Israel realizará eleições gerais em 27 de outubro, última data permitida pela legislação, informou neste domingo (12) a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Será a primeira vez desde 1988 que o país vai às urnas na data originalmente prevista no calendário eleitoral.
A 25ª legislatura da Knesset se encerra na sexta-feira, quando começa o recesso pré-eleitoral. De acordo com a assessora jurídica do Parlamento, Sagit Afik, não será necessária a aprovação de lei para dissolução da Casa, já que o pleito está previamente fixado em norma.
Corrida para aprovar projetos antes do recesso
Nos últimos dias de trabalho, a coalizão tenta votar pacotes que incluem pontos da reforma do Judiciário e benefícios à comunidade ultraortodoxa. Ainda não há definição sobre quantas propostas avançarão antes da pausa.
Neste domingo, uma comissão parlamentar liberou as duas votações finais de um projeto que altera as regras de financiamento partidário. O texto posterga o pagamento de empréstimos cedidos às bancadas pela Knesset e eleva o percentual de recursos públicos antecipados para as campanhas.
Pleito visto como referendo sobre o premiê
Netanyahu, de 76 anos, responde a processo por corrupção e soma 18 anos no cargo — mais tempo que qualquer outro líder israelense. As pesquisas mais recentes indicam que a maioria dos eleitores deseja sua saída. O ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot aparece como principal opositor.
A popularidade do primeiro-ministro foi afetada pelas falhas de segurança que permitiram o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, além da percepção de que o governo não atingiu vitória decisiva sobre Hamas e Hezbollah. Parte da população também avalia que Netanyahu ficou à margem nas negociações que resultaram em cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos.
Imagem: Nathan Howard
Transmissão ao vivo da contagem
O chefe interino da Comissão Central de Eleições, Din Livne, declarou que o órgão analisa transmitir a apuração em tempo real para combater campanhas de desinformação. “Qualquer pessoa poderá acompanhar a contagem”, disse, acrescentando que, embora seja impossível fraudar a eleição em Israel, é possível persuadir parte do público de que houve irregularidades.
Com o país em guerra há quase três anos e enfrentando crise social, o resultado de 27 de outubro definirá se Netanyahu prolongará seu domínio político ou cederá espaço a uma nova liderança.
Com informações de O Globo