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Guarda Costeira encontra destroços de avião médico nos EUA

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Resumo da Notícia

  • A Guarda Costeira dos Estados Unidos localizou um campo de destroços na costa de Nantucket, em Massachusetts, confirmado como pertencente ao jato médico que desapareceu entre Bermudas e Boston.
  • A aeronave, um Gulfstream G100 operado pela canadense Latitude Air Ambulance, transportava seis pessoas: dois pilotos, dois profissionais de saúde, um paciente e um acompanhante.
  • O piloto declarou emergência por falha elétrica antes de perder contato com o controle de tráfego aéreo; as buscas pelos ocupantes continuavam na noite de sábado.

A Guarda Costeira dos Estados Unidos localizou na tarde de sábado (3) um campo de destroços na costa de Nantucket, em Massachusetts, pertencente ao jato médico que havia desaparecido sobre o Oceano Atlântico durante um voo das Bermudas para Boston. A aeronave transportava seis pessoas, e as equipes de busca continuavam trabalhando na área na noite de sábado e ao longo do domingo, segundo comunicado da corporação.

“As equipes de busca da Guarda Costeira localizaram um campo de destroços que foi confirmado como associado à aeronave desaparecida”, informou a Guarda Costeira em nota, acrescentando que as equipes seguiriam nas buscas durante toda a noite. Quatro canadenses e dois cidadãos das Bermudas estavam a bordo, e os familiares foram notificados, segundo a corporação.

O voo de Bermudas para Boston

A aeronave, um Gulfstream G100, decolou do Aeroporto Internacional L.F. Wade, nas Bermudas, por volta das 23h40 de sexta-feira (2), no horário local, com destino ao Aeroporto Internacional Logan, em Boston. Cerca de duas horas depois, nas primeiras horas da manhã de sábado, o controle de tráfego aéreo perdeu o contato com o jato, o que levou a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) a emitir um alerta de busca e salvamento por volta de 1h20, informou a Guarda Costeira.

A área de busca foi concentrada ao largo de Nantucket, ilha de Massachusetts situada a cerca de 50 quilômetros ao sul de Cape Cod. Segundo dados preliminares de rastreamento de voo, a aeronave despencou de cerca de 24 mil pés de altitude para aproximadamente 10 mil pés em poucos minutos, antes de o sinal de radar ser perdido quando o jato se aproximava de Boston, onde estava previsto para pousar por volta de 1h30.

O avião, fabricado em 1996, estava registrado em nome da empresa canadense Latitude Air Ambulance desde 2018, segundo registros do governo do Canadá. A tripulação de quatro pessoas havia voado até as Bermudas para buscar um paciente e um acompanhante, informou à CNN o diretor de operações de voo da Latitude, Clarence Togeretz.

Quem estava a bordo

Segundo a Guarda Costeira dos EUA, os seis ocupantes eram quatro canadenses e dois cidadãos das Bermudas. Os dois pilotos e os dois integrantes da equipe médica são canadenses, enquanto o paciente e o acompanhante são das Bermudas, detalhou Togeretz à CBC, parceira de apuração da CNN.

Os familiares das seis pessoas foram notificados pelas autoridades, informou a Guarda Costeira em comunicado. O governo das Bermudas confirmou que entrou em contato com as famílias dos ocupantes. “Rezamos para que as seis pessoas sejam encontradas com vida e agradecemos os esforços contínuos das equipes de busca e salvamento”, declarou o primeiro-ministro das Bermudas, David Burt.

O ministro dos Transportes do Canadá, Steve MacKinnon, também se manifestou. “Meus pensamentos estão com todos os passageiros a bordo, bem como com suas famílias, entes queridos e colegas de trabalho neste momento tão difícil”, disse. Segundo ele, as autoridades canadenses estão “acompanhando de perto a situação e colaborando com as autoridades competentes enquanto os esforços de busca e salvamento continuam”.

