
Resumo da Notícia
- O comentarista Felipe Melo analisou as atuações da seleção brasileira na Data Fifa de outubro e afirmou que a equipe “tem dado passos para trás”, segundo o ge.
- A crítica veio mesmo após a goleada por 4 a 0 sobre a Índia, neste sábado (3), em Calcutá — para o ex-volante, o placar elástico não esconde a regressão do time.
- As declarações dão sequência às broncas feitas após o empate com a Austrália, quando Felipe Melo disse ter visto uma seleção pior do que a da Copa do Mundo.
Nem mesmo a goleada por 4 a 0 sobre a Índia, neste sábado (3), em Calcutá, foi suficiente para convencer Felipe Melo. O ex-volante da seleção brasileira e atual comentarista do Sportv analisou as atuações do Brasil nesta Data Fifa de outubro e foi direto: a equipe “tem dado passos para trás”. A declaração, destacada pelo ge, resume o tom das análises do ex-jogador sobre o início do novo ciclo da Amarelinha sob o comando de Carlo Ancelotti.
Para Felipe Melo, o placar elástico diante dos indianos não apaga o que ele enxerga como uma regressão do time em relação ao que foi apresentado na Copa do Mundo de 2026. O Brasil venceu com autoridade em Calcutá, mas o comentarista entende que o nível de atuação segue abaixo do esperado para uma seleção que precisa se reconstruir após o Mundial.
Nem a goleada convenceu
O Brasil encerrou a Data Fifa com vitória convincente no placar: 4 a 0 sobre a Índia, em amistoso disputado em Calcutá. Foi o terceiro compromisso da equipe nesta janela — depois de dois jogos contra a Austrália — e o resultado mais elástico do período. Em campo, os brasileiros dominaram do início ao fim e deram minutos a jogadores pouco utilizados, em mais um teste do técnico italiano.
Mesmo assim, a análise de Felipe Melo vai além do placar. Para o comentarista, a goleada sobre a Índia não pode mascarar os problemas de construção de jogo, de intensidade e de padrão coletivo que ele já havia apontado nos compromissos anteriores. Na visão do ex-volante, vencer um adversário tecnicamente inferior era obrigação — e não parâmetro para medir evolução.
O fim de semana foi de goleadas no futebol internacional — a Inglaterra também aplicou 7 a 0 na Croácia pela Liga das Nações —, mas, para Felipe Melo, o contexto brasileiro é diferente: enquanto os ingleses atropelaram um adversário tradicional do futebol europeu, o Brasil fez o esperado contra uma seleção modesta, sem mostrar o salto de qualidade que o torcedor espera de um novo ciclo.
A bronca depois do empate com a Austrália
As críticas de agora não surgiram do nada. Elas dão sequência ao que Felipe Melo já havia dito após o empate da seleção com a Austrália, no dia 25 de setembro, em Townsville, no primeiro amistoso do Brasil depois da Copa do Mundo. Na ocasião, o comentarista não poupou o time de Ancelotti e afirmou, em participação no Sportv, que viu em campo uma seleção pior do que a do Mundial, segundo o Lance!.
— O que a gente viu nesse primeiro jogo, pós-Copa do Mundo, é uma Seleção pior do que aquela Seleção que vimos na Copa do Mundo. É claro que o treinador tem que ser cobrado; ele é o líder — disse Felipe Melo na ocasião.
O ex-jogador também cobrou atitude dos atletas naquele empate: para ele, os jogadores entraram em campo com falta de vontade e uma postura inadmissível com a camisa da seleção brasileira. A avaliação dura encontrou eco entre torcedores que esperavam um recomeço mais convincente no ciclo pós-Mundial — e ajuda a explicar por que, mesmo após o 4 a 0 sobre a Índia, o comentarista mantém o discurso de regressão.
Ancelotti no centro das cobranças
Na análise de Felipe Melo, o principal alvo das críticas é o próprio treinador. O comentarista já havia afirmado, antes mesmo da Data Fifa, que Carlo Ancelotti estava devendo no comando da seleção, com avaliação negativa do trabalho desde a Copa do Mundo. Em participação no Sportv em setembro, ele foi direto, segundo o Lance!: para ele, a avaliação do italiano já começou — e já está negativa.
Para o ex-volante, Ancelotti, que assumiu a seleção com a missão de devolver o Brasil ao protagonismo mundial, ainda não conseguiu imprimir um padrão de jogo consistente. Os amistosos de outubro — contra a Austrália (duas vezes) e a Índia — eram vistos como a oportunidade ideal para mostrar evolução, testar alternativas e dar cara nova ao time. Na avaliação de Felipe Melo, a oportunidade não foi aproveitada como deveria.
A cobrança ao treinador não é isolada. Desde que assumiu, o italiano convive com a pressão por resultados e por desempenho: a torcida brasileira, acostumada a exigir protagonismo, não aceita atuações burocráticas mesmo em amistosos. E o discurso de “novo ciclo” só se sustenta se vier acompanhado de futebol convincente em campo — algo que, para o comentarista, ainda não apareceu.
Novo ciclo, velhos problemas
O período pós-Copa do Mundo costuma ser de transição: testes, caras novas, esquemas em construção. Ancelotti aproveitou a Data Fifa para observar jogadores e ampliar as alternativas do elenco, dando minutos a novatos — como se viu na goleada sobre a Índia, marcada pelo show dos recém-convocados.
O problema, na visão de Felipe Melo, é que a transição parece estar indo na direção errada. Quando ele diz que a seleção “tem dado passos para trás”, o recado é de que o time não apenas estagnou, como regrediu em aspectos que já funcionavam durante o Mundial: intensidade, organização defensiva, agressividade na marcação e repertório ofensivo.
O ex-volante conhece bem o peso da camisa: defendeu o Brasil na Copa do Mundo de 2010 e sabe o nível de cobrança que cerca a seleção. Por isso, suas críticas costumam repercutir — ele fala como quem viveu o ambiente por dentro e não hesita em apontar o que considera errado, seja na postura dos jogadores, seja nas escolhas da comissão técnica.
Vale lembrar que Felipe Melo não é um crítico de ocasião. Ao longo dos últimos meses, ele tem sido uma das vozes mais contundentes na análise da seleção: cobrou mais de Vinicius Júnior com a Amarelinha, questionou a apatia do time em compromissos anteriores e defendeu que a cobrança deve atingir toda a comissão técnica, não apenas o treinador principal. É nesse histórico que se insere a nova bronca após a Data Fifa de outubro.
O que vem pela frente
Com o fim da Data Fifa de outubro, a seleção brasileira agora se prepara para os próximos compromissos do calendário. Ancelotti terá novas janelas para ajustar o time, consolidar os testes feitos contra Austrália e Índia e, principalmente, responder dentro de campo às críticas que se acumulam fora dele.
Para Felipe Melo, o recado está dado: não basta vencer amistosos contra adversários inferiores — é preciso mostrar evolução real, padrão de jogo e mentalidade vencedora. Enquanto isso não acontecer, a lupa do comentarista seguirá sobre a seleção, e a frase “tem dado passos para trás” continuará ecoando como síntese do momento da Amarelinha.
Resta saber se o treinador italiano conseguirá virar a chave nas próximas convocações. O torcedor brasileiro, que acompanhou cada amistoso com expectativa de recomeço, espera mais do que goleadas protocolares: espera uma seleção à altura da história que carrega no peito — e, por enquanto, nem o 4 a 0 em Calcutá foi capaz de calar as críticas.
