Estados Unidos fixam tarifa extra de 25% a produtos brasileiros a partir de 22 de julho

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Brasília – O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil. A cobrança, amparada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana de 1974, passa a valer em 22 de julho e, segundo estimativa preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI), pode incidir sobre cerca de US$ 15 bilhões em vendas anuais ao mercado norte-americano.

Itens isentos

Apesar do alcance da medida, itens de maior peso na pauta de embarques brasileiros para os EUA foram poupados. Entre eles estão:

  • carne bovina;
  • café;
  • laranjas e sucos de laranja;
  • petróleo bruto e gás natural;
  • aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais;
  • produtos farmacêuticos e insumos químicos para a indústria de fármacos;
  • semicondutores e equipamentos para sua fabricação;
  • peixes e crustáceos;
  • madeira tropical selecionada;
  • mel orgânico;
  • ferro-gusa;
  • castanhas;
  • celulose e pastas químicas de madeira;
  • helicópteros;
  • motores aeronáuticos;
  • alguns minérios e produtos metálicos estratégicos.

Produtos atingidos pela alíquota de 25%

Entre os principais itens que sofrerão a sobretaxa estão:

  • etanol;
  • máquinas agrícolas;
  • vestuário;
  • maquinário elétrico;
  • calçados;
  • ferramentas de jardinagem;
  • equipamentos de mineração;
  • papel;
  • açúcar orgânico;
  • bens de capital e manufaturados em geral;
  • diversos produtos químicos;
  • itens industriais processados.

Motivos alegados por Washington

No relatório da investigação, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sustenta que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio bilateral. Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos instantâneos PIX, barreiras ao etanol norte-americano, desmatamento ilegal e pirataria.

Condições e possibilidade de revisão

A nova tarifa não será aplicada às mercadorias que já tiverem deixado portos brasileiros rumo aos EUA antes de 22 de julho. O governo norte-americano sinalizou que a medida pode ser revista ou suspensa caso o Brasil altere as práticas contestadas.

Cenário de tarifas acumuladas

Parte das exportações brasileiras já enfrenta sobretaxas impostas pelos EUA, sobretudo para aço e alumínio, enquadradas na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. Além disso, Washington conduz outra investigação que pode resultar em tarifa adicional de 12,5% sobre produtos de 60 economias, incluindo o Brasil, por suposto uso de trabalho forçado em cadeias de suprimentos. Caso as duas medidas sejam cumulativas, a sobretaxa poderia alcançar 37,5% para determinados itens brasileiros.

Negociações sem acordo

A decisão de Washington ocorre após um ano de tentativas de entendimento entre os dois governos. Autoridades brasileiras realizaram diversas reuniões nas últimas semanas, mas não conseguiram barrar a imposição da tarifa. Segundo fontes do Palácio do Planalto, temas como o PIX, o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e a proposta de moratória tributária para plataformas digitais foram considerados inegociáveis por Brasília.

Próximos passos do Brasil

O governo federal avalia agora a resposta ao tarifário. Entre as opções discutidas estão o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite retaliar na mesma proporção, ou a continuidade de negociações diplomáticas com a Casa Branca.

As tarifas anunciadas nesta quinta-feira somam-se às já vigentes e elevam a tensão comercial entre os dois países em meio a divergências sobre políticas ambientais, digitais e de comércio agrícola.

Com informações de G1

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.