação que não veio. A Chapecoense tentou se lançar ao ataque, mas sem a força necessária para furar a defesa paulista, enquanto o Mirassol, dirigido por Rafael Guanaes, administrou a vantagem com maturidade, segurou o placar e comemorou três pontos que valem ouro na sua própria luta contra a queda.
A matemática que não perdoa
O rebaixamento não depende de nenhum outro resultado: é matemática pura. Com 21 pontos somados, a Chapecoense pode alcançar, no máximo, 36 ao fim do campeonato, somando os cinco jogos que ainda tem pela frente — incluindo uma partida atrasada. O problema é que o Grêmio, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, já tem 37 pontos. Ou seja, nem vencendo todos os compromissos restantes o Verdão do Oeste consegue deixar o Z4.
A campanha explica o desfecho. Em 33 jogos disputados, a Chapecoense venceu apenas quatro vezes, empatou nove e perdeu 20, com 33 gols marcados e 68 sofridos — a defesa mais vazada entre os piores números do campeonato. O time passou 23 rodadas consecutivas na lanterna e 26 dentro da zona de rebaixamento, num ano em que os sinais de alerta apareceram cedo, como na goleada por 4 a 1 sofrida para o Athletico-PR, ainda no primeiro turno, e nunca foram devidamente respondidos dentro de campo.
É o terceiro rebaixamento da Chapecoense na era dos pontos corridos, depois das quedas de 2019 e 2021. Desta vez, o retorno à Série B acontece apenas um ano depois do acesso conquistado em 2025 — um bate-volta amargo para um clube que, em poucas semanas, verá completar uma década da tragédia aérea de 2016, capítulo que tornou a reconstrução da Chape um símbolo de resistência do futebol brasileiro.
Mirassol respira e se afasta do Z4
Para o Mirassol, a noite foi de alívio completo. A equipe paulista começou a rodada na 16ª colocação, colada na zona de rebaixamento, e terminou em 12º, com 40 pontos — quatro a mais que o Corinthians, primeiro time dentro do Z4 e que empatou com o Vitória somando um ponto precioso nessa mesma briga contra o rebaixamento. Ganhar fora de casa um confronto direto, de virada e com um gol de pênalti convertido depois de outro desperdiçado, reforça a confiança de um elenco que agora enxerga a permanência bem mais próxima.
A rodada, aliás, mexeu com toda a parte de baixo da tabela: na jornada anterior, o Coritiba venceu o Vitória por 2 a 0 e se afastou da zona de rebaixamento, mostrando o contraste entre quem conseguiu reagir a tempo e quem, como a Chapecoense, não encontrou o caminho das vitórias quando ainda havia margem.
O que resta da temporada
Rebaixada, a Chapecoense agora apenas cumpre tabela nas rodadas finais, mas tem compromissos que interessam diretamente aos rivais na luta contra a queda e na parte de cima da classificação. O próximo é justamente a partida atrasada da 21ª rodada: no dia 14 de novembro, um sábado, às 20h30, o Verdão volta à Arena Condá para receber o Vasco. Já o Mirassol joga no mesmo dia 14, às 18h30, em casa, no Maião, contra o Atlético-MG, buscando confirmar a boa fase e transformar o respiro desta terça em permanência definitiva na Série A.
