Fortaleza – A Polícia Civil do Ceará exonerou dos cargos comissionados os delegados Vicente de Paula Rodrigues e Marcos Sandro Nazaré de Lira, ambos investigados por suposta falha na condução da ocorrência que resultou na apreensão de aproximadamente 290 mil pés de maconha em Acopiara, no último dia 25 de junho.
Vicente de Paula chefiava a Delegacia Municipal de Acopiara, enquanto Marcos Sandro exercia a função de delegado seccional da 4ª Seccional do Interior Sul. A medida, publicada nesta semana, não retira a condição de policiais civis de carreira, mas os impede de ocupar cargos de chefia enquanto durar o processo administrativo disciplinar.
Base legal do afastamento
A decisão foi fundamentada na Lei estadual nº 13.441/2004, que determina o afastamento de servidores da Polícia Civil de cargos de direção quando respondem a processo disciplinar. O texto legal veda a permanência em funções de confiança até a conclusão do julgamento.
Defesa alega precipitação
Em nota, os advogados Leandro Vasques e Seledon Dantas, que representam a Associação dos Delegados de Polícia do Ceará (Adepol-CE), classificaram a abertura do procedimento como “precipitada e desarrazoada”, argumentando não haver investigação preliminar que delimitasse responsabilidades. Para a defesa, a exoneração reforça um “prejulgamento” e expõe o caso a uma “espetacularização” pública.
Destruição da plantação
A Secretaria da Segurança Pública informou ter concluído, em 3 de julho, a incineração controlada da droga. De acordo com o delegado Pedro Viana, diretor do Departamento de Polícia do Interior Sul, o material apontado em vídeo pelo deputado federal André Fernandes (PL) seriam apenas restos de raízes e plantas já queimadas.
Segundo a corporação, a técnica utilizada envolveu a abertura de valas, queima com gasolina e óleo diesel e posterior cobertura com terra, ação acompanhada por Bombeiros, Perícia Forense, Polícia Militar, Vigilância Sanitária, Ministério Público do Ceará e Guarda Municipal, em cumprimento à legislação que exige incineração de entorpecentes apreendidos.
Imagem: Internet
Denúncia e repercussão política
A operação tornou-se alvo de questionamentos após o deputado André Fernandes afirmar que o local havia sido abandonado pela polícia, com drogas ainda ensacadas e parte da plantação de pé. O parlamentar retornou à área em 2 de julho, cavou o terreno e alegou ter encontrado maconha enterrada, contestando a informação do governo estadual sobre a destruição total do material.
O Partido Liberal informou que acionará Ministério Público Federal, Polícia Federal e Ministério Público Estadual para apurar possíveis irregularidades e avaliar eventual ação de improbidade administrativa contra agentes públicos.
Com informações de G1