A declaração de emergência

Gravações do controle de tráfego aéreo, divulgadas pelo site LiveATC.net, indicam que o piloto relatou problemas elétricos e declarou emergência enquanto a aeronave se aproximava da costa americana. Em um dos trechos, um controlador pergunta: “Entendido, você disse que está voando às cegas. Foi isso que você disse?”, segundo informou a imprensa local.

Um despachante de resgate alertou as equipes de emergência em terra para se prepararem para a chegada do avião, informando que a aeronave estava a cerca de 15 minutos de distância, com falhas elétricas e perda de rádio e radar, de acordo com áudios analisados pelo The Boston Globe.

Dados de radar indicavam que uma tempestade cruzava a rota da aeronave no momento em que o contato foi perdido. A ex-inspetora-geral do Departamento de Transportes dos Estados Unidos, Mary Schiavo, que atua como especialista em aviação, afirmou que o avião pode ter perdido os instrumentos de navegação justamente ao entrar na área de instabilidade. “É um lugar terrível para perder os instrumentos e estar voando às cegas”, declarou. “É muito fácil ficar desorientado e não saber se está virando, subindo, descendo.”

A operação de busca

A Guarda Costeira mobilizou um amplo aparato para as buscas na costa de Massachusetts. A operação envolveu aviões de patrulha HC-144 Ocean Sentry e HC-130 Hercules, um helicóptero MH-60 Jayhawk, um barco de resgate e o navio de resposta rápida William Sparling, segundo a imprensa internacional. As equipes vasculharam uma área de mais de 4 quilômetros quadrados ao largo de Nantucket por cerca de 27 horas.

Uma embarcação da Guarda Costeira permaneceu na área de buscas durante a noite de sábado e ao longo do domingo, informou a corporação. As condições no Atlântico na região de Nantucket exigem cautela das equipes, e a operação de busca e salvamento é coordenada pelo Distrito Nordeste da Guarda Costeira, responsável pela costa da Nova Inglaterra.

Operações desse tipo seguem protocolos rigorosos: a área é dividida em setores, e aeronaves e embarcações varrem quadrantes de forma sistemática, com apoio de imagens de satélite e dados de deriva calculados a partir das condições de vento e correnteza. A confirmação de que os destroços localizados pertencem à aeronave desaparecida ajuda a concentrar os esforços no ponto exato do oceano.

Ambulâncias aéreas: como funcionam

O jato desaparecido operava como ambulância aérea, um serviço especializado no transporte de pacientes entre hospitais, regiões ou países. A Latitude Air Ambulance, empresa sediada em Ontário, no Canadá, afirma em seu site ter realizado milhares de missões desde 2009, levando pacientes e familiares de volta para casa, e destaca um histórico de segurança impecável.

As ambulâncias aéreas da companhia são tripuladas por dois pilotos e uma equipe médica, e contam com maca, além de equipamentos e suprimentos médicos completos de UTI, segundo a descrição da empresa. Esse tipo de voo é comum em regiões insulares como as Bermudas, onde pacientes que precisam de tratamento especializado são transferidos para centros médicos maiores, como os de Boston, nos Estados Unidos.

No Brasil, o transporte aéreo de pacientes também existe em diferentes formatos, incluindo operações militares. A Força Aérea Brasileira realiza voos que podem ser utilizados gratuitamente pela população em situações específicas — saiba como funciona o transporte aéreo da FAB.

O que acontece agora

Com a confirmação de que os destroços pertencem ao Gulfstream G100, as autoridades mantêm todas as linhas de apuração abertas, e a busca pelos ocupantes na área continua. Uma investigação formal sobre o acidente deve ser conduzida pelas autoridades de aviação dos Estados Unidos e do Canadá, que vão analisar os dados de voo, as gravações de comunicação e as condições meteorológicas no momento do desaparecimento.

Até o momento, as autoridades não divulgaram informações adicionais sobre as circunstâncias exatas que levaram à perda de contato com a aeronave. A Guarda Costeira informou que seguirá atualizando o público à medida que a operação de busca avançar, e pediu que especulações sejam evitadas enquanto as equipes trabalham na área.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.